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sábado, 31 de dezembro de 2011

ASHLEY COM NOVO FIGADO



Finalmente neste ultimo dia do ano, na edição on-line do prestigiado Jornal de Notícias uma boa nova:
Ashley Celeste Jaquite, a pequenota portuguesa que se encontrava em Madrid no hospital La Paz recebeu hoje transplante de figado que pertenceu a outra menina. 
A operação que demorou sete horas e que no entender da cirurgiã Helena Rosso foi rápida e correu melhor do que o esperado não deixa de encher de alegria os portugueses habituados quase só a notícias ruins.
Esta é uma boa maneira de terminar um ano em que a violência
doméstica, e não só, sobre mulheres, crianças e idosos se tornaram tão vulgares nos meios de comunicação que, regra
geral delas tomamos conhecimento com pouca atenção e alguma ligeireza.
Nunca entendi a violência sobre mulheres, normalmente o elo
mais fraco duma união...
Mais difícil para mim é entender a violência sobre crianças, já
que entendo que crianças criadas num ambiente de violência,
ou são de estrutura mental muito forte ou terão tendência
a repetir no futuro aquilo de mau com que tiveram que conviver.
Também se me torna difícil entender a violência contra os idosos, que, à semelhança das crianças são frágeis e quantas vezes doentes.
Por muita amargura que os novos e "valentes" sintam
em relação a atos passados de seus pais ou avós nada justifica
o que de forma recorrente se lê nos jornais.

Mas de todas as formas de violência a que mais me enoja e repugna é a violência pedófila;  não consigo entender  que
prazer pode ter um adulto ao provocar dor fisica e mental
em crianças...

Mas, porque hoje é sabado e ultimo dia do ano foi com imensa alegria, decerto partilhada por todos os homens e mulheres de BEM deste Portugal, que tomamos conhecimento do êxito
do transplante hepático na pequena Ashley, não por ser Portuguesa, mas por ser CRIANÇA que concerteza irá ter no futuro uma qualidade de vida melhor que até aqui.

Por isto, e por todas as crianças, esqueçamos, ainda que por momentos, horas ou dias tudo de mau a que normalmente assistimos.
Um grande abraço de afeto à Ashley e família; à equipa médica
que tornou o milagre possível; e um afeto muito, muito especial à família que doou o figado duma criança que perderam, que concerteza foi muito amada, e da qual não é possível imaginar
a saudade e dôr que sentirão...

Esta crónica parece-me a melhor forma de encerrar um ano
em que este humilde servidor escrevente, se comprometeu com
o coração e a consciência em enaltecer os AFETOS muitas
vezes espezinhados ou simplesmente esquecidos.

Para todos os que tiveram a paciência de me lêr, desde abril deste ano, como sempre, deixo o meu abraço e o meu afeto. Amigos, Feliz 2012.

João Quitério



  


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

AS FARPAS e os politicos



É pela mais justa e pela mais completa compreensão do seu destino
social que tanto os indivíduos como os povos se disciplinam, fortalecem e se aperfeiçoam.
Em Portugal, a incapacidade governativa produziu, primeiro que
tudo, este resultado funesto; fez perder ao País a noção histórica
do seu destino...
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Reformista é uma palavra farfalhuda, mas oca, nome convencional
sem objecto em politica...
(Ramalho Ortigão há 129 anos)


Agora que se aproxima o fim de um ano em que os nossos governantes, politicos, tecnocratas, e reformistas não se cansaram de nos governar  mal, de forma vaidosa, oca e desastrosa, tendo dos cortes da gordura do estado apenas uma fixa  ideia de desmantelar os serviços sociais e de saúde, o que afeta a grande maioria dos portugueses de classe média e baixa, servilmente  poupando o grande capital e os lobies junto deles instalados, não resisto a enviar-lhes aqui do norte, estas pequenas "farpas"  do genial Ramalho Ortigão que há
120 anos tinha deles, politicos, pensamentos que perduram
e se adaptam perfeitamente ainda ao nosso tempo.

