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quinta-feira, 28 de julho de 2011

OS COELHOS, AS RAPOSAS E OS FRANGOS






O governo Português que sucessivamente tem vindo a confirmar ideias e decretos que há
poucos meses, na oposição, veementemente contestava, reuniu o conselho de concertação social...

Presentes ou representados:

OsCoelhos:     (governantes)
As raposas:     (patronato)
Os frangos:     (trabalhadores)

A consertação, à semelhança do que estamos habituados, desde que há alguns anos Cavaco a iniciou, e da qual ainda muito se orgulha, tem vindo a ser um jogo onde:
o árbitro arbitra  mal e afuniladamente;

As raposas mostram toda a sua esperteza e sagacidade que tolerante e repetidamente
os governos  lhes permitem;

Os frangos, esses, saem sempre depenados;

O diálogo ainda mal começou mas após o primeiro round as raposas, risonhas de
contentamento deram-se por entusiasmadas e felizes com o primeiro embate...

Ganharam logo ao ir a jogo, a redução de 20 para 10 dias de indemnização nos despedimentos,
contrariando a proposta,  já de si desonesta,   do governo  do Socrates...

Os frangos, reclamam e desanimadoramente protestam  e pregam no deserto mas a verdade
é que foram depenados... ainda vão acabar por ser eles a pagar o fundo de indemnização!...

Os coelhos, esses respiram fundo e dormem entre o sobrassalto e a secreta esperança
de que os galináceos não saiam às ruas como na Grécia, contestando... e bradando...

Mas, não sendo este escriba,  o senhor de La Fontaine,  nem este artigo um conto para
crianças,  a verdade, verdadinha é que depois dos pintos depenados, as raposas não deixarão
de fazer aos coelhos o que vulgarmente o seu instinto predador, voraz e insaciável sempre determina: vão também comer os coelhos reverentes e servidores.

E tudo foi programado  com (a melhor das intenções!...) salvar a pátria lusitana... onde é que eu
já ouvi isto?... Ah! já me lembro... era ainda garoto... lá vamos cantando e rindo...

E os frangos?...

Esses, os que se acomodarem e entrarem na coelheira cantam o hino de (. . . . . . . )

Lá vamos cantando e rindo
Levados, levados, sim,
Pela voz do som tremendo,
Das tubas, clamor sem fim.

Lá vamos, que o sonho é lindo,
Torres e torres erguendo,
Clarões, clareiras abrindo,
Alva de luz imortal,
Que rôxas névoas despedaçam,
Doiram os céus  de Portugal...


Claro que em alternativa,  em surdida e muito baixinho, os contestatários,  podem sempre consolar  a alma com a canção do Zeca Afonso: eles comem tudo, eles comem tudo eles
comem tudo e não deixam nada...

Entretanto  nesta terra lusitana, os jornais noticíam:

Que há listas de espera para adquirir Ferraris,  Porsches e outros carros de  gama alta!...

Que as classes  média e baixa estão a entregar as casas aos banqueiros  porque perderam os empregos...  e não as podem pagar...

Que o grande capital não paga  impostos!...

Que ao banco alimentar está a chegar todos os dias  a classe média envergonhada, com fome;

Que o governo aumentou de sete para onze os administradores da caixa geral de depósitos!...

Que o BPN onde o estado meteu milhões, vai ser vendido por tostões!...

Que os reformados não têm dinheiro para rendas e medicamentos...

Que algumas crianças precisam de, em férias, continuar a ir à escola para terem uma refeição!...

Que do subsidio de Natal boa parte vai para o estado!...

Mas como dizem os espanhóis.... « aqui??? aqui não se passa nada» ...

E as raposas... as raposas... senhores, nos seus fatinhos feitos á medida, entretanto sorriem em orgasmos de contentamento e dizem: era preciso mais mas para já não está mal. 

Entretanto esperemos que o amanhã seja melhor... Mas pôrra!....nós queremos ser felizes hoje,
e não ter que passar a vida a cantar:
A formiga no carreiro,
Andava á roda da vida....


Com o meu abraço e o meu afeto,
declaradamente não partidário

João Quitério




















terça-feira, 26 de julho de 2011

OSLO, o horror!... o ódio!... e o diabo





flores em homenagem aos inocentes vitimas do ódio



Como sempre faço, da minha janela (virtual) espreito o mundo
e os jardins, e horror dos horrores!!!...  nestes dias o jardim Noruega cheio de destruição e sangue patente no ódio esquizofrénico de um loirinho ridiculo com a cabeça cheia de ideias feitas sobre o orgulho de raça saloia.
Que são reminiscências do sr. adolfo do bigode ridiculo, que espalhou o mesmo tipo de ódio racial na europa nos idos anos de trinta e quarenta... Dizem alguns!

Eu digo, parafraseando John Lennon: (vivemos num mundo que se esconde para fazer amor! E pratica a violência á luz do dia...)

Oslo, capital do Nobel e consequentemente da paz, capital de uma nação tolerante, sentiu na pele a loucura e demência daquele jovem do qual  o nome jamais  citarei no meu blog...
(A ele me referirei sempre e apenas como o diabo de oslo.
E neste momento e  aqui, não deixo  de me recordar  de um pensamento de Guerra Junqueiro, (se a arma que mata defende a liberdade e a vida, os santos choram mas não acusam...) e o diabo de oslo, esquecendo a minha convicção arreigada de NÃO MATARÁS, apenas deveria ter como merecimento o castigo de ser morto com a arma que essa sim defenderia a liberdade e a vida... ( e os santos por ele não chorariam).

Vivemos num mundo que é de todos e não é pertença de ninguém!...
Um mundo que nos é confiado, através de um mandato da lei divina, universal e imutável, no momento do nascimento e nos
é retirado, apenas, no momento da morte e por mais comentários filosóficos e politicos em que alguns comentadores
se embrenhem o acto do diabo de Oslo é  inqualificável...
E merece punição que vá para além das próprias leis do estado
de direito da Noruega.

Compete a cada um de nós estar atentos e vigilantes para que
a monstruosidade de Oslo não se repita em nenhum outro lugar.
Com  a minha tristeza...
O meu abraço e o meu afeto.


João Quiterio



segunda-feira, 25 de julho de 2011

OS MEUS AVÓS E EU


26 de julho de 2011 (dia dos avós)




Nasci na casa dos meus avós maternos, em Vila Flor, a mais bela das vilas de trás-os-montes,  com a ajuda de uma parteira, era assim naquele tempo...
Fui crescendo sob a  vigilância disciplinadora dos meus pais temperada pela vigilância serena e protetora desses extraordinários avós.

Se à sorte da vida muito pouca coisa devo; sinto-me  recompensado, gratificado e feliz por ter podido crescer
junto dos melhores avós que qualquer criança poderia desejar.

Eram almas simples que despontavam a cada gesto a cada carícia noite após noite quando carinhosamente me
obrigavam a com eles tomar o chá, aquecido nas brasas da lareira, tudo como se de um ritual se tratasse. Depois era o momento do deitar precedido das rezas das quais a 
minha avó não prescindia nem transigia. 
Da missa  de domingo e outras celebrações litúrgicas nunca era dispensado.

Minha avó, costureira de profissão, sempre tinha que costurar até tarde da noite à luz do candeeiro de petróleo.

