Número total de visualizações de páginas

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

LULA DA SILVA






LULA DA SILVA EM LISBOA





Lula da Silva, o ex-presidente do Brasil, ou Lula da Silva o
ex-operário e sindicalista brasileiro esteve em Lisboa e no seu
geito carismático, simpático e envolvente lembrou os iluminados
Portugueses das finanças e da economia: PRIMEIRO AS PESSOAS, depois os numeros... O FMI NÃO VAI RESOLVER O PROBLEMA DE PORTUGAL como não resolveu o problema do Brasil...

Já não é a primeira vez que Lula fala para os iluminados
Portugueses mas porque será que não o ouvem?
Inveja do ex-presidente? 
Inveja do ex-operário?
Ou falta de modéstia dos iluminados catedráticos portugueses
em aprenderem com Lula como se faz...

Mas já nada me admira neste país cuja maior cobertura dos
midia a Lula, foi a visita que fez a um clube e ao seu campo
de futebol.
Aprendam rapazes...  aprendam com quem sabe.

O meu abraço e o meu afeto a Lula...

João Quitério



O GASPAR e a mirra








O nosso  Gaspar - foto do Jornal de notícias


Do  Gaspar, os da minha geração, embora já com cabelos brancos, guardamos a imagem daquele simpático Rei mago, negro, envolto no seu manto branco e reluzente que levou a mirra cheirosa como oferenda ao nascido Jesus, filho de Deus.
A ele e aos outros dois reis magos ficou associada nas nossas
mentes a entrega de presentes natalícios, a fartura e alegria...
Mas curiosamente nunca nos perguntamos em crianças de onde
veio Gaspar... mas tão pouco isso nos importava na nossa meninice
irreverente e alegre.

Dei comigo a meditar com preocupação na imagem que os nossos filhos e netos irão ter do gaspar... Não o Gaspar que montado num camelo se deslocou até Belém na palestina,  para ajoelhado por terra humildemente oferecer ao Deus menino os cheiros da mirra, mas sim  o gaspar dos nossos pesadelos que vindo, (eles também não saberão de onde,)  montado num reluzente automóvel até "Belém
de Lisboa" para tomar posse do ministério das finanças deste Portugal reverente e submisso à beira mar plantado... 

Estremeço e uma ideia me atormenta:
O Gaspar da Biblia chegou humildemente para depositar aos pés do Menino os cheiros de mirra...
nosso gaspar chegou de forma sobranceira e professoral não para
oferecer aos meninos os cheiros de mirra mas para mirrar todos
os sonhos dos meninos, e dos pais dos meninos deste tempo, envergando a altivez  dos que pensam que tudo sabem, mas que  começamos a entender que, afinal tudo ignoram...

Crianças de Portugal, este ano o gaspar veio, mas sim para vos tirar os sonhos de natal e provocar pesadelos aos vossos pais...


Com o meu abraço e o meu afeto desejo que as nossas crianças e os pais possam continuar a sonhar.

João Quitério


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

JN - QUATRO DIAS QUATRO MORTES




Da minha janela espreitei o mundo...

Como num sonho, é recorrente o que vejo e leio: homem mata
a esposa, (ou companheira), é igual...

E foi isto durante 4 dias...
Durante 4 dias o horror, de quem muitas vezes morre, porque
as autoridades não ouviram os seus apelos, (ele mata-me...)
Ou porque quando a polícia  cumpre o seu dever os apresenta aos juizes, que perante a lei  vigente apenas os podem mandar embora...

E enquanto nos vamos  angustiando com a realidade  da
violência conjugal neste país da saudade e do fado triste,
ninguém faz nada para alterar  esta lei que só é utilizável 
depois de  uma mulher perder a vida. Preventivamente nada
se fez ou faz.

São só 4 mortes em 4 dias; podiam ser mais, mas são estatisticamente, só 4 vidas em 4 dias.
E sobre o assunto:
O ministro  da tutela falou?  se falou ninguém ouviu nada.
Os deputados falaram? se falaram ninguém os ouviu.
Porque haveriam de falar???
Pôrra!!! São só 4 mulheres... não mortas mas abatidas por maridos, ou companheiros loucos e um deles até era polícia;
e a arma  que a matou era a arma que lhe confiaram para
defender vidas...

Brados aos céus...

Mas é claro, neste país NÃO SE PASSA NADA... 
...e entretanto também andamos todos entretidos a ouvir
o ministro das finanças, que esse sim, fala muito todos os dias   no seu ar superior,  professoral e com rodriguinhos, e nos mata a esperança e aviva a vontade de não termos nascido Portugueses.

Mais palavras para quê?




segunda-feira, 29 de agosto de 2011

MEU DEUS PORQUÊ? as crianças!...








Lirios para as crianças vitimas de violência



A semana passada a notícia arrepiante: pai com criança de seis
anos atira-se à linha do comboio em póvoa de Santa Iria:
(razão) do acto: a esposa e mãe da criança assassinada havia-o deixado...

Na mesma semana, via facebook chega até nós outra notícia:
mãe espanca de tal maneira o filhote que este lhe morre nas
mãos:  
(razão) do acto: a criança chegou junto dela dizendo que com
o seu baton tinha escrito uma coisa bonita no lençol da cama...

A mãe, antes de verificar o estrago, parte para a agressão louca e com espanto seu a criança morre nas suas mãos;
é então que ela depois vai vêr o estrago do lençol que a criança havia escrito, olhou-o, e verifica que apenas dizia:
MAMÃ GOSTO MUITO DE TI...


Faltam-me as palavras e a vontade de comentar estes
e outros actos de violência contra crianças sempre indefesas...
Mas direi:  o céu chora e as estrelas perdem brilho.