Deles tenho a ideia de gente da linha de Cascais, é assim desde tempos imemoriais; gente que da vida real não tem noção e muito menos sensibilidade para  entender quem vive com duzentos, trezentos ou seiscentos euros, gente que não foi caldeada nas agruras da vida mas sim, antes tiraram cursos
académicos, muitas das vezes subsidiados com bolsas de estudo
que deveriam justa e rigorosamente reservadas aos
mais desfavorecidos; gente que nunca construiu nada, nunca plantou uma árvore, nunca carregou nas costas a desdita de
ter nascido pobre...
Coitados, não fora a politica, o compadrio, as jotas e não passariam de meros cavalos de cortesias perdidos na imensidão
dos desempregados deste país.
Por tudo isto a "eles" não lhes desejo um bom ano de 2012...
Este meu voto fica aqui patente, sim, aos desempregados, aos que embora empregados não sabem se no novo  ano ainda terão trabalho, aos fortes que lutam pela vida mas fracos junto do poder, aos desiludidos da vida que ainda são capazes de um afeto e aos meus leitores. BOM ANO AMIGOS

Com o meu abraço e o meu afeto
João Quitério













 

sábado, 24 de dezembro de 2011

A PROFESSORA MÁRCIA e o estranho Natal

A pequena Sofia de vinte meses e  sua mãe Márcia Santos, são nesta véspera de natal  notícia  no JN com direito a duas paginas (21 e 22) pelo pior motivo que pode tocar os seres humanos, e que se vai tornando recorrente nos dias de hoje.

Márcia Santos, professora, desempregada, divorciada, desesperada, pegando sua inocente filhinha Sofia de 20 meses ao colo, atirou-se de um viaduto de 40 metros de altura em Vila pouca de aguiar.
Márcia,  a quem a curva da vida já havia tirado muito,  perdeu também a vida; a pequena Sofia apenas partiu a perninha esquerda. Foi operada encontrando-se aos cuidados estremosos de profissionais da saúde no hospital de Vila Real que lhe diagnostica sobrevivência, como se renascesse...
Mas este não é caso único; no mesmo viaduto já se suicidaram, desde que foi aberto em 2007 quatro pessoas, três das quais professores.
Este é o resumo do que foi amplamente noticiado; mas importa
sobremaneira refletirmos e interiorizarmos sobre a atitude da Márcia e de outras márcias  deste país...
Que somos um povo pouco alegre e muito deprimido, o que a canção nacional (O FADO) patenteia, é notório e essa tristeza vem na nossa memória genética e atravessa os séculos
da nossa existência como nação.
E pensar que se não fosse o Afonso Henriques, pertenceríamos a um povo, (espanol) alegre por natureza...

Que um divórcio mexe com qualquer pessoa e a deprime, é certo... 
Que o pós-parto pode provocar depressão numa jovem mãe também se compreende...
Que tenham sido estas as razões para a Márcia querer terminar com a sua vida e a da sua menina isso já não me parece determinante.
É normalmente a frustração pela falta de trabalho, de dinheiro e um acumular de dificuldades, porque muitos portugueses
passam, que leva ao divórcio e à depressão e, perdido tudo, desejam também libertar-se da vida e frequentemente libertar os que lhe são mais queridos.
Para onde caminhamos?...
Para onde caminha um povo
desiludido,
cansado,  
desempregado,
a quem todos os dias lhes são pedidos mais sacrifícios?
Certamente para a negra noite abismal, um limbo onde já não
há natal e onde ´parece que até por Deus foi esquecido.

Feliz Natal a todos e especialmente às Márcias e Sofias no natal do nosso descontentamento.

Com o meu abraço e o meu afeto
João Quitério

sábado, 17 de dezembro de 2011

NATAL... mas que natal

foto net linkatual








É este o Natal do descontentamento da maioria dos portugueses.
Mergulhadas em  dificuldades financeiras, um numero incontável de famílias que as estatisticas não revelam;
sem trabalho, sem rumo, sem norte e sem esperança; mergulhadas em dividas e compromissos por cumprir;
gente honrada habituada a viver do trabalho que agora lhes foge a olhos vistos, não sabem como será o próximo ano; mas no seu inconsciente reside a certeza que por certo será ainda pior que o ano que agora finda...
Famílias deprimidas à beira da renúncia a tudo, por vezes à
dignidade e à própria vida...
Gente boa que já viveu melhores dias recorrem à caridade
alheia e das instituições particulares para sobreviver, vegetando num limbo sem luz e sem esperança.
Pessoas, vitimas da ganância da globalização, do liberalismo, da alta finança, dos tecnocratas que nunca serviram a pátria e o seu povo, antes se serviram deles.
Gente trabalhadora que viu a união  dos povos europeus como
uma razão de existência e de vida anunciada como fraterna entre iguais nas diferenças, sente-se vilmente enganada e traída.
Olham ao seu redor e não vislumbram lideres como os de outros
tempos que no meio da tormenta lhes incuta alguma réstea
de esperança no futuro.
Um povo vergado à desgraça, que se tivesse fé ainda esperaria
um Moisés com seu bordão que batesse no lodaçal e abrisse caminho rumo a uma nova vida, deixando para trás os faraós
da finança e da ganância.
Mas não!...
Portugal e a Europa não tem lideres capazes de segurar o bordão e muito menos de com ele abrir caminho por entre
as águas fétidas.
Portugal não tem sequer um moisés na politica com capacidade
de brandir o bordão ao presidente do Bundsbank que intitulou os portugueses de bebados.
Mas como é natural, concerteza neste natal  não faltarão os votos de boas festas dos nossos governantes, aos quais deveríamos responder com um democrático manguito mostrando-lhes que somos deprimidos, macambúzios, tristes
e falidos mas não somos asnos...
E porque é Natal sejamos ao menos fraternos entre nós, os
que cavalgamos o asno da desgraça ou o sonho alado de que
a crise passe...
Com o meu abraço e o meu afeto.
BOAS FESTAS a todos.