Meu avô era carpinteiro, nos baixos da casa tinha a sua
oficina e esse dizia a minha avó era o sitio dos homens;
a cozinha era o mundo  das mulheres onde jamais me
permitiu sequer ajudar a descascar batatas, o que fez de
mim um  inutil, em termos culinários.

Ao invés, com o meu avô  fui aprendendo a usar o serrote, 
o martelo, a inchó, a plaina  e mais importante ensinou-me a ver e apreciar as madeiras,  a acaricia-las como se fossem os versos  que pela noite me cantava acompanhando-se
á guitarra.
Com ele também aprendi a dedilhar a viola, mas cêdo vi
que aí não tinha futuro, quando comparado com o seu virtuosismo. Eu desculpava-me com o facto de ele saber
lêr musica e por carolice tocar na banda da terra.

Nunca na minha vida vi ou ouvi uma discussão entre aqueles dois velhos, o que era anormal ao tempo, anos sessenta...

Meu avô tinha sido um homem muito viajado, no período
da primeira guerra mundial serviu no exército em
Moçambique e no pós guerra chegou a clandestinamente ter emigrado para França, por pouco tempo, pois era homem que não se dava a viver longe da família.
Por vezes contava-me das suas viagens e experiências, mas
da guerra,  jamais aceitou falar ou explicar porque foi condecorado.
Pelo meio das conversas vinham sempre os seus conselhos cheios  de filosofia que jamais esqueci: que para em paz viver três coisas tinha de saber e respeitar: ser paciente
com as autoridades, com os amigos e com as mulheres.

A última vez que nos vimos, entre um beijo e um abraço,
que ele dizia ser o último nesta vida, (eu rapaz com menos
de quinze anos, orfão de pai,  partia para Angola),  vieram
os conselhos mais importantes que alguém me podia dar: respeita sempre tôdo o ser humano, não avalies as pessoas de animo leve, elas  são como o vinho, não é no primeiro copo
que se conhece, e nunca te esqueças que só tens dois grandes amigos para toda a vida...

No idealismo e pureza dos meus quase 15 anos respondi:
és tu e a avó.
Ele respondeu-me não.
Nós pouco tempo temos e tu estarás muito longe...
Os dois amigos com que poderás sempre contar são os teus braços...

Com um cálice de geropiga caseira fez questão de brindar ao meu futuro, o dele seria realmente muito curto. 
Poucos anos depois chegou telegrama  de minha mãe que  dizia: teu avô morreu.
Mas não foi só o meu avô que morreu, com ele morreu o que
para mim foi o Homem mais calmo,  tranquilo e simples
que na vida conheci.
Com ele aprendi  os afetos e o perdão e que chorar pode não
fazer um homem duro mas fá-lo seguramente mais humano.

Com os seus conselhos também aprendi que realmente
os meus grandes amigos têm sido os meus braços, mas
sempre têm ficado na vida uns poucos amigos verdadeiros, que ele me ensinou a respeitar e estimar mesmo na diferença
de opiniões.

Agora, avô que sou, de três netos maravilhosos, mas por
vezes difíceis, acalento a secreta esperança de que quando
um dia, tão longínquo quanto Deus permitir, o meu tempo
terminar, tenham motivos para sentirem o orgulho e o
afeto que pelo meu avô sinto.
Então... esteja eu onde estiver, serei feliz.


Aos meus avós e aos meus netos
deixo o meu abraço e o meu afeto.
João Quitério



  

             

quinta-feira, 21 de julho de 2011

ANTÓNIO PINA PRÉMIO CAMÕES

Foto extraída do Jornal de notícias







Há hábitos mecânicos dos quais desconhecemos a origem, a razão ou o reflexo condicionado, que nos impulsiona a
insistentemente da mesma forma proceder...

Sempre começo a minha leitura do jornal, da revista ou
do livro pela ultima página; por hábito ou talvez porque 
no meu subconsciente exista o misterioso desejo de 
conhecer o (fim?...)
Sempre assim foi e duvido que algum dia seja de outra forma...

Assim sendo, o artigo  de opinião diáriamente assinado por Manuel António Pina na ultima página do JN é o meu  
primeiro deleite literário,  acompanhado de um cimbalino  
e um cigarro, e que contrariedade sinto, quando (raramente) por alguma razão, o artigo não está presente...

Aí! O dia já começa mal...

Eis pois que António Pina já não é ele só... faz parte do
universo de vida de cada leitor seu e sentindo-nos nós mesmos fundidos com ele, (ainda que por vezes discordemos) chegando
a tornar-se familiar a maneira de o ler e estudar.  

A sua opinião,  pela acutilância e força das suas palavras escritas com o coração,  adornadas pela finura dos sentidos e cheias daquele toque de simplicidade,  naturalidade e generosidade  de que apenas alguns eleitos são investidos, tornam-se como um ato indispensável ao dia dia de alguns.

Não se pense que conheço António Pina, de forma alguma, o meu conhecimento advém apenas dos  seus escritos e da
sua obra que há pouco foi justamente reconhecida com a atribuição do prémio Camões e ao qual ele simplesmente se referiu como: É a coisa mais inesperada que podia esperar.(M.A.P.)

Inesperada pode ter sido na sua maneira simples e natural de ver  e sentir, mas merecida, digo eu, pois a polivalência da escrita do laureado vai muito para além do que é normal...
E se Manuel António Pina sai prestigiado com o prémio Camões, mais prestigiados saem Portugal e nós portugueses
por sabermos que a literatura e a poesia  é das poucas coisas  que resistem ao déficit e estão de boa saúde na lusa terra. 
Conhecer o  pensamento e a  obra do laureado ilumina  o espirito e refresca a mente conforme se pode verificar
no poema seu, que escolhi para completar esta minha singela homenagem  ao escritor e poeta.

Arte poética


Vai pois,poema, procura
a voz literal
que desocultamente fala
sob tanta literatura.

Se a escutares, porém tapa os ouvidos,
porque pela primeira vez estás sózinho.
Regressa então, se puderes, pelo caminho
das interpretações e dos sentidos.

Mas não olhes para trás, não olhes para trás,
ou jamais te perderás;
e teu canto, insensato, será feito
só de melancolia e de despeito.

E de discórdia. E todavia
sob tanto passado insepulto
o que encontraste senão tumulto,
senão de novo ressentimento e ironia?


A Manuel António Pina e aos meus leitores e seguidores,
deixo o meu abraço e o meu afeto.
João Quitério. 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O JOÃO E EU, o rasteirinho

( rasteirinho no meu melhor: o descanso)




O João e a Maria, começaram por me  chamar  rasteirinho ; não tenho linhagem aristocrática  canina definida, sou entroncado  de patas muito curtas,mas sou valente e bom companheiro.

Tive em tempos outro nome que  quero esquecer,  como pretendo esquecer aquela noite fria de inverno, quando há seis anos, meus primeiros donos me abandonaram na rua porque a minha aparência possivelmente  não correspondeu à que de mim esperavam.
Atitude desumana,  desleal e irresponsável.
Ah!... Os humanos... com que facilidade se descartam dos seus companheiros de estimação e amigos como se de lenços de papel se tratasse...

Mas eu tive sorte! Fui-me insinuando á porta da garagem do João e comecei brincando com o vaidoso do caniche preto, que eles tinham, e que por sinal era bom rapaz, e me foi dando umas dicas de como conquistar as graças dos que  haveriam de me acolher.