Permito-me só e apenas  interrogar: porquê  as crianças meu
Deus?

Talvez um dia ELE me responda...

Por agora fico-me com este pensamento de Nelson Mandela:

"QUE MUNDO É ESTE QUE PERMITE A FOME E A VIOLENCIA SOBRE CRIANÇAS"
  


A todos os que  abominam a violência sobre crianças
deixo o meu abraço e o meu afeto.
João Quitério


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

CARTA DE UM CONTRATADO




mulher de Angola  de autor não identificado





De António Jacinto,  poeta, (o branco mais negro de Angola)







Eu queria escrever-te uma carta amor...

Eu queria escrever-te uma carta amor,
uma carta que dissesse deste anseio de te ver,
deste receio de te perder,
deste mais bem querer que sinto,
deste mal indefinido que me persegue,
desta saudade a que vivo todo entregue...

Eu queria escrever-te uma carta amor,
uma carta de confidências intimas,
uma carta de lembranças de ti,
de ti, dos teus lábios vermelhos como tacula
dos teus cabelos negros como diloa,
dos teus olhos doces como maboque,
do teu andar de onça
e dos teus carinhos que maiores
não encontrei por aí...

Eu queria escrever-te uma carta amor,
que recordasse os nossos tempos na capôpa,
nossas noites perdidas no capim,
que recordasse a sombra que nos caía dos jambos,
o luar que se coava das palmeiras sem fim,
que recordasse a loucura da nossa paixão
e a amargura da nossa separação...

Eu queria escrever-te uma carta amor,
que a não lesses sem suspirar,
que a escondesses do pai Bombo,
que a sonegasses da mãe Kieza,
que a relesses sem a frieza do esquecimento,
uma carta que em todo o kilombo
outra a ela não tivesse merecimento...

Eu queria escrever-te uma carta amor,
uma carta que ta levasse o vento que passa,
uma carta que os cajús e cafeeiros,
que as hienas e palancas,
que os jacarés e bagres pudessem entender;
para que se o vento a perdesse no caminho, 
bichos e plantas compadecidos do nosso pungente sofrer;
de canto em canto, de lamento em lamento,
de farfalhar em farfalhar,
te levassem puras e quentes 
as palavras ardentes ,
as palavras magoadas da minha carta
que eu queria escrever-te amor...

Eu queria escrever-te uma carta....

Mas ah! Meu amor,
eu não sei compreender ,
porque é, porque é, porque é meu bem
que tu não sabes ler....
E eu... Oh! Desespero!...
Também não sei escrever...

vocabulário
tacula: madeira avermelhada
dilôa: barro escuro, lôdo
macongue: fruta de pôlpa doce
aboque:fruto azedo
capôpa: pequeno  riacho


António Jacinto, 1924-1991 - poeta e escritor angolano, de origens em Alfandega da Fé, Bragança, branco de raça,  negro de coração, foi talvez, o poeta e escritor branco,
mais negro de Angola; nasceu em Luanda, mas registado no Golungo alto  e faleceu em Lisba.
Foi sepultado em Luanda.
.
Contestatário politico esteve exilado de 1960 a 1972  no tarrafal (prisão politica em Cabo Verde)
Após a independência foi ministro da cultura no governo de Agostinho Neto.

Porque África em geral e Angola em particular possui um feitiço que nenhuma mézinha cura,
de quando em vez  a ela e aos seus dedico espaço neste blog. Afinal, foi lá que cresci!...
E é dela esta saudade magoada que o vento por vezes teima em trazer-me com o seu cheiro
a terra molhada, a terra magoada.
A todos os leitores e em especial aos que em Angola me lêem deixo...
O meu abraço e o meu afeto.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A FLÔR DA PAIXÃO

De beleza extraordinária a flor do maracujá
Também conhecida por flor da paixão (fotos do autor do blog)



Esta flor de extraordinária beleza pertence à família das
(passifloriaceae), abrem na exposição solar e fecham-se
pelo fim da tarde. Oriundas da região tropical da américa
do sul, especialmente do Brasil.
Por capricho da natureza também se encontra em raros
locais de Portugal. Estas que aqui apresento foram
fotografadas por mim em Vila nova de gaia, distrito
do Porto. Faço a sua postagem, aqui, no sonharafetos,
por me ter impressionado a sua beleza cheia de cores
harmoniosas e partilhá-las com os meus leitores e seguidores.

A flôr dá origem ao fruto maracujá e também é conhecida
e utilizada para chá, sendo-lhe conhecida a sua importância
como anti-inflamatório e também como calmante.

A flor que também é conhecida por -Flor da paixão- deve
este nome ao facto de  ter desenhada a coroa de espinhos,
as cingo chagas de Cristo e o pormenor dos três pregos
que fixaram Jesus na cruz.





as flores pela manhã abrindo sob o efeito do sol











quarta-feira, 17 de agosto de 2011

MULHERES BALZAQUIANAS

Honore Balzac 20/5/1799-18/8/1850















Quando no século dezanove o Sr. Honore Balzac,  escritor francês, que faz hoje 161 anos que morreu, escreveu (a mulher de 30 anos), talvez a sua obra mais conhecida do público em geral, mas também a mais polémica,  e aos olhos de muitos criticos a menos conseguida, abriu ao mundo uma nova designação das mulheres trintonas: (as balzaquianas)...

O escritor, mais do que um simples romance descreve a imagem
histórica do período pós revolucionário francês.

No romance desfilam relatos da inquietude das mulheres, retratadas no personagem central  Júlia d´ Aiglemont mulher trintona, mal casada, sofredora, obediente mas pouco resignada,  e consciente das imperfeições da instituição do casamento.

