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quinta-feira, 28 de julho de 2011

OS COELHOS, AS RAPOSAS E OS FRANGOS






O governo Português que sucessivamente tem vindo a confirmar ideias e decretos que há
poucos meses, na oposição, veementemente contestava, reuniu o conselho de concertação social...

Presentes ou representados:

OsCoelhos:     (governantes)
As raposas:     (patronato)
Os frangos:     (trabalhadores)

A consertação, à semelhança do que estamos habituados, desde que há alguns anos Cavaco a iniciou, e da qual ainda muito se orgulha, tem vindo a ser um jogo onde:
o árbitro arbitra  mal e afuniladamente;

As raposas mostram toda a sua esperteza e sagacidade que tolerante e repetidamente
os governos  lhes permitem;

Os frangos, esses, saem sempre depenados;

O diálogo ainda mal começou mas após o primeiro round as raposas, risonhas de
contentamento deram-se por entusiasmadas e felizes com o primeiro embate...

Ganharam logo ao ir a jogo, a redução de 20 para 10 dias de indemnização nos despedimentos,
contrariando a proposta,  já de si desonesta,   do governo  do Socrates...

Os frangos, reclamam e desanimadoramente protestam  e pregam no deserto mas a verdade
é que foram depenados... ainda vão acabar por ser eles a pagar o fundo de indemnização!...

Os coelhos, esses respiram fundo e dormem entre o sobrassalto e a secreta esperança
de que os galináceos não saiam às ruas como na Grécia, contestando... e bradando...

Mas, não sendo este escriba,  o senhor de La Fontaine,  nem este artigo um conto para
crianças,  a verdade, verdadinha é que depois dos pintos depenados, as raposas não deixarão
de fazer aos coelhos o que vulgarmente o seu instinto predador, voraz e insaciável sempre determina: vão também comer os coelhos reverentes e servidores.

E tudo foi programado  com (a melhor das intenções!...) salvar a pátria lusitana... onde é que eu
já ouvi isto?... Ah! já me lembro... era ainda garoto... lá vamos cantando e rindo...

E os frangos?...

Esses, os que se acomodarem e entrarem na coelheira cantam o hino de (. . . . . . . )

Lá vamos cantando e rindo
Levados, levados, sim,
Pela voz do som tremendo,
Das tubas, clamor sem fim.

Lá vamos, que o sonho é lindo,
Torres e torres erguendo,
Clarões, clareiras abrindo,
Alva de luz imortal,
Que rôxas névoas despedaçam,
Doiram os céus  de Portugal...


Claro que em alternativa,  em surdida e muito baixinho, os contestatários,  podem sempre consolar  a alma com a canção do Zeca Afonso: eles comem tudo, eles comem tudo eles
comem tudo e não deixam nada...

Entretanto  nesta terra lusitana, os jornais noticíam:

Que há listas de espera para adquirir Ferraris,  Porsches e outros carros de  gama alta!...

Que as classes  média e baixa estão a entregar as casas aos banqueiros  porque perderam os empregos...  e não as podem pagar...

Que o grande capital não paga  impostos!...

Que ao banco alimentar está a chegar todos os dias  a classe média envergonhada, com fome;

Que o governo aumentou de sete para onze os administradores da caixa geral de depósitos!...

Que o BPN onde o estado meteu milhões, vai ser vendido por tostões!...

Que os reformados não têm dinheiro para rendas e medicamentos...

Que algumas crianças precisam de, em férias, continuar a ir à escola para terem uma refeição!...

Que do subsidio de Natal boa parte vai para o estado!...

Mas como dizem os espanhóis.... « aqui??? aqui não se passa nada» ...

E as raposas... as raposas... senhores, nos seus fatinhos feitos á medida, entretanto sorriem em orgasmos de contentamento e dizem: era preciso mais mas para já não está mal. 