Comecei por me banquetear juntamente com o Black, comendo da sua ração, mas eu dormia na rua, até que numa noite fria e chuvosa,  já muito tarde o joão me disse: vá,  entra lá seu vadio se não morres de frio, e afinal é Natal... Mas é só hoje,  amanhã faz-te á vida...

Rasteiro e silencioso instalei-me debaixo da bancada da electrónica  em um tapete de alcatifa fôfa.
Que rica noite sem frio eu passei...
E a esse dia seguiu-se outro dia, e ao outro dia seguiram-se  outros dias, e aos dias seguiram-se
semanas, meses e anos e entretanto o black morreu;  de velhice, ouvi dizer que tinha 12 anos e já estava cego.
Este foi um dia triste para os meus novos donos. Aos olhos deles vi assômar umas gotas de água a
que os humanos chamam lágrimas... E quando o black expirou uma última vez e o João lhe disse: adeus companheiro, fiquei tôdo arrepiado e triste pois também eu tinha acabado de perder um companheiro e um amigo, apesar de algumas lutas que travámos em tempos idos.

Eu entretanto, finório que sou, se já estava instalado no espaço fisico, dos que considerava meus novos donos, fácil foi insinuar-me e instalar-me devagarinho nos seus corações e se não esqueceram o black, pelo menos suavizei a sua perda e por aqui fiquei e aqui me mantenho dando mostras da minha amizade e lealdade.
Toda a gente deixo entrar... mas se eles não estiverem, os estranhos, não deixo sair...
Tornei-me lentamente importante, de forma  que sou sempre apresentado aos familiares e amigos como um companheiro desta boa gente.

Temos dias, em que o João e eu estamos sós a maior parte do tempo, e ao fim da tarde quando a Maria chega é para mim uma festa em volta do carro e só páro de ladrar quando se baixa para me fazer um
carinho que eu retribuo.

Com o João  aprendi a escutar  e a deliciar-me, com a música que seleciona e passei a compreender  os grandes silêncios em que mergulha pensando no que há-de escrever,  nas injustiças da humanidade e da vida, nos problemas que lhe surgem, nas contrariedades.
Ah! mas também tem partilhado comigo algumas alegrias.
Fui eu o primeiro de todos a saber que através dessa coisa do blog iria transmitir  aos que o amam, estimam e apreciam, as suas ideias, o seu pensamento e o conhecimento da vida.

Desde aquele Natal, sempre estive e estou com ele.
Fui também um dos primeiros seus amigos  a conhecer a sua revolta quando há alguns meses, em pleno sabado á tarde foi despedido por telefone do emprego que mantinha há mais de dez anos.
Juntos temos vivido lutas e canseiras, ilusões e desilusões, numa amálgama de sentimentos que fazem os humanos infelizes...

Mas como na vida  nem tudo é mau, para mim tem a vantagem de agora o ter diáriamente comigo. Assim temos mais tempo para nos comunicarmos, e sempre o acompanho ao café logo cêdo para tomar o seu cimbalino; eu, espero-o á porta e regresso com ele à oficina e por ali me mantenho.
Por vezes dou uma ruada, na urbanização à procura de garinas...
O meu amigo João  nunca me prendeu, porque o que mais odeia são grilhetas, acha que todos devem ser livres e livres viver; e estar enquanto querem e partirem quando o desejarem.

Nestes tempos que por aqui estou também  já lhe conheci momentos de alegria.  Quando as filhas e netos o visitam; aí, fica possuído duma alegria calma e radiante,  que transmite num pequeno sorriso, que só eu e poucos mais   conhecemos.
Alegria e satisfação, também percorre o seu semblante quando os amigos vêm de visita, sobretudo aqueles que em tempos melhores vinham e em tempos piores  voltam,  e a quem, por vezes, brinda com uma ou outra peça do artesanato por si criado a partir de materias reciclados. Aneis, brincos e porta-chaves que eu vejo; encantam quem os recebe e quem os dá.

Com ele aprendi que a palavra amigo tem um significado de inauguração, diria mesmo de festa  muito profunda; e perdoem-me os seus humanos amigos, tenho consciência, que de todos, eu sou o primeiro
e o mais leal, mas isso é a  vantagem da condição inata dos da minha espécie... e isso não se discute.

E assim, entre a electrónica, o artesanato e a escrita, vou olhando e apreciando este homem que teima
em ser meu compaheiro e não meu dono.
Com ele vou partilhando as alegrias, as dúvidas e incertezas; mas sobretudo a esperança e a fé, que o levam a frequentemente  a olhar o céu e a murmurar:  mesmo se caído, continuarei a olhar as estrelas...
E isso  amigos,  ninguém lhe poderá tirar... Ninguém lhe poderá negar.

Com uma patada amiga e o meu afeto,

(Rasteirinho)



(este artigo  é dedicado a todos os que  nunca abandonam os animais)

sábado, 16 de julho de 2011

FLORBELA ESPANCA

Fanatismo


Minhálma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo,meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!


Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto,toda a graça
Duma boca divina fala em mim!


E, olhos postos em ti, digo de rastos:
Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Principio e fim!...

Florbela Espanca: poetisa Portuguesa (n.2/12/1894 - f.2/12/1930



Como ela, também eu por vezes, busco na melancolia, nas mágoas e desilusões a inspiração...
Sendo uma das flores do meu jardim virtual, aqui deixo a minha homenagem a uma mulher
que nasceu fadada para o inesperado e dramático da vida.

Se penetrássemos o sentido da vida, seríamos menos miseráveis.(F.E.)
(subscrevo no tôdo esta sua frase)


(à minha filha Ariana grande admiradora da poetisa)

João Quitério

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A FOTOGRAFIA E EU

Foto do meu amigo Carlos Pereira
(amador que sabe captar o momento)

Quando NIEPCE em 1826 inventou a máquina que captava imagens e que aperfeiçoada mais tarde por DAGUERE se tornou num instrumento inicialmente restrito para uso de poucos, deu-se inicio a uma nova  profissão: o fotografo; e por muito optimista que o inventor fosse, jamais terá pensado as proporções que tomaria o seu invento e que nos tornou a quase todos os humanos escravos das imagens e das máquinas que as podem captar.

Sobressalto na época  para os pintores  retratistas que viviam da arte de fixar na tela para a posteridade a imagem dos que bafejados pela fortuna podiam a estes  recorrer e pagar.
Tremeram mas sobreviveram, afinal a pintura foi, é, e será sempre a imagem de excelência para os apreciadores.

Com o tempo e os progressos técnicos a fotografia tornou-se tão banal que é possível encontrar
amantes da arte de fotografar em todas as idades e em tôdo o planeta.

Vão longe os tempos em que alguns povos pensavam que sugeitarem-se à captação da sua imagem lhes roubava a alma diminuindo-lhes as suas capacidades, acontecendo que em alguns povos a não autorização de fotografar era uma questão dogmática;
mas com a evolução da humanidade também a fotografia evoluiu para parametros em que não possuir uma máquina fotográfica é um sacrilégio tão grande como não ter telemóvel, que, (pasme-se), diria o inventor, também o telemóvel nos dá a oportunidade de fazer fotos  de qualidade razoável.

O meu primeiro contacto com a fotografia, contaram-me os meus pais, foi um sacrificio de estar, aos seis anos, parado, sem mexer, sem pestanejar, ao sol,  enquanto o fotografo captava a minha imagem para aquela caixa de madeira, feia e velha;
ainda hoje me parece que demorou uma eternidade o sacrifício.

