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quarta-feira, 29 de junho de 2011

SOCRATES, EU, E AS ESTRELAS














É noite alta, a cidade dorme tranquila, da minha janela olho  o céu, hábito adquirido na infância  quando mesmo os grandes espaços dos montes transmontanos já eram limitados para a imaginação...

Miro as estrelas e aprecio o seu brilho, o seu alinhamento perfeito e penso na minha pequenês; na pequenês de todos os abrigados debaixo deste teto celeste que cobre a terra. 

Penso no poder divido que organizou tamanha festa que não tem fim e que todos os dias ali está num arraial  para toda a eternidade; e nós tão poucas vezes o olhamos! Tal é a nossa certeza e o hábito de que ali sempre esteve e estará, que não lhe damos importância.
Acreditem os meus leitores que 10 minutos aproveitados a olhar as estrelas concede-nos mais tranquilidade do que uma dose  de prozac ou xanax.

Pois debaixo desse mesmo teto estava um dia Socrates, há 2.500 anos dando uma palestra sobre a virtude, a piedade,  a amizade e os afetos aos seus concidadãos num campo dos arredores de Atenas quando um  dos seus discipulos esticando o braço apontou para uma estrela chamando a atenção para a beleza do seu brilho.
Repentinamente, Socrates,  interpela  o discipulo dizendo-lhe: quando apontas uma estrela estás a interferir com o equilibrio do universo.

Ora a acreditar que ao apontar uma estrela interferimos com o equlibro do universo e tendo em conta que cada homem é um universo distinto em si mesmo, mas parte do tôdo universal, fácilmente podemos imaginar  o desiquilibrio provocado  nesse conjunto universal de cada vez que   apontamos, decriminamos, humilhamos,  desprezamos,  exploramos e mais grave, matamos.É imperioso e urgente aprender-mos  a entender a  matriz que todos trazemos dentro da nossa alma, da nossa mente, da nossa energia, da nossa essência que nos move e impulsiona e nos faz ser parte deste universo equilibrado.

Dentro de cada um de nós está tôdo o  registo do conhecimento,  tôdo o saber, de tudo que conhecemos e o que havemos de conhecer; assim a modos que uma net divina, que só poucos sabem utilizar. 

Socrates acreditava que bastava ao homem conhecer o bem para que ele fosse praticado e ironia das ironias foi morto por aqueles que ouvindo-o ou espiando-o nunca o ouviram com o coração.
Lamentavelmente, a história repete-se, quatrocentos  anos depois, outros fizeram o mesmo a Cristo, e depois outros o mesmo fizeram a Gandhi, e mais outros, ontem, hoje, e amanhã o fizeram e farão a outros...

Amigos, a mais bela e alta sabedoria vem do coração e diante dele, em momentos de pureza de intenções, as estrelas rezam e o céu abre-se numa festa sem par e lança-nos as suas bençãos.
Olhemos as estrelas e acendamos uma vela para não  tatearmos na escuridão, de forma a não fazermos parte desses outros que em cada dia repetem a crucificação de cristo.

A todos o meu abraço e o meu afeto
João M.Quitério

segunda-feira, 27 de junho de 2011

COMUNHÃO

MIGUEL TORGA imagem da net


Tal como o camponês,
que canta a semear a terra,
ou como tu pastor,
que canta a bordar a serra de brancura,
assim eu canto,sem me ouvir cantar,
livre à minha altura.
Semear trigo e apascentar ovelhas,
é oficiar á vida uma missa campal.
Mas como sobra desse ritual,
uma leve e gratuita melodia,
junto o meu canto de homem natural,
ao grande côro dessa poesia.

Miguel Torga

TI MARIA E A RAPOSA

Dei comigo a pensar: se La Fontaine ainda existisse fisicamente, pois através da sua obra, ele será eterno; como descreveria a relação da raposa de Justes com a ti Maria e o ti Mário?

A raposa das fábulas de La Fontaine sempre saía castigada, humilhada vilipendiada e a sua esperteza e sagacidade era mal-quista pese, embora, as lições de moral de vida que elas transmitiam.

Era eu, pequenote, e sempre ficava algo tristônho e contrariado pela pouca sorte da raposa, esse bonito e sagaz animal... 
Claro que isso foi há muitos anos e os tempos mudaram e se mudaram para os humanos também mudaram um pouco para os bichos  livres e selvagens que com os homens  partilham e beneficiam deste maravilhoso planeta azul.

Mas, a raposa de Justes não é da terra de LA FONTENE,  a região francesa de champagne, mas sim da região transmontana  de Miguel Torga, e também  minha, e eu imagino  como Torga descreveria a relação da raposa com os habitantes de Justes, ele que nos deixou nos CONTOS DOS BICHOS descrições maravilhosas   de tal forma que  a ligação entre os bichos e o homem chegam a
ser humanizadas.