Através desta obra e das suas posições publicas, Balzac presta um inestimável serviço  às mulheres oprimidas da época, que frequentemente, como Júlia, casada com base nos interesses e
ideais de riqueza visionados por seu pai a levam a um casamento infeliz.

Mas Balzac quiz também no seu livro,  enaltecer as qualidades das mulheres que  passando a ser  menos jovens reuniam toda a estabilidade emocional de quem já estava afirmado na vida,
no seio familiar, nas amizades e nos conhecimentos tentando impôr-se ao despotismo de pais e maridos frequentemente,  tiranos.

Balzac visionava as mulheres de trinta anos como experientes, boas amantes, e sobretudo possuidoras da luxúria e desejo que até aos trinta, nas mais jovens, era mascarada pela coqueteria 
e futilidade própria das que sendo jovens mais fácilmente se submetiam aos desejos paternos e maritais. 

A mulher de trinta anos, abriu um marco na história da liberdade e emancipação das mulheres e goste-se ou não do
estilo de balzac, ELAS muito lhe devem.
A sociedade francesa, os pintores e retratistas da época encarregaram-se de nos deixar a ideia de que as balzaquianas eram  matronas redondinhas, de anca larga,  cabelos longos, frequentemente amarrados  num puxo na nuca, ou caídos em
caracóis trabalhados durante longas horas de ócio.

A educação das balzaquianas restringia-se a actividades  no ambiente doméstico, costurando, bordando, aprendendo música, pintura,  dedicando-se a outras atividades artisticas,
ou simplesmente existindo limitando-se à dondoquice...
As solteiras viviam esperando e sonhando casar com um marido
rico e se possível elegante e bonito; as casadas a  estas atividades
descritas juntavam a dedicação aos maridos, frequentemente déspotas, e á educação e criação dos filhos; frequentemente
calando no fundo de suas almas o grito de revolta que não conseguiam  libertar.
Daí a tanta polémica que o  livro "a mulher de trinta anos"
provocou... Ele mexeu com as regras estabelecidas...

Os tempos mudaram e pensar hoje nas mulheres trintonas, como Balzaquianas, a meu vêr é errado e utópico... e mais errado ainda é pensar na submissão existente naquela época; a mulher, dos novos tempos se é submetida será por fragilidade económica, por masoquismo, por burrice; quando não, pelas três razões juntas.

A mulher, se designada actualmente como Balzaquina, partindo
apenas do pressupôsto anatómico, bem pode considerar-se a dos quarentas, e até cinquentas já que hoje, o normal é as trintonas
vestirem-se, arranjarem-se e postarem-se como, ou melhor, que algumas jovens de vinte anos...
E tudo isto apesar de as mulheres balzaquianas de hoje terem
actividades e responsabilidades mais desgastantes e exigentes que as trintonas dos tempos de Balzac. Salvo rarissimas excepções as mulheres de hoje além dos seus empregos e carreiras ainda têm que cuidar, criar, e educar os filhos, dos maridos, do gato, do cão, das plantas e de uma infindável lista
de tarefas que guardam  nas suas cabeças, ah! e por vezes ainda
sobra um tempo para irem ao SPA...





pintura de Eugene Delacroix pintor do século 19


A todas as mulheres, balzaquianas ou não,
e à obra de H. Balzac que muito aprecio
deixo o meu abraço e o meu afeto.
João Quitério

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

SÁ DA BANDEIRA, A TUNDAVALA e eu...

Cristo Rei Lubango (imagem net)










Tundavala em lubango, angola; foto net
Tundavala pormenor da fenda; foto net







Como sempre abri a minha janela e espreitei os jardins; desta vez espreitei os jardins da minha juventude; da terna,  doce e ao mesmo tempo dolorosa saudade dessa extraordinária  cidade do Lubango, em Angola, no tempo colonial designada:
Sá da Bandeira.

Ainda jovem tive sempre comigo a ideia de que ninguém  pode
amar o que não conhece, razão pela qual sempre faço questão
de conhecer os locais onde por força das circunstâncias e do trabalho residi, ou resido.

Ora amar Angola eu já o declarei no meu outro artigo welwitschia a flor do deserto, mas amar a região da Huíla era a coisa mais fácil e contagiante num mundo que eu então descobria...
A capital, Sá da Bandeira era cativante, diferente, mágica; e por muito que os ateus neguem, ou os agnósticos debatam,  e uns e outros não dêem importância a isso; tinha, Sá da Bandeira, o pormenor de ser a cidade (portuguesa) que estava mais perto do céu, mais perto de Deus. 

A serra da leba, que lhe serve de cabeceira,  tem mais de dois mil metros de altitude encimada pelo monumento  a cristo redentor, e a meio da encosta a capela da sra. do monte... que por este dia 15 de agosto celebra a sua festa anual. 

Ali era mais simples um crente no divino sentir, numa noite limpida  que podia quase tocar o cosmos, protegido debaixo do extraordinário manto estrelado que nos cobria e abençoava, numa experiência unica, que dura por uma vida.
A partir da cidade e andando uns escassos 18 quilometros 
chegava-se fácilmente à fenda da Tundavala; fenda aberta na escarpa do planalto com,  mil metros de profundidade.
Recordo-me que gritando, o eco demorava largos segundos a ouvir-se...  
A beleza da paisagem que ao longe se avistava a muitos kilometros de distância, no vale luxuriante que se estendia até ao deserto do namibe, a terra da tribo dos mucubais, enchia a alma mesmo dos menos crentes.

Os tempos mudaram, mas por muito que mudem há coisas e
locais que são eternos como eterna deve ser a memória dos povos.