No entanto aquela  máquina fascinava-me e cheguei mesmo nas brincadeiras a usar uma caixa de giz em madeira transformada em máquina preenchendo assim o meu imaginário de fotografo.

Com o tempo descobri toda a minha incapacidade para fotografar, não me recordo de algum dia ter tirado uma fotografia que se pudesse dizer que ficou boa. Acabei por me conformar com essa falta de destreza  e contento-me  domésticamente a usar a minha Nikon coolpix tipo maço de cigarros que não requere grandes conhecimentos técnicos.

Mas aprecio fotografia, não em termos técnicos, isso deixo para os especialistas, mas se
vejo uma imagem de que gosto, não justifico nem critico pormenores; gosto porque gosto e isso basta-me para regalar os sentidos e quantas vezes para encher a alma.

Na net encontram-se autenticos tratados técnicos e até filosóficos sobre a fotografia; não os segui
nem me socorri deles para escrever este artigo e sempre discordei do anúncio publicitário uma fotografia diz mais que mil palavras; embora o anúncio fosse eficaz,  sempre achei que quem o inventou sabia muito da fotografia mas também  teve que se socorrer da palavra para a descrição publicitária...
Sem a descrição o anúncio, era o nada.

A fotografia capta realmente o momento, veja-se a celebre foto de Che Guevara, captada num momento de feliz inspiração  de Alberto Korda,  mas tiremos-lhe a palavra, a descrição, a análise, e o que resta?...  Apenas uma imagem, que será imperecível mas que originou milhões de análises escritas, de palavras que contaram e relataram uma época, um tempo.

Assim, tenho,  que para mim, e desculpem-me os puristas, a imagem necessita da palavra para a complementar, sem ela  pouco resta.

Essa imagem de CHE  deixou na minha geração a marca indelével de um tempo de rebeldia,
de uma revolução, de um homem; aprecie-se ou não os  feitos e a saga de CHE essa foto nunca deixará de ser um contributo, uma homenagem a NIÉPCE que inventou  a fotografia 130 anos antes.

Penso  no entanto, não estar enganado, que para uma boa fotografia além de uma boa máquina
é necessária a sensibilidade do fotógrafo; o olho humano é esencial, e isto leva-nos a um principio  filosófico  indesmentível: acima e por detrás da boa imagem, está o HOMEM.
Acima e por detrás de tudo está o HOMEM, que na sua essência possui a capacidade de captar
com os seus olhos, e descodificar com o seu cerebro a beleza do momento.

Aos meus amigos e meus leitores, interessados na fotografia, muito ou pouco, deixo como
sempre o meu abraço e o meu afeto.
Foto de cheguevara
(autor:Alberto Korda)




João Quitério
Gaia 2011

terça-feira, 12 de julho de 2011

de ALDA LARA

RUMO


É tempo,companheiro!
caminhemos...
Longe a terra chama por nós,
e ninguém resiste á voz  da terra...

Nela, o mesmo sol ardente nos queimou,
a mesma lua triste nos acariciou,
e se tu és negro e eu sou branco,
a mesma terra nos gerou!

Vamos companheiro...
É tempo!
Que o meu coração
se abra às mágoas das tuas mágoas
E ao prazer dos teus prazeres.

Irmão,
que as minhas mãos brancas se estendam
para estreitar com amor
as tuas mãos negras...
E o meu suor se junte ao teu suor,
quando rasgarmos os trilhos
de um mundo melhor!

Vamos!
que outro oceano nos inflama...
Ouves?
É a terra que nos chama...
É tempo companheiro!
caminhemos...


foto do arquivo da lusofonia
  ALDA LARA  poetisa Angolana (1930/1962)

WELWITSCHIA A FLÕR DO DESERTO e eu


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WELWITSCHIA MIRÁBILIS (foto da net de autor desconhecido)


Esta formosa planta vive unicamente no deserto do Namibe, considerado o mais antigo deserto existente no mundo; com 50.000 kms quadrados  liga Angola e Namíbia.  


A planta deve o seu nome de baptismo ao médico e explorador austríaco Frederich Welwitsch que a encontrou pela primeira vez no dia 3 de setembro de 1859.
O nome de Frederich ficou celebre por este feito e a sua história de vida ficou para sempre ligado à  planta e a Angola.


Welwichia mirabilis; vê-la, em pleno deserto do Namibe, é ficar por ela apaixonado. A visão é quase irreal.
Considero-me um pouco ligado a ela pois quando a vi uma única vez, um turbilhão de emoções assolou a minha mente, porque ela é como que uma oração ao  poder divino que tudo cria e tudo faz perecer e que permite que tão bela planta, cujas folhas chegam a atingir dois metros de comprimento, permite que  se desenvolva e crie num ambiente tão inóspito de areia escaldante.


Olhando ao redor apenas se vê dunas de areia e mais areia avermelhada e dourada.
A welwitschia alimenta-se da orvalhada da noite o que lhe permite armazenar o dióxido de carbono esencial para a fotosíntese, mas de dia os seus poros mantém-se fechados para impedir a transpiração.


O meu contacto com ela foi na minha juventude, 1969 numa visita á bela e tranquila cidade de Moçamedes em Angola, a terra que, se ama ou se odeia; eu amei-a e tentar esquecê-la tem sido uma das mais duras batalhas da minha vida.


Porque há dias o meu sono foi invadido pela visão da welwitscha mirábilis aqui  deixo a minha homenagem á formosa planta e aos amigos que até ela me levaram.

A todos o meu afeto e um kandando (abraço)
João Quitério













segunda-feira, 4 de julho de 2011

A GAIVOTA E O ABSOLUTO



imagem tirada da net de autor desconhecido
Este artigo é dedicado às sete mulheres da minha vida:
Brizida Monteiro, a avó que me ensinou a amar o divino;
Laurinda, a mãe, que me amou como ninguém;
Maria de Lurdes a primeira esposa e companheira que já habita o absoluto
Teresa Ariana, a primeira filha;
Diana Lara, a segunda filha;
Liliana Raquel, a neta que também escreve e será o futuro
Maria do Rosário, a actual esposa, paciente e leal companheira.
TODAS ELAS ME ENSINARAM A VOAR...






Os livros são como amigos, daqueles incomparáveis que sempre ali estão quando deles precisamos.
Mas claro que como os amigos,  também cada livro tem a sua própria personalidade, as suas caracteristicas, que os tornam todos desejáveis, exatamente pela diferença marcante de cada um.

Frequentemente releio esse livro amigo, Fernão capelo gaivota, essa obra notável de Richard Back  que cruza no seu enredo, vontade, sonho, amor, perdão e desejo  de infinito, numa simbiose cósmica que se lido com o coração nos eleva a alma e enternece a mente de forma a tornarmo-nos melhores, ainda que por momentos, levando-nos a submergir no nosso interior e desfrutar do que de melhor possuímos na nossa memória genética e  se encontra adormecido.

Fernão capelo  gaivota contém em si mesmo o que de melhor o homem tem escondido dentro dessa memória universal que apenas uns poucos conhecem;
a capacidade de um amor tal que tudo perdoa e tudo o que é superficial ignora; 
capêlo perdôa mesmo o ter sido considerado rebelde,  proscrito, e mal amado pela sociedade das gaivotas que não compreendiam o seu desejo de aprender a executar o maior  e mais belo vôo que lhe iria trazer a satisfação de se sentir em comunhão com o tôdo universal e absoluto.