A descrição e filmagens da televisão efectuadas em Justes, Vila Real, demonstram como gente simples
de terras onde ainda existe a solidão do tempo, abrem o seu coração a um gesto que para todos deveria
ser simples  imperativo de consciência e de doutrina: DAR DE COMER A QUEM TEM FOME...

Afinal a região transmontana,  junto ao marão, (que nunca deu palha nem pão), e que  ultimamente tem andado envaidecida, porque de lá é o actual chefe do governo e a presidenta da assembleia da república, (o que confirma o ditado: do lado de cá do marão, mandam os que de lá são), mostra aos portugueses, e espero que ao mundo, como é possível a partilha de ALIMENTOS e de AFETOS  entre humanos e bichos numa relação quase humanizada  unidos que estão na esperança e na desgraça.

Se a lição da ti Maria e seus vizinhos tiver eco no seio desses  nossos governantes talvez os tempos dificeis que se avizinham sejam suavizados.
Por mim tenho esperança mas muitas... muitas.. dúvidas.



foto de raposa tirada da net de autor desconhecido



João Quitério, Gaia 2011

domingo, 26 de junho de 2011

INQUIETAÇÃO

Mesmo sendo domingo acordei cedo,
O dia está demasiado quente,
carregado de energia negativa.
Instalou-se a inquietação;
teimosa,
sombria,
uma inquietação quase dolorosa
que aperta o coração e esfarela a mente.
Da janela do meu quarto ao longe vejo o mar; 
da janela virtual espreito o meu  e outros jardins.
Hoje é só, mais nada...

terça-feira, 21 de junho de 2011

O TER E O SER...

Neste mundo conturbado,
quem tem muito dinheiro,
por mais inepto que seja,
tem talento e préstimos para tudo;
quem não tem dinheiro,
por mais talento que tenha,
não presta para nada.

(Padre António Vieira 1608/1697)

O esclarecido, e poder-se-ía mesmo dizer, iluminado pensador,  escritor, e missionário Jesuíta,  referia-se há quase quatro séculos a um mal que atravessa os tempos, numa renovação permanente, como permanente é o sol que ilumina o nosso planeta,
como permanente é o movimento das marés em oceanos  que unem continentes e povos.

O TER E O SER,  já existia muito antes de António Vieira, mesmo antes de Cristo que também combateu este conceito mesquinho, retrógrado e que lamentávelmente existirá muito para lá do nosso tempo.

Neste tempo de globalização, o ter e o ser tornaram-se  mais acentuados pela circunstancia
de haver mais acesso à informação, comunicação,  publicidade e desfile de vaidades que chegam até nós.

As aparências são quase sempre o que mais cativam os maus observadores que ajuízam
das pessoas em função  do que se tem e não do que se é; observam o exterior e não analisam o interior; são como aqueles que escolhem uma garrafa de vinho pelo preço e aspecto  do seu rótulo frontal, e raramente analisam o pequeno e menos atrativo rótulo situado na traseira da garrafa, que esse sim, refere as castas e demais informações técnicas sobre a sua concepção.
Aos que apenas apreciam  O TER deixo o meu desdém..
Aos que analisam e apreciam O SER deixo tôdo o meu afecto e admiração.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

...O ESTADO OU O HOMEM?

Ao principio não era o estado mas o homem...
Era o homem, o espirito e o barro;
É esta uma verdade em função da qual deverá ser o estado subordinado ao homem,
e não o homem subordinado ao estado. ( Francisco Lucas Pires)

Neste tempo em que se forma em Portugal um novo governo, dei comigo a pensar nesta frase do politico e pensador, (com o qual tive o prazer de conversar pessoalmente)  e na circunstância de passados mais  de trinta anos, o seu pensamento continuar actualizado, ou melhor, actualizadissimo!

Seria bom que cada, ministro, cada secretário, cada deputado a fixasse em suas mentes,
para não esquecerem, como sempre fizeram, que o HOMEM deve estar sempre nas suas preocupações e nas suas acções;

E ao referir-me ao Homem refiro-me a todos os portugueses e portuguesas e em especial áqueles que por força de más politicas e da globalização se vêem atirados para um gueto
onde falta o trabalho, a saúde, a educação, a prosperidade e aos quais eles (governantes iluminados)  se preparam para reduzir  ou cortar subsidios deixando-os em uma miséria
que os levará um dia  a iniciarem uma revolução.

E meus amigos, não nos iludamos, há dois anos que eu previa, e aqui o reafirmo, se a europa não cuidar dos seus assistiremos à desordem e sublevação totais conforme já se
começa a verificar um pouco por todos os países que enfrentam dificuldades. Olhem a praça do sol em barcelona! Hoje mesmo em Atenas!  

