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quarta-feira, 13 de julho de 2011

A FOTOGRAFIA E EU

Foto do meu amigo Carlos Pereira
(amador que sabe captar o momento)

Quando NIEPCE em 1826 inventou a máquina que captava imagens e que aperfeiçoada mais tarde por DAGUERE se tornou num instrumento inicialmente restrito para uso de poucos, deu-se inicio a uma nova  profissão: o fotografo; e por muito optimista que o inventor fosse, jamais terá pensado as proporções que tomaria o seu invento e que nos tornou a quase todos os humanos escravos das imagens e das máquinas que as podem captar.

Sobressalto na época  para os pintores  retratistas que viviam da arte de fixar na tela para a posteridade a imagem dos que bafejados pela fortuna podiam a estes  recorrer e pagar.
Tremeram mas sobreviveram, afinal a pintura foi, é, e será sempre a imagem de excelência para os apreciadores.

Com o tempo e os progressos técnicos a fotografia tornou-se tão banal que é possível encontrar
amantes da arte de fotografar em todas as idades e em tôdo o planeta.

Vão longe os tempos em que alguns povos pensavam que sugeitarem-se à captação da sua imagem lhes roubava a alma diminuindo-lhes as suas capacidades, acontecendo que em alguns povos a não autorização de fotografar era uma questão dogmática;
mas com a evolução da humanidade também a fotografia evoluiu para parametros em que não possuir uma máquina fotográfica é um sacrilégio tão grande como não ter telemóvel, que, (pasme-se), diria o inventor, também o telemóvel nos dá a oportunidade de fazer fotos  de qualidade razoável.

O meu primeiro contacto com a fotografia, contaram-me os meus pais, foi um sacrificio de estar, aos seis anos, parado, sem mexer, sem pestanejar, ao sol,  enquanto o fotografo captava a minha imagem para aquela caixa de madeira, feia e velha;
ainda hoje me parece que demorou uma eternidade o sacrifício.

No entanto aquela  máquina fascinava-me e cheguei mesmo nas brincadeiras a usar uma caixa de giz em madeira transformada em máquina preenchendo assim o meu imaginário de fotografo.

Com o tempo descobri toda a minha incapacidade para fotografar, não me recordo de algum dia ter tirado uma fotografia que se pudesse dizer que ficou boa. Acabei por me conformar com essa falta de destreza  e contento-me  domésticamente a usar a minha Nikon coolpix tipo maço de cigarros que não requere grandes conhecimentos técnicos.

Mas aprecio fotografia, não em termos técnicos, isso deixo para os especialistas, mas se
vejo uma imagem de que gosto, não justifico nem critico pormenores; gosto porque gosto e isso basta-me para regalar os sentidos e quantas vezes para encher a alma.

Na net encontram-se autenticos tratados técnicos e até filosóficos sobre a fotografia; não os segui
nem me socorri deles para escrever este artigo e sempre discordei do anúncio publicitário uma fotografia diz mais que mil palavras; embora o anúncio fosse eficaz,  sempre achei que quem o inventou sabia muito da fotografia mas também  teve que se socorrer da palavra para a descrição publicitária...
Sem a descrição o anúncio, era o nada.

A fotografia capta realmente o momento, veja-se a celebre foto de Che Guevara, captada num momento de feliz inspiração  de Alberto Korda,  mas tiremos-lhe a palavra, a descrição, a análise, e o que resta?...  Apenas uma imagem, que será imperecível mas que originou milhões de análises escritas, de palavras que contaram e relataram uma época, um tempo.

Assim, tenho,  que para mim, e desculpem-me os puristas, a imagem necessita da palavra para a complementar, sem ela  pouco resta.

Essa imagem de CHE  deixou na minha geração a marca indelével de um tempo de rebeldia,
de uma revolução, de um homem; aprecie-se ou não os  feitos e a saga de CHE essa foto nunca deixará de ser um contributo, uma homenagem a NIÉPCE que inventou  a fotografia 130 anos antes.

Penso  no entanto, não estar enganado, que para uma boa fotografia além de uma boa máquina
é necessária a sensibilidade do fotógrafo; o olho humano é esencial, e isto leva-nos a um principio  filosófico  indesmentível: acima e por detrás da boa imagem, está o HOMEM.
Acima e por detrás de tudo está o HOMEM, que na sua essência possui a capacidade de captar
com os seus olhos, e descodificar com o seu cerebro a beleza do momento.

Aos meus amigos e meus leitores, interessados na fotografia, muito ou pouco, deixo como
sempre o meu abraço e o meu afeto.
Foto de cheguevara
(autor:Alberto Korda)




João Quitério
Gaia 2011