A ideia de vida e existência de Fernão não era igual e singular aos da sua espécie, de suas irmãs e amigas que se preocupavam apenas em procurar  alimentação e diversão.

Fernão desejava algo mais,  voar muito mais alto, ver mais longe, e o seu desejo e vontade eram tão grandes que nos pode servir, a nós humanos como lição de vida; nós que regra geral nos preocupamos mais com o ter do que com o ser.

Fernão capelo gaivota conseguiu pelo esforço, pela vontade,  pelo amor e pelo perdão essa comunhão  que todos deveríamos tentar encontrar com o universo cósmico  rumo ao ABSOLUTO.

Afinal esta vida fisica é mais uma de muitas passagens para que possamos aprender a amar e a perdoar.

Por mim, não sei se o conseguirei, mas á semelhança de Fernão   não desistirei de o tentar, até porque acredito, que a  ideia de paraíso já é o paraíso em si mesmo.

Aos meus familiares, aos meus amigos, aos meus leitores e seguidores, com o meu abraço e o meu afeto, desejo o mesmo que capelo conseguiu.

Vou mas  volto.
João Monteiro Quitério

quarta-feira, 29 de junho de 2011

SOCRATES, EU, E AS ESTRELAS














É noite alta, a cidade dorme tranquila, da minha janela olho  o céu, hábito adquirido na infância  quando mesmo os grandes espaços dos montes transmontanos já eram limitados para a imaginação...

Miro as estrelas e aprecio o seu brilho, o seu alinhamento perfeito e penso na minha pequenês; na pequenês de todos os abrigados debaixo deste teto celeste que cobre a terra. 

Penso no poder divido que organizou tamanha festa que não tem fim e que todos os dias ali está num arraial  para toda a eternidade; e nós tão poucas vezes o olhamos! Tal é a nossa certeza e o hábito de que ali sempre esteve e estará, que não lhe damos importância.
Acreditem os meus leitores que 10 minutos aproveitados a olhar as estrelas concede-nos mais tranquilidade do que uma dose  de prozac ou xanax.

Pois debaixo desse mesmo teto estava um dia Socrates, há 2.500 anos dando uma palestra sobre a virtude, a piedade,  a amizade e os afetos aos seus concidadãos num campo dos arredores de Atenas quando um  dos seus discipulos esticando o braço apontou para uma estrela chamando a atenção para a beleza do seu brilho.
Repentinamente, Socrates,  interpela  o discipulo dizendo-lhe: quando apontas uma estrela estás a interferir com o equilibrio do universo.

Ora a acreditar que ao apontar uma estrela interferimos com o equlibro do universo e tendo em conta que cada homem é um universo distinto em si mesmo, mas parte do tôdo universal, fácilmente podemos imaginar  o desiquilibrio provocado  nesse conjunto universal de cada vez que   apontamos, decriminamos, humilhamos,  desprezamos,  exploramos e mais grave, matamos.É imperioso e urgente aprender-mos  a entender a  matriz que todos trazemos dentro da nossa alma, da nossa mente, da nossa energia, da nossa essência que nos move e impulsiona e nos faz ser parte deste universo equilibrado.

Dentro de cada um de nós está tôdo o  registo do conhecimento,  tôdo o saber, de tudo que conhecemos e o que havemos de conhecer; assim a modos que uma net divina, que só poucos sabem utilizar. 

Socrates acreditava que bastava ao homem conhecer o bem para que ele fosse praticado e ironia das ironias foi morto por aqueles que ouvindo-o ou espiando-o nunca o ouviram com o coração.
Lamentavelmente, a história repete-se, quatrocentos  anos depois, outros fizeram o mesmo a Cristo, e depois outros o mesmo fizeram a Gandhi, e mais outros, ontem, hoje, e amanhã o fizeram e farão a outros...

Amigos, a mais bela e alta sabedoria vem do coração e diante dele, em momentos de pureza de intenções, as estrelas rezam e o céu abre-se numa festa sem par e lança-nos as suas bençãos.
Olhemos as estrelas e acendamos uma vela para não  tatearmos na escuridão, de forma a não fazermos parte desses outros que em cada dia repetem a crucificação de cristo.

A todos o meu abraço e o meu afeto
João M.Quitério

segunda-feira, 27 de junho de 2011

COMUNHÃO

MIGUEL TORGA imagem da net


Tal como o camponês,
que canta a semear a terra,
ou como tu pastor,
que canta a bordar a serra de brancura,
assim eu canto,sem me ouvir cantar,
livre à minha altura.
Semear trigo e apascentar ovelhas,
é oficiar á vida uma missa campal.
Mas como sobra desse ritual,
uma leve e gratuita melodia,
junto o meu canto de homem natural,
ao grande côro dessa poesia.

Miguel Torga

TI MARIA E A RAPOSA

Dei comigo a pensar: se La Fontaine ainda existisse fisicamente, pois através da sua obra, ele será eterno; como descreveria a relação da raposa de Justes com a ti Maria e o ti Mário?

A raposa das fábulas de La Fontaine sempre saía castigada, humilhada vilipendiada e a sua esperteza e sagacidade era mal-quista pese, embora, as lições de moral de vida que elas transmitiam.

Era eu, pequenote, e sempre ficava algo tristônho e contrariado pela pouca sorte da raposa, esse bonito e sagaz animal... 
Claro que isso foi há muitos anos e os tempos mudaram e se mudaram para os humanos também mudaram um pouco para os bichos  livres e selvagens que com os homens  partilham e beneficiam deste maravilhoso planeta azul.

Mas, a raposa de Justes não é da terra de LA FONTENE,  a região francesa de champagne, mas sim da região transmontana  de Miguel Torga, e também  minha, e eu imagino  como Torga descreveria a relação da raposa com os habitantes de Justes, ele que nos deixou nos CONTOS DOS BICHOS descrições maravilhosas   de tal forma que  a ligação entre os bichos e o homem chegam a
ser humanizadas.

A descrição e filmagens da televisão efectuadas em Justes, Vila Real, demonstram como gente simples
de terras onde ainda existe a solidão do tempo, abrem o seu coração a um gesto que para todos deveria
ser simples  imperativo de consciência e de doutrina: DAR DE COMER A QUEM TEM FOME...

Afinal a região transmontana,  junto ao marão, (que nunca deu palha nem pão), e que  ultimamente tem andado envaidecida, porque de lá é o actual chefe do governo e a presidenta da assembleia da república, (o que confirma o ditado: do lado de cá do marão, mandam os que de lá são), mostra aos portugueses, e espero que ao mundo, como é possível a partilha de ALIMENTOS e de AFETOS  entre humanos e bichos numa relação quase humanizada  unidos que estão na esperança e na desgraça.

Se a lição da ti Maria e seus vizinhos tiver eco no seio desses  nossos governantes talvez os tempos dificeis que se avizinham sejam suavizados.
Por mim tenho esperança mas muitas... muitas.. dúvidas.



foto de raposa tirada da net de autor desconhecido



João Quitério, Gaia 2011

domingo, 26 de junho de 2011

INQUIETAÇÃO

Mesmo sendo domingo acordei cedo,
O dia está demasiado quente,
carregado de energia negativa.
Instalou-se a inquietação;
teimosa,
sombria,
uma inquietação quase dolorosa
que aperta o coração e esfarela a mente.
Da janela do meu quarto ao longe vejo o mar; 
da janela virtual espreito o meu  e outros jardins.
Hoje é só, mais nada...

terça-feira, 21 de junho de 2011

O TER E O SER...