Sá da bandeira, após a independência mudou o seu nome para
Lubango, nome autoctone, com o que concordo, mas o nome de Sá da Bandeira está por demais ligado à vida do povo angolano  já que foi este Homem, politico e militar  que em Lisboa, junto do governo central, no século dezanove exigiu  e conseguiu, o fim da escravatura nas colónias de dominio Luso, tendo sido Portugal, por decisão do marquês Sá da Bandeira, o primeiro
país colonial a abolir a escravatura.
Está  na história dos dois povos, não pode ser apagada, e salvaguardando o respeito e merecimentos, de novos e mais recentes heróis, ninguém poderá esquecer ou disfarçar estas verdades, o marquês Sá da Bandeira foi o visionário da colonização organizada, mas foi também o primeiro homem no velho mundo europeu a  dar o tiro de partida para a abolição da escravatura, essa forma execrável de exploração e desenraização de homens e  mulheres com o intuito de favorecer
o enriquecimento e o capital de homens indignos, que os espalharam pelo continente americano.


Aos antigos e novos heróis de Angola...
A todos os meus leitores e em especial aos muitos que em Angola
lêem os meus artigos deixo o meu kandando, (abraço) e o meu afeto.

João Quitério






capela da Sra. do monte (imagem net)


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

JOSÉ SOCRATES, E A DESVENTURA...




foto correio da manhã net




A imagem de José Socrates, elegante como sempre, aureolada pelos cabelos brancos; muitos mais do que quando subiu ao podêr; de pé à entrada da igreja, só, enquanto aguardava a chegada do corpo de seu irmão, falecido em Espanha, bem poderia dizer-se ser a imagem da desventura patenteada em três perdas: o poder, a morte súbita de seu pai há escassas semanas, e agora a do irmão António.

Os que já sentimos a perda do pai, do irmão, ou pior, dos dois,
ou mais pior ainda a perda também do projecto em que se acreditava;  goste-se ou não de Socrates, sabemos como o momento é difícil para qualquer ser humano enfrentar na vida
esta  trilogia de desgraça...

Os que ainda não sentiram, não estão isentos de  vir a sentir
o sentimento de perda, já que pela lei natural da vida, e salvo  algo inesperado, os pais morrerão primeiro, e manda o destino
e as leis naturais  e universais que todos um dia veremos partir
os pais,  eventualmente também irmãos, e os projectos de vida tendem cada vez mais a ser dependentes não do nosso esforço, nem das nossas capacidades, mas das leis irracionais do mercado, do liberalismo económico, da globalização,  do
capital, e imaginem, até dos rapazinhos teóricos das agências de ratings, que nunca vieram a portugal e sobre os seus créditos decidem sentados em poltronas nos gabinetes com ar condicionado na nação, neste momento, mais devedora do mundo, os Estados  Unidos.

Socrates  ao perder as eleições e consequentemente o poder,
no discurso que fez, mostrou uma dignidade pouco habitual nos
homens da politica...

Na perda do pai, algo inesperada e repentina, na dedicação
ao irmão durante a doença e na consequente morte deste, Socrates mostrou a grandeza de alma que torna os portugueses únicos e verdadeiros...

Inicialmente só, em frente á igreja onde chegaría o corpo de
seu irmão, não seria dificil adivinhar  que na mente do politico vaguearia a ideia de como na vida tudo é efémero e volátil...
Que tudo que nasce morre, e que cada dia é sempre, mas sempre, o primeiro dia do resto das nossas vidas.

Ao engº Socrates  e família com as condolências
deixo o meu abraço e o meu afeto

João Quitério
 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

OS COELHOS, AS RAPOSAS E OS FRANGOS






O governo Português que sucessivamente tem vindo a confirmar ideias e decretos que há
poucos meses, na oposição, veementemente contestava, reuniu o conselho de concertação social...

Presentes ou representados:

OsCoelhos:     (governantes)
As raposas:     (patronato)
Os frangos:     (trabalhadores)

A consertação, à semelhança do que estamos habituados, desde que há alguns anos Cavaco a iniciou, e da qual ainda muito se orgulha, tem vindo a ser um jogo onde:
o árbitro arbitra  mal e afuniladamente;

As raposas mostram toda a sua esperteza e sagacidade que tolerante e repetidamente
os governos  lhes permitem;

Os frangos, esses, saem sempre depenados;

O diálogo ainda mal começou mas após o primeiro round as raposas, risonhas de
contentamento deram-se por entusiasmadas e felizes com o primeiro embate...

Ganharam logo ao ir a jogo, a redução de 20 para 10 dias de indemnização nos despedimentos,
contrariando a proposta,  já de si desonesta,   do governo  do Socrates...

Os frangos, reclamam e desanimadoramente protestam  e pregam no deserto mas a verdade
é que foram depenados... ainda vão acabar por ser eles a pagar o fundo de indemnização!...

Os coelhos, esses respiram fundo e dormem entre o sobrassalto e a secreta esperança
de que os galináceos não saiam às ruas como na Grécia, contestando... e bradando...

Mas, não sendo este escriba,  o senhor de La Fontaine,  nem este artigo um conto para
crianças,  a verdade, verdadinha é que depois dos pintos depenados, as raposas não deixarão
de fazer aos coelhos o que vulgarmente o seu instinto predador, voraz e insaciável sempre determina: vão também comer os coelhos reverentes e servidores.

E tudo foi programado  com (a melhor das intenções!...) salvar a pátria lusitana... onde é que eu
já ouvi isto?... Ah! já me lembro... era ainda garoto... lá vamos cantando e rindo...

E os frangos?...

Esses, os que se acomodarem e entrarem na coelheira cantam o hino de (. . . . . . . )

Lá vamos cantando e rindo
Levados, levados, sim,
Pela voz do som tremendo,
Das tubas, clamor sem fim.

