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segunda-feira, 9 de maio de 2011

à filha Diana Lara

Passaram trinta anos mas para mim é como se tivesse sido ontem.

Como se o tempo tivesse parado no espaço, olhei-a  e nos seus pequenitos olhos de anjo, arregalados, vi o mundo que era ela.

Foi assim o nosso primeiro encontro. Ficamos apaixonados como se de outro  tempo  nos conhecêssemos...

Prematuramente nascida, peguei-a no colo, envolvi-a num abraço suave como o vento que vem do espaço e abraça o mundo;  sentia-me como um oceano gigantesco e agitado.

Senti nesse momento a estranha e quase insuportável curva da felicidade.

Já noite, a caminho de casa parei no ponto mais alto por onde passamos e com a mãe protestando, pelo frio que podia a criança constipar, rodeados por um arvorêdo verdejante e com o rio douro serpenteando lá ao fundo entre as montanhas e os vinhedos, iluminados pelo efeito do luar de janeiro, ergui-a bem alto e apresentei-a às estrelas, então,  pedi ás forças  do universo que na vida, ela, sempre conhecêsse a essência do amor em todas as suas vertentes, para poder viver a grandeza de o repartir pelos outros; que conhecêsse a felicidade para poder passar pela vida sorrindo; que conhecêsse a beleza do sonho para vencer o futuro, a tenacidade para nunca desistir, a gratidão sem a qual seria desprovida de sentimentos; a generosidade para poder disfrutar de uma vida mais elevada; enfim... que um dia também ela fosse capaz de subir á montanha e escutar o muito que o silêncio  pode dizer ao coração.

Como qualquer pai, prometi esforçar-me sempre para a fazer feliz e se nem sempre o consegui foi porque o mundo era grande demais para mim, mas ainda hoje  como ontem,  lhe dedico  o  canto que lhe sussurava  ao ouvido enquanto a  embalava:
Vem comigo no meu barco azul,
vou-te levar,
para navegar nos mares da babilónia...