Neste mundo conturbado,
quem tem muito dinheiro,
por mais inepto que seja,
tem talento e préstimos para tudo;
quem não tem dinheiro,
por mais talento que tenha,
não presta para nada.

(Padre António Vieira 1608/1697)

O esclarecido, e poder-se-ía mesmo dizer, iluminado pensador,  escritor, e missionário Jesuíta,  referia-se há quase quatro séculos a um mal que atravessa os tempos, numa renovação permanente, como permanente é o sol que ilumina o nosso planeta,
como permanente é o movimento das marés em oceanos  que unem continentes e povos.

O TER E O SER,  já existia muito antes de António Vieira, mesmo antes de Cristo que também combateu este conceito mesquinho, retrógrado e que lamentávelmente existirá muito para lá do nosso tempo.

Neste tempo de globalização, o ter e o ser tornaram-se  mais acentuados pela circunstancia
de haver mais acesso à informação, comunicação,  publicidade e desfile de vaidades que chegam até nós.

As aparências são quase sempre o que mais cativam os maus observadores que ajuízam
das pessoas em função  do que se tem e não do que se é; observam o exterior e não analisam o interior; são como aqueles que escolhem uma garrafa de vinho pelo preço e aspecto  do seu rótulo frontal, e raramente analisam o pequeno e menos atrativo rótulo situado na traseira da garrafa, que esse sim, refere as castas e demais informações técnicas sobre a sua concepção.
Aos que apenas apreciam  O TER deixo o meu desdém..
Aos que analisam e apreciam O SER deixo tôdo o meu afecto e admiração.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

...O ESTADO OU O HOMEM?

Ao principio não era o estado mas o homem...
Era o homem, o espirito e o barro;
É esta uma verdade em função da qual deverá ser o estado subordinado ao homem,
e não o homem subordinado ao estado. ( Francisco Lucas Pires)

Neste tempo em que se forma em Portugal um novo governo, dei comigo a pensar nesta frase do politico e pensador, (com o qual tive o prazer de conversar pessoalmente)  e na circunstância de passados mais  de trinta anos, o seu pensamento continuar actualizado, ou melhor, actualizadissimo!

Seria bom que cada, ministro, cada secretário, cada deputado a fixasse em suas mentes,
para não esquecerem, como sempre fizeram, que o HOMEM deve estar sempre nas suas preocupações e nas suas acções;

E ao referir-me ao Homem refiro-me a todos os portugueses e portuguesas e em especial áqueles que por força de más politicas e da globalização se vêem atirados para um gueto
onde falta o trabalho, a saúde, a educação, a prosperidade e aos quais eles (governantes iluminados)  se preparam para reduzir  ou cortar subsidios deixando-os em uma miséria
que os levará um dia  a iniciarem uma revolução.

E meus amigos, não nos iludamos, há dois anos que eu previa, e aqui o reafirmo, se a europa não cuidar dos seus assistiremos à desordem e sublevação totais conforme já se
começa a verificar um pouco por todos os países que enfrentam dificuldades. Olhem a praça do sol em barcelona! Hoje mesmo em Atenas!  

Foi assim noutros tempos, recordo-me da revolução de maio de 68 em França, em pleno auge económico!!! as greves e a revolta dos jovens; são sempre eles o motor das revoluções...  e já se começam a mexer em Espanha e na grécia, e Portugal dos brandos costumes, já viu a juventude á rasca  dar uma amostra do que aí pode vir, do que podem esperar.

Por isso insisto: pensem todos que: ao principio não era o estado mas o HOMEM...
...e que um dia podem ficar sem estado e ter de enfrentar O HOMEM.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

DA MINHA JANELA

Pela manhã levanto-me abro a janela e espreito a minha rua....
Depois espreito a janela do mundo no meu portátil no meu blog........
Dou uma passagem nos jardins, não proibidos, doutros  bloguistas.

Em alguns jardins vejo  os amores de uns e os desamores de outros.

Vejo sentimentos de saudade e abandono de gente á quaal são negados os afetos devidos.

Vejo também gente nova criativa e feliz disposta a contrariar a adversidade...
...e penso como  há bem poucos anos isto não era possível, a criação de uma comunidade
virtual, que  não se conhecendo, abrem o coração para contar o que lhes vai na alma, para
escreverem maravilhosos poemas,  contarem experiência de vida, possibilidade  que antes apenas era reservada aos que por circunstâncias diversas podiam editar.

Aos que estão tristes,  desiludidos, e em desamor deixo uma mensagem: AMANHÃ SERÁ MELHOR... e pensem sempre que um ser humano mesmo caído no chão, ainda assim, pode olhar as estrelas.

A todos deixaria uma recomendação: ANALISEM OS AFETOS, pois é dando que se recebe e os afetos não têm preço nem custo, nem se adquirem no supermercado por muito dinheiro que se tenha.

Cuidemos todos dos nossos jardins, dos nossos afetos e já agora porque não formarmos o sindicato dos afetos?

flores de Portugal
 

quinta-feira, 9 de junho de 2011

NO REINO DA UTOPIA

Da janela do meu tempo, eu, LUIS DE CAMÕES, o poeta, com a minha obra suprema debaixo do braço, OS LUSÍADAS,  escrita em pergaminho amarelecido pelo tempo e pelas viagens,  caminho pelas ruas de Lisboa,  ...caminho no meio de um povo feliz e sorridente porque vive em segurança e tranquilidade, onde não há registos de assaltos nem violência, um reino que desconhece a violência doméstica, um reino onde mal tratar crianças é impensável,  um  reino onde só as cadeias são decrépitas ruinas por falta de utilidade, um reino onde está preservada nos monumentos  bem tratados a memória te todo um povo, um reino onde a justiça é rápida e gratuita, administrada por homens justos em belos edifícios onde nem chove como no meu tempo.

Da janela do meu tempo, eu que perdi um olho em lutas esforçadas,  por terras aos infieis conquistadas, mesmo assim limitado, vejo longe e distante e ali perto miro  o rio tejo  tão querido, ligado ao oceano que todos levava e onde só alguns retornavam cheios de bens, riquezas e glória nunca por outro povo alcançados.

Da janela do meu tempo   olho os meus concidadãos, gentes do tempo novo, homens, mulheres e crianças  que  nas ruas,  passeiam;  são pessoas felizes num  reino que amanhã dia 10,  festeja o  dia  que comemora a raça de navegadores, a raça de homens e mulheres que souberam  mostrar novos mundos ao mundo pequeno  e  limitado que então conheciam.

Da janela do meu tempo vejo  creches escolas e universidades (gratuitas) onde todas as crianças e jovens são iguais e sem fome, espalhando sorrisos de contentamento; vejo professores felizes com o seu trabalho, vejo estradas por onde modernos automóveis circulam  sem terem que pagar o dizimo pela sua utilização, vejo funcionários solicitos e felizes para com os que a eles se dirigem.

Da janela do meu tempo vejo hospitais onde todos os cuidados de saúde são gratuitos,  vejo lares onde os velhos e os diminuidos  são tratados com carinho e com afetos sem que para isso os familiares novos tenham que se esforçar a pagar.

Da janela do meu tempo vejo que este reino também vai festejar amanhã o meu nome,  pelos poemas  que escrevi, pelas lutas que travei e que orgulhosamente mostram a raça de gente que os Portugueses doutros tempos soubemos ser.