Lá vamos, que o sonho é lindo,
Torres e torres erguendo,
Clarões, clareiras abrindo,
Alva de luz imortal,
Que rôxas névoas despedaçam,
Doiram os céus  de Portugal...


Claro que em alternativa,  em surdida e muito baixinho, os contestatários,  podem sempre consolar  a alma com a canção do Zeca Afonso: eles comem tudo, eles comem tudo eles
comem tudo e não deixam nada...

Entretanto  nesta terra lusitana, os jornais noticíam:

Que há listas de espera para adquirir Ferraris,  Porsches e outros carros de  gama alta!...

Que as classes  média e baixa estão a entregar as casas aos banqueiros  porque perderam os empregos...  e não as podem pagar...

Que o grande capital não paga  impostos!...

Que ao banco alimentar está a chegar todos os dias  a classe média envergonhada, com fome;

Que o governo aumentou de sete para onze os administradores da caixa geral de depósitos!...

Que o BPN onde o estado meteu milhões, vai ser vendido por tostões!...

Que os reformados não têm dinheiro para rendas e medicamentos...

Que algumas crianças precisam de, em férias, continuar a ir à escola para terem uma refeição!...

Que do subsidio de Natal boa parte vai para o estado!...

Mas como dizem os espanhóis.... « aqui??? aqui não se passa nada» ...

E as raposas... as raposas... senhores, nos seus fatinhos feitos á medida, entretanto sorriem em orgasmos de contentamento e dizem: era preciso mais mas para já não está mal. 

Entretanto esperemos que o amanhã seja melhor... Mas pôrra!....nós queremos ser felizes hoje,
e não ter que passar a vida a cantar:
A formiga no carreiro,
Andava á roda da vida....


Com o meu abraço e o meu afeto,
declaradamente não partidário

João Quitério




















terça-feira, 26 de julho de 2011

OSLO, o horror!... o ódio!... e o diabo





flores em homenagem aos inocentes vitimas do ódio



Como sempre faço, da minha janela (virtual) espreito o mundo
e os jardins, e horror dos horrores!!!...  nestes dias o jardim Noruega cheio de destruição e sangue patente no ódio esquizofrénico de um loirinho ridiculo com a cabeça cheia de ideias feitas sobre o orgulho de raça saloia.
Que são reminiscências do sr. adolfo do bigode ridiculo, que espalhou o mesmo tipo de ódio racial na europa nos idos anos de trinta e quarenta... Dizem alguns!

Eu digo, parafraseando John Lennon: (vivemos num mundo que se esconde para fazer amor! E pratica a violência á luz do dia...)

Oslo, capital do Nobel e consequentemente da paz, capital de uma nação tolerante, sentiu na pele a loucura e demência daquele jovem do qual  o nome jamais  citarei no meu blog...
(A ele me referirei sempre e apenas como o diabo de oslo.
E neste momento e  aqui, não deixo  de me recordar  de um pensamento de Guerra Junqueiro, (se a arma que mata defende a liberdade e a vida, os santos choram mas não acusam...) e o diabo de oslo, esquecendo a minha convicção arreigada de NÃO MATARÁS, apenas deveria ter como merecimento o castigo de ser morto com a arma que essa sim defenderia a liberdade e a vida... ( e os santos por ele não chorariam).

Vivemos num mundo que é de todos e não é pertença de ninguém!...
Um mundo que nos é confiado, através de um mandato da lei divina, universal e imutável, no momento do nascimento e nos
é retirado, apenas, no momento da morte e por mais comentários filosóficos e politicos em que alguns comentadores
se embrenhem o acto do diabo de Oslo é  inqualificável...
E merece punição que vá para além das próprias leis do estado
de direito da Noruega.

Compete a cada um de nós estar atentos e vigilantes para que
a monstruosidade de Oslo não se repita em nenhum outro lugar.
Com  a minha tristeza...
O meu abraço e o meu afeto.


João Quiterio



segunda-feira, 25 de julho de 2011

OS MEUS AVÓS E EU


26 de julho de 2011 (dia dos avós)




Nasci na casa dos meus avós maternos, em Vila Flor, a mais bela das vilas de trás-os-montes,  com a ajuda de uma parteira, era assim naquele tempo...
Fui crescendo sob a  vigilância disciplinadora dos meus pais temperada pela vigilância serena e protetora desses extraordinários avós.

Se à sorte da vida muito pouca coisa devo; sinto-me  recompensado, gratificado e feliz por ter podido crescer
junto dos melhores avós que qualquer criança poderia desejar.

Eram almas simples que despontavam a cada gesto a cada carícia noite após noite quando carinhosamente me
obrigavam a com eles tomar o chá, aquecido nas brasas da lareira, tudo como se de um ritual se tratasse. Depois era o momento do deitar precedido das rezas das quais a 
minha avó não prescindia nem transigia. 
Da missa  de domingo e outras celebrações litúrgicas nunca era dispensado.

Minha avó, costureira de profissão, sempre tinha que costurar até tarde da noite à luz do candeeiro de petróleo.

Meu avô era carpinteiro, nos baixos da casa tinha a sua
oficina e esse dizia a minha avó era o sitio dos homens;
a cozinha era o mundo  das mulheres onde jamais me
permitiu sequer ajudar a descascar batatas, o que fez de
mim um  inutil, em termos culinários.

Ao invés, com o meu avô  fui aprendendo a usar o serrote, 
o martelo, a inchó, a plaina  e mais importante ensinou-me a ver e apreciar as madeiras,  a acaricia-las como se fossem os versos  que pela noite me cantava acompanhando-se
á guitarra.
Com ele também aprendi a dedilhar a viola, mas cêdo vi
que aí não tinha futuro, quando comparado com o seu virtuosismo. Eu desculpava-me com o facto de ele saber
lêr musica e por carolice tocar na banda da terra.

