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terça-feira, 31 de maio de 2011

Agradecimento

Comecei este meu blog a 14 de abril deste ano com a crónica NEGRA NOITE , impulsionado pelos meus amigos Carlos e Ana Pereira;   aos quais se juntaram o Carlos e Gina Melo, a  minha esposa Maria  as minhas filhas Diana e Ariana e a  neta Raquel  também ela bloguista.
Todos eles  conheciam a minha mania de escrever nas contra-capas e nas margens  de livros que ao longo da vida fui adquirindo.

Todos eles, que fazem parte da minha vida e dos meus afetos tiveram a teimosia subtil de despertarem  em mim o que  há muito  estava adormecido.

Mas sinceramente nunca pensei que passado pouco mais de um mês tivesse sido visitado e lido por 525 pessoas, algumas das quais se têm constituido seguidores de SONHARAFETOS.
Surpreende-me ainda  mais que muitos desses leitores sejam dos Estados Unidos, Brasil, Alemanha e Reino Unido.

A todos, os que me incentivaram,  os que me  lêem, e os que me seguem  e que são um novo incentivo à  minha criatividade  aqui deixo  expresso o meu agradecimento, uma flôr, um  abraço e  muito afeto

João Quitério


PORQUE GRITAM... os politicos

Não sou muito dado às coisas da politica; e como dizem os jovens  não é essa a minha onda, não é essa a minha praia,  mas fugiria á verdade se não dissesse que na juventude também eu
tive a minha epifania politica lá na terra.

Essa passagem foi curta mas recordo-me perfeitamente de ter aprendido rápido a importância de não gritar, antes comunicar, com quem tem a delicadeza de nos ouvir, e então,  falando baixo mas perceptível, tinha  três vantagens:
primeiro -  quem me ouvia acreditava  na sinceridade do que lhes dizia;
segundo  -  nunca parecia desesperado pelo resultado final;
terceiro   -  mostrava firmeza e convicção nas ideias e ideais que defendia.

Nesta campanha  eleitoral para as legislativas de 5 de junho de 2011 por vezes dou uma espreitadela
aos resumos da campanha e indigna-me a forma de comunicar dos nossos politicos.
Quase sem excepção eles não comunicam, antes gritam, berram, e quase  espumam de raiva  sem se
darem conta de olhar á sua volta e verificar que embora no meio de muita gente, ninguém os ouve;
porque ninguém ouve quem grita e o maior grito neste portugal de agora, é o grito mudo da legião de desempregados sem subsídio,  da legião dos que têm fome e a escondem,  da legião dos que precisam medicamentos e não os podem comprar, da legião dos que têm uma reforma de miséria, da legião
dos licenciados sem emprego, da legião  de jovens trintões  que se vêm forçados  a viver em casa dos pais, derrotados e sem futuro.   Todos gritam, por agora, em silêncio (até quando?)  e os politicos não os ouvem...

E porque não os ouvem?

Porque se repararmos nos curriculos dos nossos politicos, regra geral, todos nasceram em berços de prata ou de ouro quando não de platina...
Tivessem eles vindo das catacumbas da miséria onde por exemplo se forjou o politico brasileiro LULA DA SILVA e saberiam que é preciso dar para receber, semear para colher.

Ora se eu, pessoa simples,  sem titulo académico, sem carreirismo politico nas jotas, mas bem formado na universidade da vida na qual entrei aos onze anos, aprendi tão rápida e fácilmente as vantagens de não gritar, antes falar, interrogo-me frequentemente: PORQUE GRITAM OS  POLITICOS  PORTUGUESES.

