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quinta-feira, 28 de julho de 2011

OS COELHOS, AS RAPOSAS E OS FRANGOS






O governo Português que sucessivamente tem vindo a confirmar ideias e decretos que há
poucos meses, na oposição, veementemente contestava, reuniu o conselho de concertação social...

Presentes ou representados:

OsCoelhos:     (governantes)
As raposas:     (patronato)
Os frangos:     (trabalhadores)

A consertação, à semelhança do que estamos habituados, desde que há alguns anos Cavaco a iniciou, e da qual ainda muito se orgulha, tem vindo a ser um jogo onde:
o árbitro arbitra  mal e afuniladamente;

As raposas mostram toda a sua esperteza e sagacidade que tolerante e repetidamente
os governos  lhes permitem;

Os frangos, esses, saem sempre depenados;

O diálogo ainda mal começou mas após o primeiro round as raposas, risonhas de
contentamento deram-se por entusiasmadas e felizes com o primeiro embate...

Ganharam logo ao ir a jogo, a redução de 20 para 10 dias de indemnização nos despedimentos,
contrariando a proposta,  já de si desonesta,   do governo  do Socrates...

Os frangos, reclamam e desanimadoramente protestam  e pregam no deserto mas a verdade
é que foram depenados... ainda vão acabar por ser eles a pagar o fundo de indemnização!...

Os coelhos, esses respiram fundo e dormem entre o sobrassalto e a secreta esperança
de que os galináceos não saiam às ruas como na Grécia, contestando... e bradando...

Mas, não sendo este escriba,  o senhor de La Fontaine,  nem este artigo um conto para
crianças,  a verdade, verdadinha é que depois dos pintos depenados, as raposas não deixarão
de fazer aos coelhos o que vulgarmente o seu instinto predador, voraz e insaciável sempre determina: vão também comer os coelhos reverentes e servidores.

E tudo foi programado  com (a melhor das intenções!...) salvar a pátria lusitana... onde é que eu
já ouvi isto?... Ah! já me lembro... era ainda garoto... lá vamos cantando e rindo...

E os frangos?...

Esses, os que se acomodarem e entrarem na coelheira cantam o hino de (. . . . . . . )

Lá vamos cantando e rindo
Levados, levados, sim,
Pela voz do som tremendo,
Das tubas, clamor sem fim.

Lá vamos, que o sonho é lindo,
Torres e torres erguendo,
Clarões, clareiras abrindo,
Alva de luz imortal,
Que rôxas névoas despedaçam,
Doiram os céus  de Portugal...


Claro que em alternativa,  em surdida e muito baixinho, os contestatários,  podem sempre consolar  a alma com a canção do Zeca Afonso: eles comem tudo, eles comem tudo eles
comem tudo e não deixam nada...

Entretanto  nesta terra lusitana, os jornais noticíam:

Que há listas de espera para adquirir Ferraris,  Porsches e outros carros de  gama alta!...

Que as classes  média e baixa estão a entregar as casas aos banqueiros  porque perderam os empregos...  e não as podem pagar...

Que o grande capital não paga  impostos!...

Que ao banco alimentar está a chegar todos os dias  a classe média envergonhada, com fome;

Que o governo aumentou de sete para onze os administradores da caixa geral de depósitos!...

Que o BPN onde o estado meteu milhões, vai ser vendido por tostões!...

Que os reformados não têm dinheiro para rendas e medicamentos...

Que algumas crianças precisam de, em férias, continuar a ir à escola para terem uma refeição!...

Que do subsidio de Natal boa parte vai para o estado!...

Mas como dizem os espanhóis.... « aqui??? aqui não se passa nada» ...

E as raposas... as raposas... senhores, nos seus fatinhos feitos á medida, entretanto sorriem em orgasmos de contentamento e dizem: era preciso mais mas para já não está mal. 

Entretanto esperemos que o amanhã seja melhor... Mas pôrra!....nós queremos ser felizes hoje,
e não ter que passar a vida a cantar:
A formiga no carreiro,
Andava á roda da vida....


Com o meu abraço e o meu afeto,
declaradamente não partidário

João Quitério