Número total de visualizações de página

quinta-feira, 9 de junho de 2011

NO REINO DA UTOPIA

Da janela do meu tempo, eu, LUIS DE CAMÕES, o poeta, com a minha obra suprema debaixo do braço, OS LUSÍADAS,  escrita em pergaminho amarelecido pelo tempo e pelas viagens,  caminho pelas ruas de Lisboa,  ...caminho no meio de um povo feliz e sorridente porque vive em segurança e tranquilidade, onde não há registos de assaltos nem violência, um reino que desconhece a violência doméstica, um reino onde mal tratar crianças é impensável,  um  reino onde só as cadeias são decrépitas ruinas por falta de utilidade, um reino onde está preservada nos monumentos  bem tratados a memória te todo um povo, um reino onde a justiça é rápida e gratuita, administrada por homens justos em belos edifícios onde nem chove como no meu tempo.

Da janela do meu tempo, eu que perdi um olho em lutas esforçadas,  por terras aos infieis conquistadas, mesmo assim limitado, vejo longe e distante e ali perto miro  o rio tejo  tão querido, ligado ao oceano que todos levava e onde só alguns retornavam cheios de bens, riquezas e glória nunca por outro povo alcançados.

Da janela do meu tempo   olho os meus concidadãos, gentes do tempo novo, homens, mulheres e crianças  que  nas ruas,  passeiam;  são pessoas felizes num  reino que amanhã dia 10,  festeja o  dia  que comemora a raça de navegadores, a raça de homens e mulheres que souberam  mostrar novos mundos ao mundo pequeno  e  limitado que então conheciam.

Da janela do meu tempo vejo  creches escolas e universidades (gratuitas) onde todas as crianças e jovens são iguais e sem fome, espalhando sorrisos de contentamento; vejo professores felizes com o seu trabalho, vejo estradas por onde modernos automóveis circulam  sem terem que pagar o dizimo pela sua utilização, vejo funcionários solicitos e felizes para com os que a eles se dirigem.

Da janela do meu tempo vejo hospitais onde todos os cuidados de saúde são gratuitos,  vejo lares onde os velhos e os diminuidos  são tratados com carinho e com afetos sem que para isso os familiares novos tenham que se esforçar a pagar.

Da janela do meu tempo vejo que este reino também vai festejar amanhã o meu nome,  pelos poemas  que escrevi, pelas lutas que travei e que orgulhosamente mostram a raça de gente que os Portugueses doutros tempos soubemos ser.

Da janela do meu tempo vejo um reino económicamente forte onde nunca foi necessária a intervenção do FMI, que eu sei, os portugueses detestariam.

Da janela do meu tempo apenas vejo um povo feliz, dirigido por governantes felizes mais preocupados com o PIA (produto interno de afetos) do que com o PIB que esse está firme como uma rocha.

Da janela do meu tempo vejo empregados e empregadores derramando entre eles cordialidade e afetos; que bom está o meu país nesta hera de 2011, onde nenhum trabalhador é despedido sem  justa causa.

Da janela do meu tempo vejo os empresários e industriais preocupados em que o novo governo que aí vem lhes dê mais benesses governamentais para as puderem redistribuir com os que para eles trabalham ajudando-os a amontoar mais riqueza e felicidade, vi banqueiros que nunca por nunca levaram bancos á falência, e que de igual maneira recebem ricos e pobres  para os ajudarem a progredir nos seus negócios.

Da janela do meu tempo vejo que a igreja não tem necessidade de distribuir alimentos aos que ficaram sem emprego como acontece noutros reinos do continente europeu.

E como da janela do meu tempo constato que iluminados governantes  tornam feliz o meu povo, tomo consciência de nada mais ter para cumprir porque PORTUGAL CUMPRIU-SE  e com um poema que me é tão caro vos deixo:

Os  bons vi sempre passar
no mundo graves tormentos;
e para mais me espantar,
os maus vi sempre nadar
em mares de contentamento.
Cuidando assim alcançar
o bem tão mal ordenado,
fui mau mas fui castigado.
Assim que,  só para mim,
anda o mundo concertado.

...Pôrra, o despertador tocou, a minha Maria vai para o trabalho, (até quando)... Afinal era só um sonho lindo, sou tão só o João, 
que continua sem trabalho  mas com ganas de escrever e perguntar:
QUO VADIS PORTUGAL