Entretanto esperemos que o amanhã seja melhor... Mas pôrra!....nós queremos ser felizes hoje,
e não ter que passar a vida a cantar:
A formiga no carreiro,
Andava á roda da vida....


Com o meu abraço e o meu afeto,
declaradamente não partidário

João Quitério




















terça-feira, 26 de julho de 2011

OSLO, o horror!... o ódio!... e o diabo





flores em homenagem aos inocentes vitimas do ódio



Como sempre faço, da minha janela (virtual) espreito o mundo
e os jardins, e horror dos horrores!!!...  nestes dias o jardim Noruega cheio de destruição e sangue patente no ódio esquizofrénico de um loirinho ridiculo com a cabeça cheia de ideias feitas sobre o orgulho de raça saloia.
Que são reminiscências do sr. adolfo do bigode ridiculo, que espalhou o mesmo tipo de ódio racial na europa nos idos anos de trinta e quarenta... Dizem alguns!

Eu digo, parafraseando John Lennon: (vivemos num mundo que se esconde para fazer amor! E pratica a violência á luz do dia...)

Oslo, capital do Nobel e consequentemente da paz, capital de uma nação tolerante, sentiu na pele a loucura e demência daquele jovem do qual  o nome jamais  citarei no meu blog...
(A ele me referirei sempre e apenas como o diabo de oslo.
E neste momento e  aqui, não deixo  de me recordar  de um pensamento de Guerra Junqueiro, (se a arma que mata defende a liberdade e a vida, os santos choram mas não acusam...) e o diabo de oslo, esquecendo a minha convicção arreigada de NÃO MATARÁS, apenas deveria ter como merecimento o castigo de ser morto com a arma que essa sim defenderia a liberdade e a vida... ( e os santos por ele não chorariam).

Vivemos num mundo que é de todos e não é pertença de ninguém!...
Um mundo que nos é confiado, através de um mandato da lei divina, universal e imutável, no momento do nascimento e nos
é retirado, apenas, no momento da morte e por mais comentários filosóficos e politicos em que alguns comentadores
se embrenhem o acto do diabo de Oslo é  inqualificável...
E merece punição que vá para além das próprias leis do estado
de direito da Noruega.

Compete a cada um de nós estar atentos e vigilantes para que
a monstruosidade de Oslo não se repita em nenhum outro lugar.
Com  a minha tristeza...
O meu abraço e o meu afeto.


João Quiterio



segunda-feira, 25 de julho de 2011

OS MEUS AVÓS E EU


26 de julho de 2011 (dia dos avós)




Nasci na casa dos meus avós maternos, em Vila Flor, a mais bela das vilas de trás-os-montes,  com a ajuda de uma parteira, era assim naquele tempo...
Fui crescendo sob a  vigilância disciplinadora dos meus pais temperada pela vigilância serena e protetora desses extraordinários avós.

Se à sorte da vida muito pouca coisa devo; sinto-me  recompensado, gratificado e feliz por ter podido crescer
junto dos melhores avós que qualquer criança poderia desejar.

Eram almas simples que despontavam a cada gesto a cada carícia noite após noite quando carinhosamente me
obrigavam a com eles tomar o chá, aquecido nas brasas da lareira, tudo como se de um ritual se tratasse. Depois era o momento do deitar precedido das rezas das quais a 
minha avó não prescindia nem transigia. 
Da missa  de domingo e outras celebrações litúrgicas nunca era dispensado.

Minha avó, costureira de profissão, sempre tinha que costurar até tarde da noite à luz do candeeiro de petróleo.

Meu avô era carpinteiro, nos baixos da casa tinha a sua
oficina e esse dizia a minha avó era o sitio dos homens;
a cozinha era o mundo  das mulheres onde jamais me
permitiu sequer ajudar a descascar batatas, o que fez de
mim um  inutil, em termos culinários.