Nunca na minha vida vi ou ouvi uma discussão entre aqueles dois velhos, o que era anormal ao tempo, anos sessenta...

Meu avô tinha sido um homem muito viajado, no período
da primeira guerra mundial serviu no exército em
Moçambique e no pós guerra chegou a clandestinamente ter emigrado para França, por pouco tempo, pois era homem que não se dava a viver longe da família.
Por vezes contava-me das suas viagens e experiências, mas
da guerra,  jamais aceitou falar ou explicar porque foi condecorado.
Pelo meio das conversas vinham sempre os seus conselhos cheios  de filosofia que jamais esqueci: que para em paz viver três coisas tinha de saber e respeitar: ser paciente
com as autoridades, com os amigos e com as mulheres.

A última vez que nos vimos, entre um beijo e um abraço,
que ele dizia ser o último nesta vida, (eu rapaz com menos
de quinze anos, orfão de pai,  partia para Angola),  vieram
os conselhos mais importantes que alguém me podia dar: respeita sempre tôdo o ser humano, não avalies as pessoas de animo leve, elas  são como o vinho, não é no primeiro copo
que se conhece, e nunca te esqueças que só tens dois grandes amigos para toda a vida...

No idealismo e pureza dos meus quase 15 anos respondi:
és tu e a avó.
Ele respondeu-me não.
Nós pouco tempo temos e tu estarás muito longe...
Os dois amigos com que poderás sempre contar são os teus braços...

Com um cálice de geropiga caseira fez questão de brindar ao meu futuro, o dele seria realmente muito curto. 
Poucos anos depois chegou telegrama  de minha mãe que  dizia: teu avô morreu.
Mas não foi só o meu avô que morreu, com ele morreu o que
para mim foi o Homem mais calmo,  tranquilo e simples
que na vida conheci.
Com ele aprendi  os afetos e o perdão e que chorar pode não
fazer um homem duro mas fá-lo seguramente mais humano.

Com os seus conselhos também aprendi que realmente
os meus grandes amigos têm sido os meus braços, mas
sempre têm ficado na vida uns poucos amigos verdadeiros, que ele me ensinou a respeitar e estimar mesmo na diferença
de opiniões.

Agora, avô que sou, de três netos maravilhosos, mas por
vezes difíceis, acalento a secreta esperança de que quando
um dia, tão longínquo quanto Deus permitir, o meu tempo
terminar, tenham motivos para sentirem o orgulho e o
afeto que pelo meu avô sinto.
Então... esteja eu onde estiver, serei feliz.


Aos meus avós e aos meus netos
deixo o meu abraço e o meu afeto.
João Quitério



  

             

quinta-feira, 21 de julho de 2011

ANTÓNIO PINA PRÉMIO CAMÕES

Foto extraída do Jornal de notícias







Há hábitos mecânicos dos quais desconhecemos a origem, a razão ou o reflexo condicionado, que nos impulsiona a
insistentemente da mesma forma proceder...

Sempre começo a minha leitura do jornal, da revista ou
do livro pela ultima página; por hábito ou talvez porque 
no meu subconsciente exista o misterioso desejo de 
conhecer o (fim?...)
Sempre assim foi e duvido que algum dia seja de outra forma...

Assim sendo, o artigo  de opinião diáriamente assinado por Manuel António Pina na ultima página do JN é o meu  
primeiro deleite literário,  acompanhado de um cimbalino  
e um cigarro, e que contrariedade sinto, quando (raramente) por alguma razão, o artigo não está presente...

Aí! O dia já começa mal...

Eis pois que António Pina já não é ele só... faz parte do
universo de vida de cada leitor seu e sentindo-nos nós mesmos fundidos com ele, (ainda que por vezes discordemos) chegando
a tornar-se familiar a maneira de o ler e estudar.  

A sua opinião,  pela acutilância e força das suas palavras escritas com o coração,  adornadas pela finura dos sentidos e cheias daquele toque de simplicidade,  naturalidade e generosidade  de que apenas alguns eleitos são investidos, tornam-se como um ato indispensável ao dia dia de alguns.

Não se pense que conheço António Pina, de forma alguma, o meu conhecimento advém apenas dos  seus escritos e da
sua obra que há pouco foi justamente reconhecida com a atribuição do prémio Camões e ao qual ele simplesmente se referiu como: É a coisa mais inesperada que podia esperar.(M.A.P.)

Inesperada pode ter sido na sua maneira simples e natural de ver  e sentir, mas merecida, digo eu, pois a polivalência da escrita do laureado vai muito para além do que é normal...
E se Manuel António Pina sai prestigiado com o prémio Camões, mais prestigiados saem Portugal e nós portugueses
por sabermos que a literatura e a poesia  é das poucas coisas  que resistem ao déficit e estão de boa saúde na lusa terra. 
Conhecer o  pensamento e a  obra do laureado ilumina  o espirito e refresca a mente conforme se pode verificar
no poema seu, que escolhi para completar esta minha singela homenagem  ao escritor e poeta.

Arte poética


Vai pois,poema, procura
a voz literal
que desocultamente fala
sob tanta literatura.

Se a escutares, porém tapa os ouvidos,
porque pela primeira vez estás sózinho.
Regressa então, se puderes, pelo caminho
das interpretações e dos sentidos.

Mas não olhes para trás, não olhes para trás,
ou jamais te perderás;
e teu canto, insensato, será feito
só de melancolia e de despeito.

E de discórdia. E todavia
sob tanto passado insepulto
o que encontraste senão tumulto,
senão de novo ressentimento e ironia?