Encerremos a nossa classe politica num conclave, fornecendo-lhes apenas pão e água para se alimentarem e ordenemos-lhes que têm 40 dias para se entenderem, para apresentarem ao país
a solução para TODOS os males que colocaram um país orgulhoso e nobre á beira da miséria e se o não conseguirem, peguemos então em homens simples, empresários, operários,  agricultores, desempregados e obscuros escribas e demos-lhes a mesma indicação pois tenho a certeza que a maioria dos portugueses acreditam que não seriam necessários quarenta dias para encontrarem uma solução e um entendimento.
Talvez assim  a democracia  e a independência  de PORTUGAL fosse salva.
Entretanto, como todos os simples, dia 5 vou arremessar o meu voto na urna como D.Quixote arremessava a sua lança  contra moinhos de vento.
Mas dia 5 de junho também é liturgicamente,  o dia da ascenção do senhor e quem sabe pode ser que ELE nos faça um MILAGRE...

quarta-feira, 25 de maio de 2011

ALMA DE PÁSSARO


Era uma dessas manhas primaverís cheia de sol e luz apenas cortada por uma leve brisa fresca.
A estrada N108 era antiga, e o que  se perdia  em conforto e velocidade, próprio das novas rotas, ganhava-se  pela oportunidade de se apreciar a paisagem; a estrada era  ladeada  por campos de verdes arbustos floridos próprios do interior de
Portugal.
Era possível disfrutar da vista encantadora dos verdilhões, tentilhões,  pintassilgos, e outra passarada a esvoaçar á passagem do automóvel.

Viajava eu, só, em direção a coimbra.

A passarada em desafio atravessava a estrada em vôos rasantes aos poucos automóveis que por ali passavam.

Contra a vidro do carro que me precedia bateu uma pequena ave que caíu inanimada no asfalto.
Parei o carro  para pegar e socorrer a ave de cores vivas e belas.
Mas o mais belo deparou-se-me de seguida...

Uma ave igual que para mim ficou claro, formava casal com a ave ferida,  em desespero,  demonstrado por um piar de aflição e batendo e bicando a companheira prostrada no asfalto,  esperava
que esta se erguesse do chão e a acompanhasse no vôo trágicamente interrompido.

Estupefacto com a demonstração de amor  daquela avezinha face à sua  companheira.
Peguei na que jazia no chão e coloquei-a na minha mão aberta.  O macho  cheio de vida cirandava á minha volta num piar desesperado; passados poucos minutos a femea ferida expirou.
Olhei para ela em pormenor, tratava-se de uma femea de verdilhão  e  estranhamente de um dos seus olhos vi sair uma lágrima em formato de pequena perola. e então acreditei  não ser possível que todos os animais vivos não possuam alma, porque se assim fosse Deus seria ou muito cruel ou muito distraído.
Desculpem-me os meus leitores por ventura mais frios, e menos dados ao apreciar da naturaza,  mas não me inibi naquele  momento  de através daquela pequena alma que nas minhas mãos se soltou, de enviar aos céus uma mensagem de afeto para alguém  especial que há tempos tinha perdido.
Coloquei a infortunada ave morta em cima de uma parede que ladeava a estrada,  e o companheiro lá continuou esvoaçando e piando aflitivamente, na esperança de que regressasse á vida...  e eu segui viagem...

E no que ali se passou  vi  tanta semelhança com o comportamento humano que  nunca mais aceitei que me dissessem que animal não tem alma e sentimento.