Ao invés, com o meu avô  fui aprendendo a usar o serrote, 
o martelo, a inchó, a plaina  e mais importante ensinou-me a ver e apreciar as madeiras,  a acaricia-las como se fossem os versos  que pela noite me cantava acompanhando-se
á guitarra.
Com ele também aprendi a dedilhar a viola, mas cêdo vi
que aí não tinha futuro, quando comparado com o seu virtuosismo. Eu desculpava-me com o facto de ele saber
lêr musica e por carolice tocar na banda da terra.

Nunca na minha vida vi ou ouvi uma discussão entre aqueles dois velhos, o que era anormal ao tempo, anos sessenta...

Meu avô tinha sido um homem muito viajado, no período
da primeira guerra mundial serviu no exército em
Moçambique e no pós guerra chegou a clandestinamente ter emigrado para França, por pouco tempo, pois era homem que não se dava a viver longe da família.
Por vezes contava-me das suas viagens e experiências, mas
da guerra,  jamais aceitou falar ou explicar porque foi condecorado.
Pelo meio das conversas vinham sempre os seus conselhos cheios  de filosofia que jamais esqueci: que para em paz viver três coisas tinha de saber e respeitar: ser paciente
com as autoridades, com os amigos e com as mulheres.

A última vez que nos vimos, entre um beijo e um abraço,
que ele dizia ser o último nesta vida, (eu rapaz com menos
de quinze anos, orfão de pai,  partia para Angola),  vieram
os conselhos mais importantes que alguém me podia dar: respeita sempre tôdo o ser humano, não avalies as pessoas de animo leve, elas  são como o vinho, não é no primeiro copo
que se conhece, e nunca te esqueças que só tens dois grandes amigos para toda a vida...

No idealismo e pureza dos meus quase 15 anos respondi:
és tu e a avó.
Ele respondeu-me não.
Nós pouco tempo temos e tu estarás muito longe...
Os dois amigos com que poderás sempre contar são os teus braços...

Com um cálice de geropiga caseira fez questão de brindar ao meu futuro, o dele seria realmente muito curto. 
Poucos anos depois chegou telegrama  de minha mãe que  dizia: teu avô morreu.
Mas não foi só o meu avô que morreu, com ele morreu o que
para mim foi o Homem mais calmo,  tranquilo e simples
que na vida conheci.
Com ele aprendi  os afetos e o perdão e que chorar pode não
fazer um homem duro mas fá-lo seguramente mais humano.

Com os seus conselhos também aprendi que realmente
os meus grandes amigos têm sido os meus braços, mas
sempre têm ficado na vida uns poucos amigos verdadeiros, que ele me ensinou a respeitar e estimar mesmo na diferença
de opiniões.

Agora, avô que sou, de três netos maravilhosos, mas por
vezes difíceis, acalento a secreta esperança de que quando
um dia, tão longínquo quanto Deus permitir, o meu tempo
terminar, tenham motivos para sentirem o orgulho e o
afeto que pelo meu avô sinto.
Então... esteja eu onde estiver, serei feliz.


Aos meus avós e aos meus netos
deixo o meu abraço e o meu afeto.
João Quitério



  

             

quinta-feira, 21 de julho de 2011

ANTÓNIO PINA PRÉMIO CAMÕES

Foto extraída do Jornal de notícias







Há hábitos mecânicos dos quais desconhecemos a origem, a razão ou o reflexo condicionado, que nos impulsiona a
insistentemente da mesma forma proceder...

Sempre começo a minha leitura do jornal, da revista ou
do livro pela ultima página; por hábito ou talvez porque 
no meu subconsciente exista o misterioso desejo de 
conhecer o (fim?...)
Sempre assim foi e duvido que algum dia seja de outra forma...

Assim sendo, o artigo  de opinião diáriamente assinado por Manuel António Pina na ultima página do JN é o meu  
primeiro deleite literário,  acompanhado de um cimbalino  
e um cigarro, e que contrariedade sinto, quando (raramente) por alguma razão, o artigo não está presente...