João Quitério



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O meu amigo Carlos, o coração o stress



Amigo Carlos,
A notícia de ruim, caíu sobre mim como todas as más notícias...
O amigo Carlos Melo está no hospital S. João com um enfarte...
A notícia é brutal porque o é sempre que afeta alguém que  amamos
ou simplesmente estimamos; afinal os amigos são a familia
que escolhemos... e tu e a Gina pertencem a esse grupo de amigos sempre presentes nos bons e maus momentos.
Que todos os amigos e família te avisávamos há muito da necessidade de parar, de controlar o stress, pelo que poderia acontecer-te,  e aconteceu; não é novidade; agias como um kami kaze na tua profissão de homem de leis, sempre correndo de um lado para o outro, dormindo pouco e descansando nada.
Agora amigo tiveste que parar, e todos esperamos que seja por pouco tempo, já que, conhecedores da tua teimosia e tenacidade
sabemos que recuperarás rápido; mas vê se aprendes que hoje
é o primeiro dia do resto da tua vida; que saberás concerteza
viver mais calmamente embora com intensidade.
Tu sabes, que eu como tu, crente no divino, ando de relações um pouco frias com Deus devido às injustiças e desgraças que vejo, mas neste momento não podia  deixar de me curvar perante a
santa da tua preferência, N.Sra. auxiliadora e humildemente pedir-lhe que te ajude e que breve possamos ir visitá-la na igreja dos congregados.
Na esperança de que possa ser assim e com um abraço do coração
deixo-te com a minha amizade e o meu afeto.



terça-feira, 13 de dezembro de 2011

GUERRA JUNQUEIRO E o povo imbecilizado









Do genial Guerra Junqueiro, Transmontano de Freixo de Espada á cinta, de quem os politicos do seu tempo diziam ser poeta, e os poetas acusavam de ser politico, também pensador
de elevada grandeza, não resisto a transcrever um pensamento
sobre o  povo português e que infelizmente perdura e se adapta ao nosso tempo, aos nossos dias...  

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e camanbúzio,fatalista e sonambulo, burro de carga, besta de nora aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem rebelião nem um mostrar de dentes, sem a energia de um  coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as môscas.
Um povo em catalépsia ambulante, não se lembrando nem de onde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que num lampejo misterioso da alma nacional
o reflexo de astro em silêncio escuro em lagoa morta..."

Escreveu ainda G. J. esta pérola filosófica:
" A felicidade consiste em três pontos: trabalho, paz e saúde."

Trabalho, paz e saúde; três coisas  tão simples que os tecnocratas
europeus e os seus acólitos portugueses teimam insistentemente
em nos negar; mas é bom eles não esquecerem que junqueiro
também achava que: "Na alma da maioria dos homens grunhe, ainda, baixo e voraz o focinho do porco."

E quem sabe... um dia os "porcos" podem achar que basta!

J.Quitério

domingo, 11 de dezembro de 2011

EÇA DE QUEIROZ e a politica de interesses

Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição.
Falta igualmente a aptidão, o engenho, o bom senso e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento politico das nações.

A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse.

A politica é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos principios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e justo.
Em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os epeculadores ásperos, ali há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio.

A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se...
Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva.
À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos;  todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos,ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade.
Eça de Queiroz 1845/1900







Num Portugal depressivo, à beira da esquizofrenia total; governado por tecnocratas liberais, servidores leais do capitalismo de mercados financeiros, esta douta opinião  do Sr. Eça de Queiroz  tem mais de cem anos mas está actual. Oh se está! 
Subscrevo-a totalmente, porque depois de um século os
nossos politicos apenas nos mostram uma qualidade: a da persistência de sempre serem iguais a eles próprios em todos os
tempos...
João Quitério