domingo, 22 de maio de 2011

ÁGUIA LUSITANA

Sou na cadeia da natureza uma  simples ave;  reconheço no entanto a minha importância pela imponência do meu porte, pela capacidade dos meus olhos verem coisas pequenas  a longas distâncias, pela largura e textura das minhas asas que me pertitem voar horas e horas sem descanso, pela capacidade das minhas garras  que me permitem agarrar as presas e fazer  pela vida. Afinal todos precisamos de comer... e até vós humanos precisais de matar para vos alimentardes.
Tenho tanta importância que  existe  até em Portugal um prestigiado clube de futebol que me adoptou como símbolo.
Mas a minha suprema vaidade é a minha prima americana, a mais aristocrática, a mais vaidosa da nossa familia, a  que a maior nação do mundo e  defensora da liberdade escolheu como   seu  simbolo.
Ela é tão vaidosa e com manias de jet set que roça por vezes tiques imperialistas;  mas gosto dela, somos familia e a família nunca se despreza no nosso círculo; esses  sentimentos baixos  deixamos a  alguns  humanos  que ainda não aprenderam o valor dos afetos.
Mas como em todas as famílias também eu tenho na minha memória genética histórias que nos atormentam;  mas não foi por culpa nossa, foi apenas  porque há mais de 6 decadas um senhor austro-germano de bigode ridículo  usou-nos como simbolo de bravura  dos seus exércitos que privavam de  liberdade os povos  mais fracos.  .
Ai meus amigos, como nós  gostariamos de não ter sido assim vilmente usadas. Mas outros exércitos houve que ao longo da história nos usaram sem que algum dos nossos antepassados fosse consultado.
Egipcios, Gregos, Romanos, Incas, Russos e outros mais.
Nós que fazemos jus á liberdade, sermos assim usadas não foi justo, não é justo, nem nunca será. 
Mas isto são histórias que um dia hei-de contar-vos.
Eu que sou a mais simples da linhagem, diferençada da Real que habita mais ao norte,  nasci do ato sexual de cenas tórridas de amor entre os meus pais,  num momento de descanso  entre  altos vôos num ninho pobre construido no cimo duma imponente fragada na  bela e grandiosa  serra   da  estrela situada no mais afetuoso  país do continente  europeu.
Chamam-lhe agora Portugal mas de outros tempos longínquos chega-me nos genes a informação  dos meus antepassados que dizem ter-se chamado   Lusitânia, um nome que até a mim me ficava bem.  Disseram-se que era uma terra de homens valentes, corajosos, honrados e que até deu ao mundo grandes escritores e poetas que concerteza  se ainda existissem não se calariam às atordodas da < prima  daquele senhor do bigode> que lá pelo centro da europa frequentemente fala deste lindo país  como se fossem uns miseráveis preguiçosos...
Isto não é comigo simples ÁGUIA COBREIRA  que em politica não me mêto, e que me esforço diáriamente por me alimentar aqui por estas vertentes da serra a fazer pela vidinha. Isso é lá com os humanos dados a essas coisas complicadas,  mas que me dói, dói, e fere os meus pergaminhos tão gloriosos. Afinal os meus antigos  até conheceram o VIRIATO; e outros  reis lusos.
 Bem  amigos,  eu tive um azar.  Como todas as jovens atrevi-me a voar um pouco para mais longe e lá para os lados de Portalegre fui ferid.  Foi então que  humanos caridosos que como eu também por aqui tratam das suas vidinhas que me recolheram e entregaram numa cidade chamada Gouveiae entregue á cervas,  um grupo de HOMENS E MULHERES NOVOS,  gente idealista dos novos tempos,  dessa coisa da ecologia...
Essa rapaziada tratou-me com carinho e atenção, alimentaram-me, e que trabalheira lhes dei,chegaram a não dormir e não sairem para a diversão noturna só para velarem o meu bem estar. Que vida de descanso que eu tive, nunca os vou esquecer.
Passados seis meses, lá no tempo deles, decidiram restituir-me á liberdade. Só não me pagaram o subsidio de doença,  explicando-me em surdina, porque esse tal de ministro que manda  nos dinheiros  cortou a verba.
Como foi belo o momento em que me largaram em liberdade nas encostas da serra, foi um momento tão importante para eles como para mim, estiquei as asas impulsionei-me para a frente e ainda dei uma volta de agradecimento. Os convidados eram  muitos, vieram em carros antigos luzidios,  homens e mulheres, e que mulheres... mas todos gente bonita a assistir ao momento do meu vôo rumo á liberdade e à procura do meu amado  com o qual vou construir o ninho onde brevemente criarei os meus filhos aos quais contarei um dia como nesta linda  serra existe gente tão boa, tão simples e tão afetuosa e hei-de mostrar-lhes as fotos daquele momento que também aqui neste blog vão ficar gravadas.
Bem hajam amigos, e porque eu vôo  mais alto do que vós e estou mais perto desse Senhor a que chamais Deus, se um dia o encontrar  não me esqauecerei de lhe dizer que vos proteja pelo que por mim fizeram.
Viva a liberdade de voar.

mãos firmes mas caridosas seguram-me
para me largar de seguida
o meu vôo rumo á liberdade.