Aí! O dia já começa mal...

Eis pois que António Pina já não é ele só... faz parte do
universo de vida de cada leitor seu e sentindo-nos nós mesmos fundidos com ele, (ainda que por vezes discordemos) chegando
a tornar-se familiar a maneira de o ler e estudar.  

A sua opinião,  pela acutilância e força das suas palavras escritas com o coração,  adornadas pela finura dos sentidos e cheias daquele toque de simplicidade,  naturalidade e generosidade  de que apenas alguns eleitos são investidos, tornam-se como um ato indispensável ao dia dia de alguns.

Não se pense que conheço António Pina, de forma alguma, o meu conhecimento advém apenas dos  seus escritos e da
sua obra que há pouco foi justamente reconhecida com a atribuição do prémio Camões e ao qual ele simplesmente se referiu como: É a coisa mais inesperada que podia esperar.(M.A.P.)

Inesperada pode ter sido na sua maneira simples e natural de ver  e sentir, mas merecida, digo eu, pois a polivalência da escrita do laureado vai muito para além do que é normal...
E se Manuel António Pina sai prestigiado com o prémio Camões, mais prestigiados saem Portugal e nós portugueses
por sabermos que a literatura e a poesia  é das poucas coisas  que resistem ao déficit e estão de boa saúde na lusa terra. 
Conhecer o  pensamento e a  obra do laureado ilumina  o espirito e refresca a mente conforme se pode verificar
no poema seu, que escolhi para completar esta minha singela homenagem  ao escritor e poeta.

Arte poética


Vai pois,poema, procura
a voz literal
que desocultamente fala
sob tanta literatura.

Se a escutares, porém tapa os ouvidos,
porque pela primeira vez estás sózinho.
Regressa então, se puderes, pelo caminho
das interpretações e dos sentidos.

Mas não olhes para trás, não olhes para trás,
ou jamais te perderás;
e teu canto, insensato, será feito
só de melancolia e de despeito.

E de discórdia. E todavia
sob tanto passado insepulto
o que encontraste senão tumulto,
senão de novo ressentimento e ironia?


A Manuel António Pina e aos meus leitores e seguidores,
deixo o meu abraço e o meu afeto.
João Quitério. 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O JOÃO E EU, o rasteirinho

( rasteirinho no meu melhor: o descanso)




O João e a Maria, começaram por me  chamar  rasteirinho ; não tenho linhagem aristocrática  canina definida, sou entroncado  de patas muito curtas,mas sou valente e bom companheiro.

Tive em tempos outro nome que  quero esquecer,  como pretendo esquecer aquela noite fria de inverno, quando há seis anos, meus primeiros donos me abandonaram na rua porque a minha aparência possivelmente  não correspondeu à que de mim esperavam.
Atitude desumana,  desleal e irresponsável.
Ah!... Os humanos... com que facilidade se descartam dos seus companheiros de estimação e amigos como se de lenços de papel se tratasse...

Mas eu tive sorte! Fui-me insinuando á porta da garagem do João e comecei brincando com o vaidoso do caniche preto, que eles tinham, e que por sinal era bom rapaz, e me foi dando umas dicas de como conquistar as graças dos que  haveriam de me acolher.

Comecei por me banquetear juntamente com o Black, comendo da sua ração, mas eu dormia na rua, até que numa noite fria e chuvosa,  já muito tarde o joão me disse: vá,  entra lá seu vadio se não morres de frio, e afinal é Natal... Mas é só hoje,  amanhã faz-te á vida...

