Número total de visualizações de página

sábado, 30 de abril de 2011

Do Fernando Pessoa

Tenho pensamentos que, pudesse eu trazê-los á luz e dar-lhes vida,
emprestariam nova leveza às estrelas, nova beleza ao mundo, e maior amor ao coração dos homens.

Dei hoje comigo a meditar neste extraordinário pensamento que o imcomparável Fernando Pessoa escreveu...

Queria escrever sobre este pensamento mas falta-me o engenho e a arte; então decidi: vou continuar a meditá-lo já que um outro pensamento seu define a minha incapacidadde mas enobrece a minha alma:

Há tanta suavidade em nada dizer e tudo entender... (F. Pessoa)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

OS AMIGOS

Amigos são a família que escolhemos e que não nos foi imposta por convencionalismos de nome, de sangue, de adn ou de casamento.

Escolhemo-los por razões que na maior parte das vezes a razão desconhece mas o coração determina. São porque sâo e ponto.

Amigos há cujo coração é como a trepadeira, que onde se encosta cria raízes.

Ter amigos, é ver a solidão derrotada, é ter a verdade partilhada e praticada mesmo quando essa verdade dói e não vem ao encontro dos nossos ideais.

Mas ter amigos é uma grande tarefa, é um trabalho sem fim, uma construção permanente e alegre mas que também envolve renúncias e tristezas misturadas com a alegria de ver olhares limpidos e francos e corações abertos que se sentem a pulsar num abraço entusiasmado ou num apertar de mãos.

Ter amigos é como ser lavradores a cuidar da vinha, amigos que compartilham a boa colheita como a desgraça da sua perda.

Amigos que mesmo se de lábios fechados sabemos o seu pensamento de comunhão com as nossas alegrias e também com as nossas tristezas e derrotas.

Amigos que lêem na profundeza do nosso olhar o que nos vai na alma, o que nos atormenta.

Amigos cujo conhecimento vem de outro espaço e de outro tempo, migrados de outras vidas das quais não temos lembrança e que não sabemos explicar.

Amigos de um tempo só imaginável e explicável á luz da espiritualidade de um espaço que sucessivamente é preenchido repetitivamente até á perfeição que merecemos e ambicionamos e onde finalmente seremos um tôdo de luz.

A esses amigos, que sabem que o são, sem que lho diga, dedico esta crónica com tôda a minha amizade e o meu afecto.

sábado, 23 de abril de 2011

Eu e Samarkanda

Eu vim de longe, de muito longe, dum tempo e espaço que a memória não fixa mas que a alma e o coração conhecem.

Sou feito de uma mistura de modesto barro trasmontano e beirão; barro de que sao feitos os simples.

Sou um projecto inacabado e imperfeito que correu mundo, aprendendo,buscando, analisando e pensando.

Do meu pai, beirão, ficou-me algum gosto pela boémia.

Da minha mãe,trasmontana, o vício pelo trabalho.

Enfim... sou filho de uma estranha dualidade conflituosa, quase bipolar,que por vezes tive dificuldade de gerir e compreender.

Do avô materno,carpinteiro e músico aprendi a leveza, os afetos e a bondade que jamais em outro alguém conheci.

Em áfrica, onde passei a juventude e onde formei o caracter, aprendi a compreender o tempo que corre devagar, devagarinho, num convite cheio de mistério, languidão e feitiço, mostrando-me não valer a pena correr por aquilo que já é e sempre será... e toda a corrida e fuga terminará sempre, mas sempre, num encontro em Samarkanda.

E quando esse meu encontro em Samarkanda chegar e a minha luz se extinguir, espero não ser lembrado como o barro que fui mas sim como a porcelana em que desejei transformar-me.

