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sábado, 8 de outubro de 2011

DEUS... e eu









Olá meu Deus.
Eu sei que em tempos tivemos uma relação melhor que a actual, mas não Te importes muito com isso... Foi a vida...
E desencontros entre pai e filho por vezes acontecem...

Também com o meu pai fisico tive os meus arrufos e as minhas discussões, como neste momento quero ter Contigo. 

Também ele por vezes, me tratou menos bem, mas nem por isso, acredito, deixou de me amar; e se contas tinha comigo a Ti já as prestou há muito tempo...
...E sabes, nunca Te disse, nunca me queixei,  mas hoje que decidi ter Contigo uma conversa séria, que há muito desejo, e de coração aberto, confesso-te nunca ter esquecido que mo levaste demasiado cedo, o que considero uma injustiça e uma maldade da Tua parte...
Eu era ainda tão jovem!... Doze anos!  e dele tanto precisava!..
Mas vê, além disso já me tiras-Te na vida tantas coisas e me matas-te tantos sonhos!...
E mesmo assim estou-te agradecido porque ainda me conservas
a dignidade de estar de pé, a desejar cair  como cai uma árvore...
Mas essa mágoa, já lá vai... E o ressentimento com o tempo foi passando mas olha, não foi esquecido.

Entendo portanto,ser esta uma razão mais  que suficiente  para Te interrogar.
Para  Contigo conversar sobre o que vai mal no meu país e num mundo cada vez mais desigual, mais desumanizado e vil para com os fracos e pobres e sorridente e alegre para com os fortes e poderosos...

Eu não queria de maneira nenhuma concordar com o Luís de Camões,  que escreveu: no mundo vi passar os bons, grandes tormentos enquanto os maus vi nadar em mares de contentamento...
O quê? que Camões era um louco pessimista?
Ai não; essa não Te aceito! Essa é treta dos politicos portugueses e fazer politica, desculpa, mas fica-Te mal...

E já agora que estou aqui frágil e pequenino  como grão de areia,
em mais uma das muitas noites do meu descontentamento, debaixo
do céu estrelado que me ensinaram, criado por ti... Diz-me: 
Porque crianças, são violadas incluindo por alguns dos teus representantes na terra?
Diz-me também Deus porque pessoas desesperadas, perdido o trabalho, o pão e a dignidade se suicidam?
Esclarece-me também a que se destinam as catástrofes naturais e
porque matam mais pobres que ricos?
Responde-me também porque pais matam filhos, filhos matam pais, irmãos matam irmãos? Porque mães renegam os filhos e os abandonam acabados de nascer? Porquê o seu desespero?
Porque homens poderosos da finança sentados em luxuosas poltronas com um simples clic no pc fazem fortunas colossais, em segundos, entre duas bebidas de grande qualidade enquanto outros sucumbem à sêde e á fome e aainda outros trabalham de sol a sol
para receberemum salário de miséria?
Vá lá! diz-me?...
...Porque esses senhores colocam países e continentes à beira da falência e da banca rôta?
Porque os sacrifícios da retoma nesses países recaem sempre nos mesmos? Trabalhadores com empregos mal remunerados ou mesmo
sem trabalho?
Porque um pobre rouba e um rico desvia? Explica-me a diferença?
Porque nos tribunais dos homens, ricos e pobres não têm oportunidades iguais?
Porque no meu país pagaram para  acabar com as pescas? Pagaram para acabar com a agricultura? Pagaram para fechar fábricas?
Porque os países poderosos subjugam os países fracos?
Porque  crianças nascem com doenças mortais sem hipotese de
desfrutarem das belezas do mundo que me ensinaram criás-Te?
Porque Tu, tôdo poderoso senhor do Universo não salvas-te o teu filho quando na cruz agonizava.
Porquê?... Porquê?... Porquê?... 
E tantos porquês que não relato,  para não Te maçar; mas sabes que estão na minha mente.

Não! não posso acreditar que digas o mesmo  por mim sempre
ouvido  e já interiorisado!
O livre arbítrio de cada um em fazer o bem ou o mal?...
Não! não posso crêr!..
Afinal ensinaram-me que Tu és Deus todo poderoso e não
podes pôr ordem nesta desordem existente nesta bola de fogo
e lama que vagueia no espaço?

Respeitosamente, meu Deus, Te digo, que para uma resposta desse
tipo bastava-me perguntar a sua excelência, o Cavaco, o tal que nunca tem dúvidas e nunca se engana...
Senhor!... 
Quando tiveres um tempinho, dá-me um sonho clarificador como o que deste a ao meu parente Abraão, que  acabe com esta dúvida que há tempos me atormenta:
aí em cima somos todos realmente iguais?...

Olha meu  Deus, deixo-te com o meu abraço,  o meu afeto e as minhas dúvidas
João Quitério