Rasteiro e silencioso instalei-me debaixo da bancada da electrónica  em um tapete de alcatifa fôfa.
Que rica noite sem frio eu passei...
E a esse dia seguiu-se outro dia, e ao outro dia seguiram-se  outros dias, e aos dias seguiram-se
semanas, meses e anos e entretanto o black morreu;  de velhice, ouvi dizer que tinha 12 anos e já estava cego.
Este foi um dia triste para os meus novos donos. Aos olhos deles vi assômar umas gotas de água a
que os humanos chamam lágrimas... E quando o black expirou uma última vez e o João lhe disse: adeus companheiro, fiquei tôdo arrepiado e triste pois também eu tinha acabado de perder um companheiro e um amigo, apesar de algumas lutas que travámos em tempos idos.

Eu entretanto, finório que sou, se já estava instalado no espaço fisico, dos que considerava meus novos donos, fácil foi insinuar-me e instalar-me devagarinho nos seus corações e se não esqueceram o black, pelo menos suavizei a sua perda e por aqui fiquei e aqui me mantenho dando mostras da minha amizade e lealdade.
Toda a gente deixo entrar... mas se eles não estiverem, os estranhos, não deixo sair...
Tornei-me lentamente importante, de forma  que sou sempre apresentado aos familiares e amigos como um companheiro desta boa gente.

Temos dias, em que o João e eu estamos sós a maior parte do tempo, e ao fim da tarde quando a Maria chega é para mim uma festa em volta do carro e só páro de ladrar quando se baixa para me fazer um
carinho que eu retribuo.

Com o João  aprendi a escutar  e a deliciar-me, com a música que seleciona e passei a compreender  os grandes silêncios em que mergulha pensando no que há-de escrever,  nas injustiças da humanidade e da vida, nos problemas que lhe surgem, nas contrariedades.
Ah! mas também tem partilhado comigo algumas alegrias.
Fui eu o primeiro de todos a saber que através dessa coisa do blog iria transmitir  aos que o amam, estimam e apreciam, as suas ideias, o seu pensamento e o conhecimento da vida.

Desde aquele Natal, sempre estive e estou com ele.
Fui também um dos primeiros seus amigos  a conhecer a sua revolta quando há alguns meses, em pleno sabado á tarde foi despedido por telefone do emprego que mantinha há mais de dez anos.
Juntos temos vivido lutas e canseiras, ilusões e desilusões, numa amálgama de sentimentos que fazem os humanos infelizes...

Mas como na vida  nem tudo é mau, para mim tem a vantagem de agora o ter diáriamente comigo. Assim temos mais tempo para nos comunicarmos, e sempre o acompanho ao café logo cêdo para tomar o seu cimbalino; eu, espero-o á porta e regresso com ele à oficina e por ali me mantenho.
Por vezes dou uma ruada, na urbanização à procura de garinas...
O meu amigo João  nunca me prendeu, porque o que mais odeia são grilhetas, acha que todos devem ser livres e livres viver; e estar enquanto querem e partirem quando o desejarem.

Nestes tempos que por aqui estou também  já lhe conheci momentos de alegria.  Quando as filhas e netos o visitam; aí, fica possuído duma alegria calma e radiante,  que transmite num pequeno sorriso, que só eu e poucos mais   conhecemos.
Alegria e satisfação, também percorre o seu semblante quando os amigos vêm de visita, sobretudo aqueles que em tempos melhores vinham e em tempos piores  voltam,  e a quem, por vezes, brinda com uma ou outra peça do artesanato por si criado a partir de materias reciclados. Aneis, brincos e porta-chaves que eu vejo; encantam quem os recebe e quem os dá.

Com ele aprendi que a palavra amigo tem um significado de inauguração, diria mesmo de festa  muito profunda; e perdoem-me os seus humanos amigos, tenho consciência, que de todos, eu sou o primeiro
e o mais leal, mas isso é a  vantagem da condição inata dos da minha espécie... e isso não se discute.

E assim, entre a electrónica, o artesanato e a escrita, vou olhando e apreciando este homem que teima
em ser meu compaheiro e não meu dono.
Com ele vou partilhando as alegrias, as dúvidas e incertezas; mas sobretudo a esperança e a fé, que o levam a frequentemente  a olhar o céu e a murmurar:  mesmo se caído, continuarei a olhar as estrelas...
E isso  amigos,  ninguém lhe poderá tirar... Ninguém lhe poderá negar.

