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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A MARIA... e eu

mar de Leça da palmeira - foto vortex








Lembras-te Maria,  daquela tarde fresca de outono em que pegando-te na mão te disse:
Não vou fingir mais, nem ocultar a fome que sinto de ti, 
que me arde no peito e o meu olhar denuncía?... 
Anda, vem comigo!
Caminhemos juntos na procura do tempo...
Tu respondeste  decidida e firmemente:
vamos! e  sem olhares para trás puseste a tua mão na minha e não me seguiste; antes me acompanhaste, lado a lado como naus que partem  rumo à descoberta...

Eramos livros já lidos, com páginas viradas e amarrotadas mas tinhamos o saber de quem já conhecia as dificuldades que surgiriam na  caminhada...

Contei-te das minhas vitórias e derrotas dizendo-te, somos de barro,
mas embora de barro partido, ajudemo-nos... juntemos os sentimentos  enquanto é tempo... 
E  o tempo não é eterno...
Eterno apenas poderá ser o amor que consigamos encontrar no
tempo que se abre à nossa frente...

E foi...

Então  foi esse o primeiro dia do resto das  nossas vidas, e nas nossas vidas tens sido a Dulcineia que pacientemente acompanha este D. Quixote sem armadura, sem montada e sem espada,
dividido entre a realidade e o sonho, num combate entre os afetos e infortúnios que os nossos olhos vêem... e o mundo assolam. 

Era um fim de tarde e o sol escondia-se lá longe no mar calmo
e tranquilo de Leça irradiando uma luz avermelhada que nos encantou e que tomaste  como bom presságio; e ali, tendo apenas a natureza como testemunha com um terno beijo selamos o nosso compromisso.
Ficar juntos enquanto houver amor!...
Enquanto não houver dôr!...  
Não mais!...
Não menos!... 
Vivermos na expectativa de conseguirmos plantar um jardim e com ele adornar as nossas almas sem esperar e sem saber se a vida nos ía oferecer flores...

Fomos plantando o nosso jardim, e como (peixes) que somos, pacientemente navegámos em mares de calmaria e por vezes cavalgámos ondas revoltas mas sempre mantivemos o rumo com o olhar fixo  no longe e na miragem, no sonho,  no amor e no afeto que nos impulsionou...  e nos mantém juntos.

Mais tarde, juntos e sós, naquele hospital vivemos aquela negra noite  em que perdemos o nosso projecto de bébé, a flôr nossa, que faltou no  jardim onde já existiam o teu cravo e as minhas duas rosas.  
Lembro-me da tua tristeza, mas aprendemos,  não haver na vida saudade maior e mais dolorosa do que a saudade do que era para ser e não foi... como disse Pessoa.

Maria, parece que tudo começou  ontem... mas  não, faz  dezasseis anos!...
Dezasseis anos que passaram rápidos como estrela cadente sintilante que rasga o céu  por sobre o mar iluminando o espaço e ignorando
o tempo.  
...E agora voltamos ao mesmo local e como se o tempo tivesse parado te digo novamente: anda, vem comigo...é que ainda não morreu em mim  a fome que sinto de ti e que me arde no peito...
Anda, vem comigo...

...E eu seguro de que vens estendo-te a mão e seguiremos novamente como ano após ano o fazemos.
Enquanto houver amor!...
Enquanto não houver dor!...
Não mais, não menos...
É que ambos somos almas apreciadoras do tudo ou nada...
E meios termos não se nos aplicam...
Anda, vem comigo!...

Com o meu amor e o meu afeto.
João Quitério
Outubro de 2011

sábado, 22 de outubro de 2011

CRIANÇA DUPLAMENTE ATROPELADA

A notícia é brutal e corre o mundo!... Eu, tomei conhecimento
dela através da SIC notícias!... e confesso que até conseguiu que
me esqueça da triste realidade da politica e das finanças deste
país.

Uma menina de dois anos, num mercado da china, é insólitamente
esmagada por uma viatura... O condutor para momentaneamente, hesita mas segue tranquilamente a viagem!...
Durante minutos de agonia para a criança, passam dezoito, dezoito
(pessoas), seriam pessoas?... Eram pessoas sim. A pé, de bicicleta,
de automóvel, até que uma segunda viatura, passa ela também por
cima da criança como se de trapos velhos se tratasse.
Só a décima nona pessoa, uma mulher da limpeza camarária, à
criança se dirigiu e pediu socorro para ela...

Foi na China, onde a cotação das meninas é muito mais baixa do que uma tigela de arroz; mas poderia sêr em qualquer outra parte
do mundo...
Procuro  deseesperadamente palavras e não as encontro para definir a humanidade que á míngua de alma, de amor, de afeto
e de solidariedade se permite deixar-se viver perante tamanha
vergonha, tamanha desonra dos mais elementares principios de
falta de amor ao próximo... 
Quando olhamos de lado uma terna criança que sofre e não a
socorremos devemos interrogar a nossa consciência e mesmo
questionar Deus do porquê de atitudes tão aviltantes de que somos
capazes.
E como se passou na China, Confúcio diria: até que o sol brilhe
acendamos uma vela para não tatearmos na escuridão...