A Manuel António Pina e aos meus leitores e seguidores,
deixo o meu abraço e o meu afeto.
João Quitério. 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O JOÃO E EU, o rasteirinho

( rasteirinho no meu melhor: o descanso)




O João e a Maria, começaram por me  chamar  rasteirinho ; não tenho linhagem aristocrática  canina definida, sou entroncado  de patas muito curtas,mas sou valente e bom companheiro.

Tive em tempos outro nome que  quero esquecer,  como pretendo esquecer aquela noite fria de inverno, quando há seis anos, meus primeiros donos me abandonaram na rua porque a minha aparência possivelmente  não correspondeu à que de mim esperavam.
Atitude desumana,  desleal e irresponsável.
Ah!... Os humanos... com que facilidade se descartam dos seus companheiros de estimação e amigos como se de lenços de papel se tratasse...

Mas eu tive sorte! Fui-me insinuando á porta da garagem do João e comecei brincando com o vaidoso do caniche preto, que eles tinham, e que por sinal era bom rapaz, e me foi dando umas dicas de como conquistar as graças dos que  haveriam de me acolher.

Comecei por me banquetear juntamente com o Black, comendo da sua ração, mas eu dormia na rua, até que numa noite fria e chuvosa,  já muito tarde o joão me disse: vá,  entra lá seu vadio se não morres de frio, e afinal é Natal... Mas é só hoje,  amanhã faz-te á vida...

Rasteiro e silencioso instalei-me debaixo da bancada da electrónica  em um tapete de alcatifa fôfa.
Que rica noite sem frio eu passei...
E a esse dia seguiu-se outro dia, e ao outro dia seguiram-se  outros dias, e aos dias seguiram-se
semanas, meses e anos e entretanto o black morreu;  de velhice, ouvi dizer que tinha 12 anos e já estava cego.
Este foi um dia triste para os meus novos donos. Aos olhos deles vi assômar umas gotas de água a
que os humanos chamam lágrimas... E quando o black expirou uma última vez e o João lhe disse: adeus companheiro, fiquei tôdo arrepiado e triste pois também eu tinha acabado de perder um companheiro e um amigo, apesar de algumas lutas que travámos em tempos idos.

Eu entretanto, finório que sou, se já estava instalado no espaço fisico, dos que considerava meus novos donos, fácil foi insinuar-me e instalar-me devagarinho nos seus corações e se não esqueceram o black, pelo menos suavizei a sua perda e por aqui fiquei e aqui me mantenho dando mostras da minha amizade e lealdade.
Toda a gente deixo entrar... mas se eles não estiverem, os estranhos, não deixo sair...
Tornei-me lentamente importante, de forma  que sou sempre apresentado aos familiares e amigos como um companheiro desta boa gente.

Temos dias, em que o João e eu estamos sós a maior parte do tempo, e ao fim da tarde quando a Maria chega é para mim uma festa em volta do carro e só páro de ladrar quando se baixa para me fazer um
carinho que eu retribuo.

Com o João  aprendi a escutar  e a deliciar-me, com a música que seleciona e passei a compreender  os grandes silêncios em que mergulha pensando no que há-de escrever,  nas injustiças da humanidade e da vida, nos problemas que lhe surgem, nas contrariedades.
Ah! mas também tem partilhado comigo algumas alegrias.
Fui eu o primeiro de todos a saber que através dessa coisa do blog iria transmitir  aos que o amam, estimam e apreciam, as suas ideias, o seu pensamento e o conhecimento da vida.

Desde aquele Natal, sempre estive e estou com ele.
Fui também um dos primeiros seus amigos  a conhecer a sua revolta quando há alguns meses, em pleno sabado á tarde foi despedido por telefone do emprego que mantinha há mais de dez anos.
Juntos temos vivido lutas e canseiras, ilusões e desilusões, numa amálgama de sentimentos que fazem os humanos infelizes...

Mas como na vida  nem tudo é mau, para mim tem a vantagem de agora o ter diáriamente comigo. Assim temos mais tempo para nos comunicarmos, e sempre o acompanho ao café logo cêdo para tomar o seu cimbalino; eu, espero-o á porta e regresso com ele à oficina e por ali me mantenho.
Por vezes dou uma ruada, na urbanização à procura de garinas...
O meu amigo João  nunca me prendeu, porque o que mais odeia são grilhetas, acha que todos devem ser livres e livres viver; e estar enquanto querem e partirem quando o desejarem.

Nestes tempos que por aqui estou também  já lhe conheci momentos de alegria.  Quando as filhas e netos o visitam; aí, fica possuído duma alegria calma e radiante,  que transmite num pequeno sorriso, que só eu e poucos mais   conhecemos.
Alegria e satisfação, também percorre o seu semblante quando os amigos vêm de visita, sobretudo aqueles que em tempos melhores vinham e em tempos piores  voltam,  e a quem, por vezes, brinda com uma ou outra peça do artesanato por si criado a partir de materias reciclados. Aneis, brincos e porta-chaves que eu vejo; encantam quem os recebe e quem os dá.

Com ele aprendi que a palavra amigo tem um significado de inauguração, diria mesmo de festa  muito profunda; e perdoem-me os seus humanos amigos, tenho consciência, que de todos, eu sou o primeiro
e o mais leal, mas isso é a  vantagem da condição inata dos da minha espécie... e isso não se discute.

E assim, entre a electrónica, o artesanato e a escrita, vou olhando e apreciando este homem que teima
em ser meu compaheiro e não meu dono.
Com ele vou partilhando as alegrias, as dúvidas e incertezas; mas sobretudo a esperança e a fé, que o levam a frequentemente  a olhar o céu e a murmurar:  mesmo se caído, continuarei a olhar as estrelas...
E isso  amigos,  ninguém lhe poderá tirar... Ninguém lhe poderá negar.