Da janela do meu tempo vejo um reino económicamente forte onde nunca foi necessária a intervenção do FMI, que eu sei, os portugueses detestariam.

Da janela do meu tempo apenas vejo um povo feliz, dirigido por governantes felizes mais preocupados com o PIA (produto interno de afetos) do que com o PIB que esse está firme como uma rocha.

Da janela do meu tempo vejo empregados e empregadores derramando entre eles cordialidade e afetos; que bom está o meu país nesta hera de 2011, onde nenhum trabalhador é despedido sem  justa causa.

Da janela do meu tempo vejo os empresários e industriais preocupados em que o novo governo que aí vem lhes dê mais benesses governamentais para as puderem redistribuir com os que para eles trabalham ajudando-os a amontoar mais riqueza e felicidade, vi banqueiros que nunca por nunca levaram bancos á falência, e que de igual maneira recebem ricos e pobres  para os ajudarem a progredir nos seus negócios.

Da janela do meu tempo vejo que a igreja não tem necessidade de distribuir alimentos aos que ficaram sem emprego como acontece noutros reinos do continente europeu.

E como da janela do meu tempo constato que iluminados governantes  tornam feliz o meu povo, tomo consciência de nada mais ter para cumprir porque PORTUGAL CUMPRIU-SE  e com um poema que me é tão caro vos deixo:

Os  bons vi sempre passar
no mundo graves tormentos;
e para mais me espantar,
os maus vi sempre nadar
em mares de contentamento.
Cuidando assim alcançar
o bem tão mal ordenado,
fui mau mas fui castigado.
Assim que,  só para mim,
anda o mundo concertado.

...Pôrra, o despertador tocou, a minha Maria vai para o trabalho, (até quando)... Afinal era só um sonho lindo, sou tão só o João, 
que continua sem trabalho  mas com ganas de escrever e perguntar:
QUO VADIS PORTUGAL

quinta-feira, 2 de junho de 2011

...A ESMOLA DE UMA CANÇÃO!

Poetas, esperemos com paciência!
Que a humanidade  um dia (quase morta
à mingua de alma, a civilização)
vergada ao peso inglório da ciência,
virá  à nossa porta mendigar
a esmola de uma canção!

Carlos Queirós (poeta português 1907/1949

Esta postagem tem só a intenção de lembrar que ontem como hoje
almas de portugueses sensiveis e esclarecidos recordam-nos o peso
efémero e inglório da ciência e da civilização

terça-feira, 31 de maio de 2011

Agradecimento

Comecei este meu blog a 14 de abril deste ano com a crónica NEGRA NOITE , impulsionado pelos meus amigos Carlos e Ana Pereira;   aos quais se juntaram o Carlos e Gina Melo, a  minha esposa Maria  as minhas filhas Diana e Ariana e a  neta Raquel  também ela bloguista.
Todos eles  conheciam a minha mania de escrever nas contra-capas e nas margens  de livros que ao longo da vida fui adquirindo.

Todos eles, que fazem parte da minha vida e dos meus afetos tiveram a teimosia subtil de despertarem  em mim o que  há muito  estava adormecido.

Mas sinceramente nunca pensei que passado pouco mais de um mês tivesse sido visitado e lido por 525 pessoas, algumas das quais se têm constituido seguidores de SONHARAFETOS.
Surpreende-me ainda  mais que muitos desses leitores sejam dos Estados Unidos, Brasil, Alemanha e Reino Unido.

A todos, os que me incentivaram,  os que me  lêem, e os que me seguem  e que são um novo incentivo à  minha criatividade  aqui deixo  expresso o meu agradecimento, uma flôr, um  abraço e  muito afeto

João Quitério


PORQUE GRITAM... os politicos

Não sou muito dado às coisas da politica; e como dizem os jovens  não é essa a minha onda, não é essa a minha praia,  mas fugiria á verdade se não dissesse que na juventude também eu
tive a minha epifania politica lá na terra.

Essa passagem foi curta mas recordo-me perfeitamente de ter aprendido rápido a importância de não gritar, antes comunicar, com quem tem a delicadeza de nos ouvir, e então,  falando baixo mas perceptível, tinha  três vantagens:
primeiro -  quem me ouvia acreditava  na sinceridade do que lhes dizia;
segundo  -  nunca parecia desesperado pelo resultado final;
terceiro   -  mostrava firmeza e convicção nas ideias e ideais que defendia.

Nesta campanha  eleitoral para as legislativas de 5 de junho de 2011 por vezes dou uma espreitadela
aos resumos da campanha e indigna-me a forma de comunicar dos nossos politicos.
Quase sem excepção eles não comunicam, antes gritam, berram, e quase  espumam de raiva  sem se
darem conta de olhar á sua volta e verificar que embora no meio de muita gente, ninguém os ouve;
porque ninguém ouve quem grita e o maior grito neste portugal de agora, é o grito mudo da legião de desempregados sem subsídio,  da legião dos que têm fome e a escondem,  da legião dos que precisam medicamentos e não os podem comprar, da legião dos que têm uma reforma de miséria, da legião
dos licenciados sem emprego, da legião  de jovens trintões  que se vêm forçados  a viver em casa dos pais, derrotados e sem futuro.   Todos gritam, por agora, em silêncio (até quando?)  e os politicos não os ouvem...

E porque não os ouvem?

Porque se repararmos nos curriculos dos nossos politicos, regra geral, todos nasceram em berços de prata ou de ouro quando não de platina...
Tivessem eles vindo das catacumbas da miséria onde por exemplo se forjou o politico brasileiro LULA DA SILVA e saberiam que é preciso dar para receber, semear para colher.

Ora se eu, pessoa simples,  sem titulo académico, sem carreirismo politico nas jotas, mas bem formado na universidade da vida na qual entrei aos onze anos, aprendi tão rápida e fácilmente as vantagens de não gritar, antes falar, interrogo-me frequentemente: PORQUE GRITAM OS  POLITICOS  PORTUGUESES.

Encerremos a nossa classe politica num conclave, fornecendo-lhes apenas pão e água para se alimentarem e ordenemos-lhes que têm 40 dias para se entenderem, para apresentarem ao país
a solução para TODOS os males que colocaram um país orgulhoso e nobre á beira da miséria e se o não conseguirem, peguemos então em homens simples, empresários, operários,  agricultores, desempregados e obscuros escribas e demos-lhes a mesma indicação pois tenho a certeza que a maioria dos portugueses acreditam que não seriam necessários quarenta dias para encontrarem uma solução e um entendimento.
Talvez assim  a democracia  e a independência  de PORTUGAL fosse salva.
Entretanto, como todos os simples, dia 5 vou arremessar o meu voto na urna como D.Quixote arremessava a sua lança  contra moinhos de vento.
Mas dia 5 de junho também é liturgicamente,  o dia da ascenção do senhor e quem sabe pode ser que ELE nos faça um MILAGRE...

quarta-feira, 25 de maio de 2011

ALMA DE PÁSSARO


Era uma dessas manhas primaverís cheia de sol e luz apenas cortada por uma leve brisa fresca.
A estrada N108 era antiga, e o que  se perdia  em conforto e velocidade, próprio das novas rotas, ganhava-se  pela oportunidade de se apreciar a paisagem; a estrada era  ladeada  por campos de verdes arbustos floridos próprios do interior de
Portugal.
Era possível disfrutar da vista encantadora dos verdilhões, tentilhões,  pintassilgos, e outra passarada a esvoaçar á passagem do automóvel.

