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quarta-feira, 25 de maio de 2011

ALMA DE PÁSSARO


Era uma dessas manhas primaverís cheia de sol e luz apenas cortada por uma leve brisa fresca.
A estrada N108 era antiga, e o que  se perdia  em conforto e velocidade, próprio das novas rotas, ganhava-se  pela oportunidade de se apreciar a paisagem; a estrada era  ladeada  por campos de verdes arbustos floridos próprios do interior de
Portugal.
Era possível disfrutar da vista encantadora dos verdilhões, tentilhões,  pintassilgos, e outra passarada a esvoaçar á passagem do automóvel.

Viajava eu, só, em direção a coimbra.

A passarada em desafio atravessava a estrada em vôos rasantes aos poucos automóveis que por ali passavam.

Contra a vidro do carro que me precedia bateu uma pequena ave que caíu inanimada no asfalto.
Parei o carro  para pegar e socorrer a ave de cores vivas e belas.
Mas o mais belo deparou-se-me de seguida...

Uma ave igual que para mim ficou claro, formava casal com a ave ferida,  em desespero,  demonstrado por um piar de aflição e batendo e bicando a companheira prostrada no asfalto,  esperava
que esta se erguesse do chão e a acompanhasse no vôo trágicamente interrompido.

Estupefacto com a demonstração de amor  daquela avezinha face à sua  companheira.
Peguei na que jazia no chão e coloquei-a na minha mão aberta.  O macho  cheio de vida cirandava á minha volta num piar desesperado; passados poucos minutos a femea ferida expirou.
Olhei para ela em pormenor, tratava-se de uma femea de verdilhão  e  estranhamente de um dos seus olhos vi sair uma lágrima em formato de pequena perola. e então acreditei  não ser possível que todos os animais vivos não possuam alma, porque se assim fosse Deus seria ou muito cruel ou muito distraído.
Desculpem-me os meus leitores por ventura mais frios, e menos dados ao apreciar da naturaza,  mas não me inibi naquele  momento  de através daquela pequena alma que nas minhas mãos se soltou, de enviar aos céus uma mensagem de afeto para alguém  especial que há tempos tinha perdido.
Coloquei a infortunada ave morta em cima de uma parede que ladeava a estrada,  e o companheiro lá continuou esvoaçando e piando aflitivamente, na esperança de que regressasse á vida...  e eu segui viagem...

E no que ali se passou  vi  tanta semelhança com o comportamento humano que  nunca mais aceitei que me dissessem que animal não tem alma e sentimento.