Eu, ocidental, Cristão e ainda crente em Deus; já não o interrogo, já não o questiono, já nem acendo uma vela que me tire da escuridão;  peço-lhe apenas que se ainda mereço o seu favôr,me tire deste filme que dói demais e já nem me permite verter lágrimas.

A todas as crianças que sofrem deixo o meu abraço
e o meu afeto. Os outros já não me importam...
João Quitério

 

sábado, 8 de outubro de 2011

DEUS... e eu









Olá meu Deus.
Eu sei que em tempos tivemos uma relação melhor que a actual, mas não Te importes muito com isso... Foi a vida...
E desencontros entre pai e filho por vezes acontecem...

Também com o meu pai fisico tive os meus arrufos e as minhas discussões, como neste momento quero ter Contigo. 

Também ele por vezes, me tratou menos bem, mas nem por isso, acredito, deixou de me amar; e se contas tinha comigo a Ti já as prestou há muito tempo...
...E sabes, nunca Te disse, nunca me queixei,  mas hoje que decidi ter Contigo uma conversa séria, que há muito desejo, e de coração aberto, confesso-te nunca ter esquecido que mo levaste demasiado cedo, o que considero uma injustiça e uma maldade da Tua parte...
Eu era ainda tão jovem!... Doze anos!  e dele tanto precisava!..
Mas vê, além disso já me tiras-Te na vida tantas coisas e me matas-te tantos sonhos!...
E mesmo assim estou-te agradecido porque ainda me conservas
a dignidade de estar de pé, a desejar cair  como cai uma árvore...
Mas essa mágoa, já lá vai... E o ressentimento com o tempo foi passando mas olha, não foi esquecido.

Entendo portanto,ser esta uma razão mais  que suficiente  para Te interrogar.
Para  Contigo conversar sobre o que vai mal no meu país e num mundo cada vez mais desigual, mais desumanizado e vil para com os fracos e pobres e sorridente e alegre para com os fortes e poderosos...

Eu não queria de maneira nenhuma concordar com o Luís de Camões,  que escreveu: no mundo vi passar os bons, grandes tormentos enquanto os maus vi nadar em mares de contentamento...
O quê? que Camões era um louco pessimista?
Ai não; essa não Te aceito! Essa é treta dos politicos portugueses e fazer politica, desculpa, mas fica-Te mal...

E já agora que estou aqui frágil e pequenino  como grão de areia,
em mais uma das muitas noites do meu descontentamento, debaixo
do céu estrelado que me ensinaram, criado por ti... Diz-me: 
Porque crianças, são violadas incluindo por alguns dos teus representantes na terra?
Diz-me também Deus porque pessoas desesperadas, perdido o trabalho, o pão e a dignidade se suicidam?
Esclarece-me também a que se destinam as catástrofes naturais e
porque matam mais pobres que ricos?
Responde-me também porque pais matam filhos, filhos matam pais, irmãos matam irmãos? Porque mães renegam os filhos e os abandonam acabados de nascer? Porquê o seu desespero?
Porque homens poderosos da finança sentados em luxuosas poltronas com um simples clic no pc fazem fortunas colossais, em segundos, entre duas bebidas de grande qualidade enquanto outros sucumbem à sêde e á fome e aainda outros trabalham de sol a sol
para receberemum salário de miséria?
Vá lá! diz-me?...
...Porque esses senhores colocam países e continentes à beira da falência e da banca rôta?
Porque os sacrifícios da retoma nesses países recaem sempre nos mesmos? Trabalhadores com empregos mal remunerados ou mesmo
sem trabalho?
Porque um pobre rouba e um rico desvia? Explica-me a diferença?
Porque nos tribunais dos homens, ricos e pobres não têm oportunidades iguais?
Porque no meu país pagaram para  acabar com as pescas? Pagaram para acabar com a agricultura? Pagaram para fechar fábricas?
Porque os países poderosos subjugam os países fracos?
Porque  crianças nascem com doenças mortais sem hipotese de
desfrutarem das belezas do mundo que me ensinaram criás-Te?
Porque Tu, tôdo poderoso senhor do Universo não salvas-te o teu filho quando na cruz agonizava.
Porquê?... Porquê?... Porquê?... 
E tantos porquês que não relato,  para não Te maçar; mas sabes que estão na minha mente.

Não! não posso acreditar que digas o mesmo  por mim sempre
ouvido  e já interiorisado!
O livre arbítrio de cada um em fazer o bem ou o mal?...
Não! não posso crêr!..
Afinal ensinaram-me que Tu és Deus todo poderoso e não
podes pôr ordem nesta desordem existente nesta bola de fogo
e lama que vagueia no espaço?

Respeitosamente, meu Deus, Te digo, que para uma resposta desse
tipo bastava-me perguntar a sua excelência, o Cavaco, o tal que nunca tem dúvidas e nunca se engana...
Senhor!... 
Quando tiveres um tempinho, dá-me um sonho clarificador como o que deste a ao meu parente Abraão, que  acabe com esta dúvida que há tempos me atormenta:
aí em cima somos todos realmente iguais?...