Viajava eu, só, em direção a coimbra.

A passarada em desafio atravessava a estrada em vôos rasantes aos poucos automóveis que por ali passavam.

Contra a vidro do carro que me precedia bateu uma pequena ave que caíu inanimada no asfalto.
Parei o carro  para pegar e socorrer a ave de cores vivas e belas.
Mas o mais belo deparou-se-me de seguida...

Uma ave igual que para mim ficou claro, formava casal com a ave ferida,  em desespero,  demonstrado por um piar de aflição e batendo e bicando a companheira prostrada no asfalto,  esperava
que esta se erguesse do chão e a acompanhasse no vôo trágicamente interrompido.

Estupefacto com a demonstração de amor  daquela avezinha face à sua  companheira.
Peguei na que jazia no chão e coloquei-a na minha mão aberta.  O macho  cheio de vida cirandava á minha volta num piar desesperado; passados poucos minutos a femea ferida expirou.
Olhei para ela em pormenor, tratava-se de uma femea de verdilhão  e  estranhamente de um dos seus olhos vi sair uma lágrima em formato de pequena perola. e então acreditei  não ser possível que todos os animais vivos não possuam alma, porque se assim fosse Deus seria ou muito cruel ou muito distraído.
Desculpem-me os meus leitores por ventura mais frios, e menos dados ao apreciar da naturaza,  mas não me inibi naquele  momento  de através daquela pequena alma que nas minhas mãos se soltou, de enviar aos céus uma mensagem de afeto para alguém  especial que há tempos tinha perdido.
Coloquei a infortunada ave morta em cima de uma parede que ladeava a estrada,  e o companheiro lá continuou esvoaçando e piando aflitivamente, na esperança de que regressasse á vida...  e eu segui viagem...

E no que ali se passou  vi  tanta semelhança com o comportamento humano que  nunca mais aceitei que me dissessem que animal não tem alma e sentimento.

domingo, 22 de maio de 2011

ÁGUIA LUSITANA

Sou na cadeia da natureza uma  simples ave;  reconheço no entanto a minha importância pela imponência do meu porte, pela capacidade dos meus olhos verem coisas pequenas  a longas distâncias, pela largura e textura das minhas asas que me pertitem voar horas e horas sem descanso, pela capacidade das minhas garras  que me permitem agarrar as presas e fazer  pela vida. Afinal todos precisamos de comer... e até vós humanos precisais de matar para vos alimentardes.
Tenho tanta importância que  existe  até em Portugal um prestigiado clube de futebol que me adoptou como símbolo.
Mas a minha suprema vaidade é a minha prima americana, a mais aristocrática, a mais vaidosa da nossa familia, a  que a maior nação do mundo e  defensora da liberdade escolheu como   seu  simbolo.
Ela é tão vaidosa e com manias de jet set que roça por vezes tiques imperialistas;  mas gosto dela, somos familia e a família nunca se despreza no nosso círculo; esses  sentimentos baixos  deixamos a  alguns  humanos  que ainda não aprenderam o valor dos afetos.
Mas como em todas as famílias também eu tenho na minha memória genética histórias que nos atormentam;  mas não foi por culpa nossa, foi apenas  porque há mais de 6 decadas um senhor austro-germano de bigode ridículo  usou-nos como simbolo de bravura  dos seus exércitos que privavam de  liberdade os povos  mais fracos.  .
Ai meus amigos, como nós  gostariamos de não ter sido assim vilmente usadas. Mas outros exércitos houve que ao longo da história nos usaram sem que algum dos nossos antepassados fosse consultado.
Egipcios, Gregos, Romanos, Incas, Russos e outros mais.
Nós que fazemos jus á liberdade, sermos assim usadas não foi justo, não é justo, nem nunca será. 
Mas isto são histórias que um dia hei-de contar-vos.
Eu que sou a mais simples da linhagem, diferençada da Real que habita mais ao norte,  nasci do ato sexual de cenas tórridas de amor entre os meus pais,  num momento de descanso  entre  altos vôos num ninho pobre construido no cimo duma imponente fragada na  bela e grandiosa  serra   da  estrela situada no mais afetuoso  país do continente  europeu.
Chamam-lhe agora Portugal mas de outros tempos longínquos chega-me nos genes a informação  dos meus antepassados que dizem ter-se chamado   Lusitânia, um nome que até a mim me ficava bem.  Disseram-se que era uma terra de homens valentes, corajosos, honrados e que até deu ao mundo grandes escritores e poetas que concerteza  se ainda existissem não se calariam às atordodas da < prima  daquele senhor do bigode> que lá pelo centro da europa frequentemente fala deste lindo país  como se fossem uns miseráveis preguiçosos...
Isto não é comigo simples ÁGUIA COBREIRA  que em politica não me mêto, e que me esforço diáriamente por me alimentar aqui por estas vertentes da serra a fazer pela vidinha. Isso é lá com os humanos dados a essas coisas complicadas,  mas que me dói, dói, e fere os meus pergaminhos tão gloriosos. Afinal os meus antigos  até conheceram o VIRIATO; e outros  reis lusos.
 Bem  amigos,  eu tive um azar.  Como todas as jovens atrevi-me a voar um pouco para mais longe e lá para os lados de Portalegre fui ferid.  Foi então que  humanos caridosos que como eu também por aqui tratam das suas vidinhas que me recolheram e entregaram numa cidade chamada Gouveiae entregue á cervas,  um grupo de HOMENS E MULHERES NOVOS,  gente idealista dos novos tempos,  dessa coisa da ecologia...
Essa rapaziada tratou-me com carinho e atenção, alimentaram-me, e que trabalheira lhes dei,chegaram a não dormir e não sairem para a diversão noturna só para velarem o meu bem estar. Que vida de descanso que eu tive, nunca os vou esquecer.
Passados seis meses, lá no tempo deles, decidiram restituir-me á liberdade. Só não me pagaram o subsidio de doença,  explicando-me em surdina, porque esse tal de ministro que manda  nos dinheiros  cortou a verba.
Como foi belo o momento em que me largaram em liberdade nas encostas da serra, foi um momento tão importante para eles como para mim, estiquei as asas impulsionei-me para a frente e ainda dei uma volta de agradecimento. Os convidados eram  muitos, vieram em carros antigos luzidios,  homens e mulheres, e que mulheres... mas todos gente bonita a assistir ao momento do meu vôo rumo á liberdade e à procura do meu amado  com o qual vou construir o ninho onde brevemente criarei os meus filhos aos quais contarei um dia como nesta linda  serra existe gente tão boa, tão simples e tão afetuosa e hei-de mostrar-lhes as fotos daquele momento que também aqui neste blog vão ficar gravadas.
Bem hajam amigos, e porque eu vôo  mais alto do que vós e estou mais perto desse Senhor a que chamais Deus, se um dia o encontrar  não me esqauecerei de lhe dizer que vos proteja pelo que por mim fizeram.
Viva a liberdade de voar.

mãos firmes mas caridosas seguram-me
para me largar de seguida
o meu vôo rumo á liberdade.

O tratamento, cuidados e largada desta  águia pertenceu à CERVAS 
O tratamento e largada da ave é um facto real ao qual não assisti .
Os meus amigos Ana e carlos Pereira bloguista da vortex fotografaram.
o resto é somente ficção que me encheu a alma descrever.