Com uma patada amiga e o meu afeto,

(Rasteirinho)



(este artigo  é dedicado a todos os que  nunca abandonam os animais)

sábado, 16 de julho de 2011

FLORBELA ESPANCA

Fanatismo


Minhálma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo,meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!


Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto,toda a graça
Duma boca divina fala em mim!


E, olhos postos em ti, digo de rastos:
Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Principio e fim!...

Florbela Espanca: poetisa Portuguesa (n.2/12/1894 - f.2/12/1930



Como ela, também eu por vezes, busco na melancolia, nas mágoas e desilusões a inspiração...
Sendo uma das flores do meu jardim virtual, aqui deixo a minha homenagem a uma mulher
que nasceu fadada para o inesperado e dramático da vida.

Se penetrássemos o sentido da vida, seríamos menos miseráveis.(F.E.)
(subscrevo no tôdo esta sua frase)


(à minha filha Ariana grande admiradora da poetisa)

João Quitério

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A FOTOGRAFIA E EU

Foto do meu amigo Carlos Pereira
(amador que sabe captar o momento)

Quando NIEPCE em 1826 inventou a máquina que captava imagens e que aperfeiçoada mais tarde por DAGUERE se tornou num instrumento inicialmente restrito para uso de poucos, deu-se inicio a uma nova  profissão: o fotografo; e por muito optimista que o inventor fosse, jamais terá pensado as proporções que tomaria o seu invento e que nos tornou a quase todos os humanos escravos das imagens e das máquinas que as podem captar.

Sobressalto na época  para os pintores  retratistas que viviam da arte de fixar na tela para a posteridade a imagem dos que bafejados pela fortuna podiam a estes  recorrer e pagar.
Tremeram mas sobreviveram, afinal a pintura foi, é, e será sempre a imagem de excelência para os apreciadores.

Com o tempo e os progressos técnicos a fotografia tornou-se tão banal que é possível encontrar
amantes da arte de fotografar em todas as idades e em tôdo o planeta.

Vão longe os tempos em que alguns povos pensavam que sugeitarem-se à captação da sua imagem lhes roubava a alma diminuindo-lhes as suas capacidades, acontecendo que em alguns povos a não autorização de fotografar era uma questão dogmática;
mas com a evolução da humanidade também a fotografia evoluiu para parametros em que não possuir uma máquina fotográfica é um sacrilégio tão grande como não ter telemóvel, que, (pasme-se), diria o inventor, também o telemóvel nos dá a oportunidade de fazer fotos  de qualidade razoável.

O meu primeiro contacto com a fotografia, contaram-me os meus pais, foi um sacrificio de estar, aos seis anos, parado, sem mexer, sem pestanejar, ao sol,  enquanto o fotografo captava a minha imagem para aquela caixa de madeira, feia e velha;
ainda hoje me parece que demorou uma eternidade o sacrifício.

No entanto aquela  máquina fascinava-me e cheguei mesmo nas brincadeiras a usar uma caixa de giz em madeira transformada em máquina preenchendo assim o meu imaginário de fotografo.

Com o tempo descobri toda a minha incapacidade para fotografar, não me recordo de algum dia ter tirado uma fotografia que se pudesse dizer que ficou boa. Acabei por me conformar com essa falta de destreza  e contento-me  domésticamente a usar a minha Nikon coolpix tipo maço de cigarros que não requere grandes conhecimentos técnicos.

Mas aprecio fotografia, não em termos técnicos, isso deixo para os especialistas, mas se
vejo uma imagem de que gosto, não justifico nem critico pormenores; gosto porque gosto e isso basta-me para regalar os sentidos e quantas vezes para encher a alma.