Olha meu  Deus, deixo-te com o meu abraço,  o meu afeto e as minhas dúvidas
João Quitério







quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O PRESIDENTE e eu...



No discurso de Cavaco dia 5 de outubro tomei a devida nota sobre três conselhos importantes que o presidente me deu.

Que devo poupar mais:
Como o fazer se já estou sem qualquer rendimento há 7 meses e não
sou único, (antes fosse)!...

Que devo trabalhar mais:
Como o farei, se à semelhança de muitos outros, o trabalho foge
de mim como o diabo foge da Cruz!...

Trabalhar melhor:
Como  fazer melhor se os poucos trabalhos que não aparecem, mesmo esses são reservados, (para futuro) a jovens e eu já sou madurito!...

Mas o meu problema e de muitos outros não, deve tirar o sono
a sua excelência como o não tirou aos inumeros inspectores e
responsáveis da Segurança Social do Norte a quem em março
denunciei a entidade patronal por me obrigar a trabalhar sem rêde,
(leia-se segurança social), em electrónica, durante anos a fio...
A minha exigência  levou esse senhor patronal a despedir-me por
telefone a 12 de março, sabado...

Segunda feira 14 de março, as fechaduras estavam mudadas e a
oficina vazia...
Contam-me que reabriu semanas depois com novo numero fiscal...
E o trágico é que em tribunal, eu é que terei que fazer prova testemunhal...

É verdade amigos leitores, e os governantes, e patrões lá vão cantando, almoçando e viajando em bons carros e rindo...
E se não fosse trágico, seria cómico... 

A todos o meu abraço e o meu afeto.
João Quitério







segunda-feira, 3 de outubro de 2011

SEMELHANÇAS... assustadoras

(Sei muito bem o que quero e para onde vou, mas não se me exija
que chegue ao fim em poucos meses.
No mais, que o país estude, represente, reclame, discuta, mas que OBEDEÇA, quando se chegar à altura de mandar...)

Não amigos, não se trata de um discurso de Vitor Gaspar nem
de Passos Coelho...
Esta é uma passagem do discurso  proferido por Salazar no dia 27 de abril de 1928 na tomada de posse como ministro das finanças de Portugal.
Mas se ressalvarmos terminologias verbais,  agora muito mais  elaboradas com mais técnicas e exotéricas maneiras  de comunicar, para que poucos entendam, a semelhança é assustadora...

Salazar para ser obedecido, demorou 5 anos a criar a polícia de vigilância e defesa do estado, (1933) e mais tarde a PIDE em (1945).

Coelho, corre mais rápido,  como coelho que é...
Aos cem dias de governo, anuncia-nos a criação de uma (vaquinha entre o SIS,  a PSP e GNR, que nunca se deram muito bem entre si,)  para neutralizar as arruaças daqueles
cujo desemprego, mau emprego, e fome atormentam.

E aqui recordo-me de amigos de infância,  que quando eram presos pelas polícias, depois da porrada, se davam por muito satisfeitos porque lá na esquadra sempre tinham que lhes dar comida que os pais em casa não possuíam.

Talvez venha aí uma nova forma de matar a fome á legião de
desempregados que como Cristina e Pedro não encontram
apoios em lado nenhum.
Como dói amigos a indignação e a revolta ao constatar que
passados 83 anos!!!!!, oitenta e três anos!!! voltamos ao inicio
de tempos não admissíveis de nos quererem calar a revolta e o grito que nas gargantas sufoca os sentimentos!

Como é possível, que em 83 anos os ilustres e sapientes homens
da economia não tenham criado mecanismos para a criação de
uma nova ordem económica e financeira que acabe com a miséria e a indigência que nos espreita!

Como é possível que em 83 anos os doutos licenciados  não tivessem aprendido que a saúde, os transportes públicos, as águas, a luz o saneamento e a  educação, num estado de direito não se destinam a dar lucro mas sim e tão só a servir as populações.

Vamos amigos procurar nos campos ervas para nos curarmos. Comprar um burrito para as deslocações ao centro de emprego  na procura do trabalho que não existe.
Com o cantaro vamos às fontes buscar água.
Acender candeias de azeite e petroleo...
 Usar os campos para defecar.
Mandar os filhos para a escola e universidade da rua e da vida.

A pôrra toda é se depois os doutos iluminados também privatizam as soluções que preconizo a favor dos seus amigos do grande capital.
Por agora apliquemos a receita mas em segredo...

E não digo nem mais uma palavra! 
O coração pode explodir de indignação!
O cerebro derramar!...

NÃO OBEDEÇAM porque mesmo na noite mais triste, em tempo de solidão, há sempre alguém que resiste, há sempre
alguém que diz não...

...e quem sabe? Também há sempre uma cadeira para cumprir uma missão.

O meu abraço e o meu afeto a todos os que partilham comigo a indignação e me têm feito chegar menssagens de apoio e afeto.
João Quitério
Bem hajam.