O tratamento, cuidados e largada desta  águia pertenceu à CERVAS 
O tratamento e largada da ave é um facto real ao qual não assisti .
Os meus amigos Ana e carlos Pereira bloguista da vortex fotografaram.
o resto é somente ficção que me encheu a alma descrever.


quinta-feira, 19 de maio de 2011

MUSA

Chegas de mansinho,  pela noite quando a cidade dorme e as estrelas brilham.

Aninhas-me no teu peito aristocrático, diafano, quente e cheio de promessas;

acaricias-me com  mãos suaves  como quem tudo sabe e tudo me pode inspirar.

Esforço-me para tornar claras as ideias e paro de respirar,

quero reter na mente o momento e escrever  o  turbilhão de ideias, que me invade.

Mas tu  cruel amiga, às vezes és fugidia como um sonho de  breves instantes,

outras irrompes em mim como  a água da nascente incontrolada em busca do  caminho,

esmagas-me  sentimentos e ideias;

com a tua cimitarra flamante cortas-me  o coração e esmagas o meu querer.

E eu pobre mortal, adormeço no teu seio enganador;

e ás noites  lentas sucedem  os dias que vão passando em vão

e o engenho e arte vai faltando...

...e não consigo escrever.

Liberta-me, dá-me vida, deixa-me  voar.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Afetos

Mesmo que soubesse que apenas me restaria um dia de vida,
dedicar-me-ía a semear afectos,  como agricultor que lança a semente á terra
e sabe que é preciso ela morrer para nascer de novo.

à filha Diana Lara

Passaram trinta anos mas para mim é como se tivesse sido ontem.

Como se o tempo tivesse parado no espaço, olhei-a  e nos seus pequenitos olhos de anjo, arregalados, vi o mundo que era ela.

Foi assim o nosso primeiro encontro. Ficamos apaixonados como se de outro  tempo  nos conhecêssemos...

Prematuramente nascida, peguei-a no colo, envolvi-a num abraço suave como o vento que vem do espaço e abraça o mundo;  sentia-me como um oceano gigantesco e agitado.

Senti nesse momento a estranha e quase insuportável curva da felicidade.

Já noite, a caminho de casa parei no ponto mais alto por onde passamos e com a mãe protestando, pelo frio que podia a criança constipar, rodeados por um arvorêdo verdejante e com o rio douro serpenteando lá ao fundo entre as montanhas e os vinhedos, iluminados pelo efeito do luar de janeiro, ergui-a bem alto e apresentei-a às estrelas, então,  pedi ás forças  do universo que na vida, ela, sempre conhecêsse a essência do amor em todas as suas vertentes, para poder viver a grandeza de o repartir pelos outros; que conhecêsse a felicidade para poder passar pela vida sorrindo; que conhecêsse a beleza do sonho para vencer o futuro, a tenacidade para nunca desistir, a gratidão sem a qual seria desprovida de sentimentos; a generosidade para poder disfrutar de uma vida mais elevada; enfim... que um dia também ela fosse capaz de subir á montanha e escutar o muito que o silêncio  pode dizer ao coração.

Como qualquer pai, prometi esforçar-me sempre para a fazer feliz e se nem sempre o consegui foi porque o mundo era grande demais para mim, mas ainda hoje  como ontem,  lhe dedico  o  canto que lhe sussurava  ao ouvido enquanto a  embalava:
Vem comigo no meu barco azul,
vou-te levar,
para navegar nos mares da babilónia...