Na net encontram-se autenticos tratados técnicos e até filosóficos sobre a fotografia; não os segui
nem me socorri deles para escrever este artigo e sempre discordei do anúncio publicitário uma fotografia diz mais que mil palavras; embora o anúncio fosse eficaz,  sempre achei que quem o inventou sabia muito da fotografia mas também  teve que se socorrer da palavra para a descrição publicitária...
Sem a descrição o anúncio, era o nada.

A fotografia capta realmente o momento, veja-se a celebre foto de Che Guevara, captada num momento de feliz inspiração  de Alberto Korda,  mas tiremos-lhe a palavra, a descrição, a análise, e o que resta?...  Apenas uma imagem, que será imperecível mas que originou milhões de análises escritas, de palavras que contaram e relataram uma época, um tempo.

Assim, tenho,  que para mim, e desculpem-me os puristas, a imagem necessita da palavra para a complementar, sem ela  pouco resta.

Essa imagem de CHE  deixou na minha geração a marca indelével de um tempo de rebeldia,
de uma revolução, de um homem; aprecie-se ou não os  feitos e a saga de CHE essa foto nunca deixará de ser um contributo, uma homenagem a NIÉPCE que inventou  a fotografia 130 anos antes.

Penso  no entanto, não estar enganado, que para uma boa fotografia além de uma boa máquina
é necessária a sensibilidade do fotógrafo; o olho humano é esencial, e isto leva-nos a um principio  filosófico  indesmentível: acima e por detrás da boa imagem, está o HOMEM.
Acima e por detrás de tudo está o HOMEM, que na sua essência possui a capacidade de captar
com os seus olhos, e descodificar com o seu cerebro a beleza do momento.

Aos meus amigos e meus leitores, interessados na fotografia, muito ou pouco, deixo como
sempre o meu abraço e o meu afeto.
Foto de cheguevara
(autor:Alberto Korda)




João Quitério
Gaia 2011

terça-feira, 12 de julho de 2011

de ALDA LARA

RUMO


É tempo,companheiro!
caminhemos...
Longe a terra chama por nós,
e ninguém resiste á voz  da terra...

Nela, o mesmo sol ardente nos queimou,
a mesma lua triste nos acariciou,
e se tu és negro e eu sou branco,
a mesma terra nos gerou!

Vamos companheiro...
É tempo!
Que o meu coração
se abra às mágoas das tuas mágoas
E ao prazer dos teus prazeres.

Irmão,
que as minhas mãos brancas se estendam
para estreitar com amor
as tuas mãos negras...
E o meu suor se junte ao teu suor,
quando rasgarmos os trilhos
de um mundo melhor!

Vamos!
que outro oceano nos inflama...
Ouves?
É a terra que nos chama...
É tempo companheiro!
caminhemos...


foto do arquivo da lusofonia
  ALDA LARA  poetisa Angolana (1930/1962)

WELWITSCHIA A FLÕR DO DESERTO e eu


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WELWITSCHIA MIRÁBILIS (foto da net de autor desconhecido)


Esta formosa planta vive unicamente no deserto do Namibe, considerado o mais antigo deserto existente no mundo; com 50.000 kms quadrados  liga Angola e Namíbia.  


A planta deve o seu nome de baptismo ao médico e explorador austríaco Frederich Welwitsch que a encontrou pela primeira vez no dia 3 de setembro de 1859.
O nome de Frederich ficou celebre por este feito e a sua história de vida ficou para sempre ligado à  planta e a Angola.


Welwichia mirabilis; vê-la, em pleno deserto do Namibe, é ficar por ela apaixonado. A visão é quase irreal.
Considero-me um pouco ligado a ela pois quando a vi uma única vez, um turbilhão de emoções assolou a minha mente, porque ela é como que uma oração ao  poder divino que tudo cria e tudo faz perecer e que permite que tão bela planta, cujas folhas chegam a atingir dois metros de comprimento, permite que  se desenvolva e crie num ambiente tão inóspito de areia escaldante.