Com uma patada amiga e o meu afeto,

(Rasteirinho)



(este artigo  é dedicado a todos os que  nunca abandonam os animais)

sábado, 16 de julho de 2011

FLORBELA ESPANCA

Fanatismo


Minhálma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo,meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!


Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto,toda a graça
Duma boca divina fala em mim!


E, olhos postos em ti, digo de rastos:
Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Principio e fim!...

Florbela Espanca: poetisa Portuguesa (n.2/12/1894 - f.2/12/1930



Como ela, também eu por vezes, busco na melancolia, nas mágoas e desilusões a inspiração...
Sendo uma das flores do meu jardim virtual, aqui deixo a minha homenagem a uma mulher
que nasceu fadada para o inesperado e dramático da vida.

Se penetrássemos o sentido da vida, seríamos menos miseráveis.(F.E.)
(subscrevo no tôdo esta sua frase)


(à minha filha Ariana grande admiradora da poetisa)

João Quitério

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A FOTOGRAFIA E EU

Foto do meu amigo Carlos Pereira
(amador que sabe captar o momento)

Quando NIEPCE em 1826 inventou a máquina que captava imagens e que aperfeiçoada mais tarde por DAGUERE se tornou num instrumento inicialmente restrito para uso de poucos, deu-se inicio a uma nova  profissão: o fotografo; e por muito optimista que o inventor fosse, jamais terá pensado as proporções que tomaria o seu invento e que nos tornou a quase todos os humanos escravos das imagens e das máquinas que as podem captar.

Sobressalto na época  para os pintores  retratistas que viviam da arte de fixar na tela para a posteridade a imagem dos que bafejados pela fortuna podiam a estes  recorrer e pagar.
Tremeram mas sobreviveram, afinal a pintura foi, é, e será sempre a imagem de excelência para os apreciadores.

Com o tempo e os progressos técnicos a fotografia tornou-se tão banal que é possível encontrar
amantes da arte de fotografar em todas as idades e em tôdo o planeta.

Vão longe os tempos em que alguns povos pensavam que sugeitarem-se à captação da sua imagem lhes roubava a alma diminuindo-lhes as suas capacidades, acontecendo que em alguns povos a não autorização de fotografar era uma questão dogmática;
mas com a evolução da humanidade também a fotografia evoluiu para parametros em que não possuir uma máquina fotográfica é um sacrilégio tão grande como não ter telemóvel, que, (pasme-se), diria o inventor, também o telemóvel nos dá a oportunidade de fazer fotos  de qualidade razoável.

O meu primeiro contacto com a fotografia, contaram-me os meus pais, foi um sacrificio de estar, aos seis anos, parado, sem mexer, sem pestanejar, ao sol,  enquanto o fotografo captava a minha imagem para aquela caixa de madeira, feia e velha;
ainda hoje me parece que demorou uma eternidade o sacrifício.

No entanto aquela  máquina fascinava-me e cheguei mesmo nas brincadeiras a usar uma caixa de giz em madeira transformada em máquina preenchendo assim o meu imaginário de fotografo.

Com o tempo descobri toda a minha incapacidade para fotografar, não me recordo de algum dia ter tirado uma fotografia que se pudesse dizer que ficou boa. Acabei por me conformar com essa falta de destreza  e contento-me  domésticamente a usar a minha Nikon coolpix tipo maço de cigarros que não requere grandes conhecimentos técnicos.

Mas aprecio fotografia, não em termos técnicos, isso deixo para os especialistas, mas se
vejo uma imagem de que gosto, não justifico nem critico pormenores; gosto porque gosto e isso basta-me para regalar os sentidos e quantas vezes para encher a alma.

Na net encontram-se autenticos tratados técnicos e até filosóficos sobre a fotografia; não os segui
nem me socorri deles para escrever este artigo e sempre discordei do anúncio publicitário uma fotografia diz mais que mil palavras; embora o anúncio fosse eficaz,  sempre achei que quem o inventou sabia muito da fotografia mas também  teve que se socorrer da palavra para a descrição publicitária...
Sem a descrição o anúncio, era o nada.

A fotografia capta realmente o momento, veja-se a celebre foto de Che Guevara, captada num momento de feliz inspiração  de Alberto Korda,  mas tiremos-lhe a palavra, a descrição, a análise, e o que resta?...  Apenas uma imagem, que será imperecível mas que originou milhões de análises escritas, de palavras que contaram e relataram uma época, um tempo.

Assim, tenho,  que para mim, e desculpem-me os puristas, a imagem necessita da palavra para a complementar, sem ela  pouco resta.

Essa imagem de CHE  deixou na minha geração a marca indelével de um tempo de rebeldia,
de uma revolução, de um homem; aprecie-se ou não os  feitos e a saga de CHE essa foto nunca deixará de ser um contributo, uma homenagem a NIÉPCE que inventou  a fotografia 130 anos antes.

Penso  no entanto, não estar enganado, que para uma boa fotografia além de uma boa máquina
é necessária a sensibilidade do fotógrafo; o olho humano é esencial, e isto leva-nos a um principio  filosófico  indesmentível: acima e por detrás da boa imagem, está o HOMEM.
Acima e por detrás de tudo está o HOMEM, que na sua essência possui a capacidade de captar
com os seus olhos, e descodificar com o seu cerebro a beleza do momento.

Aos meus amigos e meus leitores, interessados na fotografia, muito ou pouco, deixo como
sempre o meu abraço e o meu afeto.
Foto de cheguevara
(autor:Alberto Korda)




João Quitério
Gaia 2011