E então minhas filhas, meus amigos, voltarei para longe, para muito longe e todos os que me amam e estimam fiquem tranquilos, pois comigo irá o meu coração e lá, onde espero chegar, já não terei medos nem receios e onde quer que me encontre serei feliz num local onde todos nos iremos encontrar.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

AMOR DE MÃE

A escrita tem destas coisas; assemelha-se ás cerejas nunca se tira só uma porque vêm sempre mais agarradas...
Vem isto a propósito da vontade indómita que me chegou de escrever,  e  já muito tenho para poder contar...
São, amigos, as vantagens do bom e do mau.
Do bom porque tenho tempo de sobra.
Do mal porque não tenho trabalho.
E nestas andanças do pensamento, que felizmente corre livre como o vento e sobre o qual ainda não temos que pagar impostos veio-me á recordação um grande amigo de angola, o Dr. Terêncio Lopes da Silva, advogado e brilhante professor que  numa noite amena de áfrica conversando sobre o amor mais elevado da terra, o amor de mãe, nos declamou um poema escrito por seu pai o professor Cabo Verdiano José Lopes da Silva, é mais ou menos assim:
Amas-me muito, (pergunta a amante ao jovem)
Sim amo-te muito,muito,  muito, um amor tão grande como o oceano que nos rodeia.
Meu querido, parece muito mas é tão pouco, quero mais.
Amo-te tanto que se pudesse dava-te a lua e as estrelas.
A lua e as estrelas não mas podes dar mas podes dar-me uma coisa que eu quero.
O quê pergunta o rapaz entusiasmado.
Dá-me o coração da tua mãe...
anda vai a casa dela tira-lhe o coração e trás-mo.
O louco e amante rapaz parte numa corrida a casa de sua mãe...
com loucura entre facadas  no peito mole tira o coração da mãe e corre com ele nas mãos...
De repente tropeça no caminho e cai no chão desamparado...
...e eis que de dentro do coração caído no chão uma voz débil diz:
MAGOAS-TE-TE MEU FILHO...

Então, ainda jovem dei comigo a pensar como é grande o amor de mãe que tudo sabe, tudo ignora e tudo perdôa e a partir desse dia mesmo nos momentos de aborrecimento com a minha mãe sempre me vinha á memória esta narrativa e a grande capacidade de amar que todas as mães têm.
...e de repente tudo passava, tudo estava bem.

NEGRA NOITE

Era uma negra noite de um dia que o meu cerebro, em auto defesa, decidiu não fixar; corria o ano de 96, eu esperava ansioso e inquieto e lá dentro no hospital,  médicos dedicados limpavam o que restava de um aborto espontaneo que a minha mulher, amiga e companheira sofrera.
Quando ela saíu transportava consigo a revolta e desilusão de um sonho desfeito. Com palavras cheias da leveza própria de quem encerra um ciclo apenas disse, perdi o meu menino...
Eu, no meu coração sentia  a mágoa das nossas dores, olhei o céu estrelado e no meu cerebro finalmente o entendimento de um pequeno poema de
Era uma negra noite de um dia que o meu cerebro, em auto defesa, decidiu não fixar; corria o ano de 96, eu esperava ansioso e inquieto e lá dentro no hospital, médicos dedicados limpavam o que restava de um aborto espontaneo que a minha mulher, amiga e companheira sofrera.
Quando ela saíu transportava consigo a revolta e desilusão de um sonho desfeito. Com palavras cheias da leveza própria de quem encerra um ciclo apenas disse, perdi o meu menino...
Eu, no meu coração sentia a mágoa das nossas dores, olhei o céu estrelado e no meu cerebro finalmente o entendimento de um pequeno poema de Fernando Pessoa: NÃO HÁ SAUDADE MAIOR E MAIS DOLOROSA QUE A SAUDADE DO QUE NÃO FOI.
Ela arrastou a sua tristeza por largo tempo de depressão e eu passei a dar mais valor a sonhos e afetos...
...e a vida continuou, e sobre ela não deixarei de escrever quando o sentimento ditar.
 Fernando Pessoa: NÃO HÁ SAUDADE MAIOR E MAIS DOLOROSA QUE A SAUDADE DO QUE NÃO FOI.
Ela arrastou a sua tristeza por largo tempo de depressão e eu passei a dar mais valor a sonhos e afetos...
...e a vida continuou, e sobre ela não deixarei de escrever quando o sentimento ditar.