Olhando ao redor apenas se vê dunas de areia e mais areia avermelhada e dourada.
A welwitschia alimenta-se da orvalhada da noite o que lhe permite armazenar o dióxido de carbono esencial para a fotosíntese, mas de dia os seus poros mantém-se fechados para impedir a transpiração.


O meu contacto com ela foi na minha juventude, 1969 numa visita á bela e tranquila cidade de Moçamedes em Angola, a terra que, se ama ou se odeia; eu amei-a e tentar esquecê-la tem sido uma das mais duras batalhas da minha vida.


Porque há dias o meu sono foi invadido pela visão da welwitscha mirábilis aqui  deixo a minha homenagem á formosa planta e aos amigos que até ela me levaram.

A todos o meu afeto e um kandando (abraço)
João Quitério













segunda-feira, 4 de julho de 2011

A GAIVOTA E O ABSOLUTO



imagem tirada da net de autor desconhecido
Este artigo é dedicado às sete mulheres da minha vida:
Brizida Monteiro, a avó que me ensinou a amar o divino;
Laurinda, a mãe, que me amou como ninguém;
Maria de Lurdes a primeira esposa e companheira que já habita o absoluto
Teresa Ariana, a primeira filha;
Diana Lara, a segunda filha;
Liliana Raquel, a neta que também escreve e será o futuro
Maria do Rosário, a actual esposa, paciente e leal companheira.
TODAS ELAS ME ENSINARAM A VOAR...






Os livros são como amigos, daqueles incomparáveis que sempre ali estão quando deles precisamos.
Mas claro que como os amigos,  também cada livro tem a sua própria personalidade, as suas caracteristicas, que os tornam todos desejáveis, exatamente pela diferença marcante de cada um.

Frequentemente releio esse livro amigo, Fernão capelo gaivota, essa obra notável de Richard Back  que cruza no seu enredo, vontade, sonho, amor, perdão e desejo  de infinito, numa simbiose cósmica que se lido com o coração nos eleva a alma e enternece a mente de forma a tornarmo-nos melhores, ainda que por momentos, levando-nos a submergir no nosso interior e desfrutar do que de melhor possuímos na nossa memória genética e  se encontra adormecido.

Fernão capelo  gaivota contém em si mesmo o que de melhor o homem tem escondido dentro dessa memória universal que apenas uns poucos conhecem;
a capacidade de um amor tal que tudo perdoa e tudo o que é superficial ignora; 
capêlo perdôa mesmo o ter sido considerado rebelde,  proscrito, e mal amado pela sociedade das gaivotas que não compreendiam o seu desejo de aprender a executar o maior  e mais belo vôo que lhe iria trazer a satisfação de se sentir em comunhão com o tôdo universal e absoluto.

A ideia de vida e existência de Fernão não era igual e singular aos da sua espécie, de suas irmãs e amigas que se preocupavam apenas em procurar  alimentação e diversão.

Fernão desejava algo mais,  voar muito mais alto, ver mais longe, e o seu desejo e vontade eram tão grandes que nos pode servir, a nós humanos como lição de vida; nós que regra geral nos preocupamos mais com o ter do que com o ser.

Fernão capelo gaivota conseguiu pelo esforço, pela vontade,  pelo amor e pelo perdão essa comunhão  que todos deveríamos tentar encontrar com o universo cósmico  rumo ao ABSOLUTO.

Afinal esta vida fisica é mais uma de muitas passagens para que possamos aprender a amar e a perdoar.

Por mim, não sei se o conseguirei, mas á semelhança de Fernão   não desistirei de o tentar, até porque acredito, que a  ideia de paraíso já é o paraíso em si mesmo.

Aos meus familiares, aos meus amigos, aos meus leitores e seguidores, com o meu abraço e o meu afeto, desejo o mesmo que capelo conseguiu.

Vou mas  volto.
João Monteiro Quitério