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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

MULHERES BALZAQUIANAS

Honore Balzac 20/5/1799-18/8/1850















Quando no século dezanove o Sr. Honore Balzac,  escritor francês, que faz hoje 161 anos que morreu, escreveu (a mulher de 30 anos), talvez a sua obra mais conhecida do público em geral, mas também a mais polémica,  e aos olhos de muitos criticos a menos conseguida, abriu ao mundo uma nova designação das mulheres trintonas: (as balzaquianas)...

O escritor, mais do que um simples romance descreve a imagem
histórica do período pós revolucionário francês.

No romance desfilam relatos da inquietude das mulheres, retratadas no personagem central  Júlia d´ Aiglemont mulher trintona, mal casada, sofredora, obediente mas pouco resignada,  e consciente das imperfeições da instituição do casamento.

Através desta obra e das suas posições publicas, Balzac presta um inestimável serviço  às mulheres oprimidas da época, que frequentemente, como Júlia, casada com base nos interesses e
ideais de riqueza visionados por seu pai a levam a um casamento infeliz.

Mas Balzac quiz também no seu livro,  enaltecer as qualidades das mulheres que  passando a ser  menos jovens reuniam toda a estabilidade emocional de quem já estava afirmado na vida,
no seio familiar, nas amizades e nos conhecimentos tentando impôr-se ao despotismo de pais e maridos frequentemente,  tiranos.

Balzac visionava as mulheres de trinta anos como experientes, boas amantes, e sobretudo possuidoras da luxúria e desejo que até aos trinta, nas mais jovens, era mascarada pela coqueteria 
e futilidade própria das que sendo jovens mais fácilmente se submetiam aos desejos paternos e maritais. 

A mulher de trinta anos, abriu um marco na história da liberdade e emancipação das mulheres e goste-se ou não do
estilo de balzac, ELAS muito lhe devem.
A sociedade francesa, os pintores e retratistas da época encarregaram-se de nos deixar a ideia de que as balzaquianas eram  matronas redondinhas, de anca larga,  cabelos longos, frequentemente amarrados  num puxo na nuca, ou caídos em
caracóis trabalhados durante longas horas de ócio.

A educação das balzaquianas restringia-se a actividades  no ambiente doméstico, costurando, bordando, aprendendo música, pintura,  dedicando-se a outras atividades artisticas,
ou simplesmente existindo limitando-se à dondoquice...
As solteiras viviam esperando e sonhando casar com um marido
rico e se possível elegante e bonito; as casadas a  estas atividades
descritas juntavam a dedicação aos maridos, frequentemente déspotas, e á educação e criação dos filhos; frequentemente
calando no fundo de suas almas o grito de revolta que não conseguiam  libertar.
Daí a tanta polémica que o  livro "a mulher de trinta anos"
provocou... Ele mexeu com as regras estabelecidas...

Os tempos mudaram e pensar hoje nas mulheres trintonas, como Balzaquianas, a meu vêr é errado e utópico... e mais errado ainda é pensar na submissão existente naquela época; a mulher, dos novos tempos se é submetida será por fragilidade económica, por masoquismo, por burrice; quando não, pelas três razões juntas.

A mulher, se designada actualmente como Balzaquina, partindo
apenas do pressupôsto anatómico, bem pode considerar-se a dos quarentas, e até cinquentas já que hoje, o normal é as trintonas
vestirem-se, arranjarem-se e postarem-se como, ou melhor, que algumas jovens de vinte anos...
E tudo isto apesar de as mulheres balzaquianas de hoje terem
actividades e responsabilidades mais desgastantes e exigentes que as trintonas dos tempos de Balzac. Salvo rarissimas excepções as mulheres de hoje além dos seus empregos e carreiras ainda têm que cuidar, criar, e educar os filhos, dos maridos, do gato, do cão, das plantas e de uma infindável lista
de tarefas que guardam  nas suas cabeças, ah! e por vezes ainda
sobra um tempo para irem ao SPA...





pintura de Eugene Delacroix pintor do século 19


A todas as mulheres, balzaquianas ou não,
e à obra de H. Balzac que muito aprecio
deixo o meu abraço e o meu afeto.
João Quitério