Foi assim noutros tempos, recordo-me da revolução de maio de 68 em França, em pleno auge económico!!! as greves e a revolta dos jovens; são sempre eles o motor das revoluções...  e já se começam a mexer em Espanha e na grécia, e Portugal dos brandos costumes, já viu a juventude á rasca  dar uma amostra do que aí pode vir, do que podem esperar.

Por isso insisto: pensem todos que: ao principio não era o estado mas o HOMEM...
...e que um dia podem ficar sem estado e ter de enfrentar O HOMEM.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

DA MINHA JANELA

Pela manhã levanto-me abro a janela e espreito a minha rua....
Depois espreito a janela do mundo no meu portátil no meu blog........
Dou uma passagem nos jardins, não proibidos, doutros  bloguistas.

Em alguns jardins vejo  os amores de uns e os desamores de outros.

Vejo sentimentos de saudade e abandono de gente á quaal são negados os afetos devidos.

Vejo também gente nova criativa e feliz disposta a contrariar a adversidade...
...e penso como  há bem poucos anos isto não era possível, a criação de uma comunidade
virtual, que  não se conhecendo, abrem o coração para contar o que lhes vai na alma, para
escreverem maravilhosos poemas,  contarem experiência de vida, possibilidade  que antes apenas era reservada aos que por circunstâncias diversas podiam editar.

Aos que estão tristes,  desiludidos, e em desamor deixo uma mensagem: AMANHÃ SERÁ MELHOR... e pensem sempre que um ser humano mesmo caído no chão, ainda assim, pode olhar as estrelas.

A todos deixaria uma recomendação: ANALISEM OS AFETOS, pois é dando que se recebe e os afetos não têm preço nem custo, nem se adquirem no supermercado por muito dinheiro que se tenha.

Cuidemos todos dos nossos jardins, dos nossos afetos e já agora porque não formarmos o sindicato dos afetos?

flores de Portugal
 

quinta-feira, 9 de junho de 2011

NO REINO DA UTOPIA

Da janela do meu tempo, eu, LUIS DE CAMÕES, o poeta, com a minha obra suprema debaixo do braço, OS LUSÍADAS,  escrita em pergaminho amarelecido pelo tempo e pelas viagens,  caminho pelas ruas de Lisboa,  ...caminho no meio de um povo feliz e sorridente porque vive em segurança e tranquilidade, onde não há registos de assaltos nem violência, um reino que desconhece a violência doméstica, um reino onde mal tratar crianças é impensável,  um  reino onde só as cadeias são decrépitas ruinas por falta de utilidade, um reino onde está preservada nos monumentos  bem tratados a memória te todo um povo, um reino onde a justiça é rápida e gratuita, administrada por homens justos em belos edifícios onde nem chove como no meu tempo.

Da janela do meu tempo, eu que perdi um olho em lutas esforçadas,  por terras aos infieis conquistadas, mesmo assim limitado, vejo longe e distante e ali perto miro  o rio tejo  tão querido, ligado ao oceano que todos levava e onde só alguns retornavam cheios de bens, riquezas e glória nunca por outro povo alcançados.

Da janela do meu tempo   olho os meus concidadãos, gentes do tempo novo, homens, mulheres e crianças  que  nas ruas,  passeiam;  são pessoas felizes num  reino que amanhã dia 10,  festeja o  dia  que comemora a raça de navegadores, a raça de homens e mulheres que souberam  mostrar novos mundos ao mundo pequeno  e  limitado que então conheciam.

Da janela do meu tempo vejo  creches escolas e universidades (gratuitas) onde todas as crianças e jovens são iguais e sem fome, espalhando sorrisos de contentamento; vejo professores felizes com o seu trabalho, vejo estradas por onde modernos automóveis circulam  sem terem que pagar o dizimo pela sua utilização, vejo funcionários solicitos e felizes para com os que a eles se dirigem.

Da janela do meu tempo vejo hospitais onde todos os cuidados de saúde são gratuitos,  vejo lares onde os velhos e os diminuidos  são tratados com carinho e com afetos sem que para isso os familiares novos tenham que se esforçar a pagar.

Da janela do meu tempo vejo que este reino também vai festejar amanhã o meu nome,  pelos poemas  que escrevi, pelas lutas que travei e que orgulhosamente mostram a raça de gente que os Portugueses doutros tempos soubemos ser.

Da janela do meu tempo vejo um reino económicamente forte onde nunca foi necessária a intervenção do FMI, que eu sei, os portugueses detestariam.

Da janela do meu tempo apenas vejo um povo feliz, dirigido por governantes felizes mais preocupados com o PIA (produto interno de afetos) do que com o PIB que esse está firme como uma rocha.

Da janela do meu tempo vejo empregados e empregadores derramando entre eles cordialidade e afetos; que bom está o meu país nesta hera de 2011, onde nenhum trabalhador é despedido sem  justa causa.

Da janela do meu tempo vejo os empresários e industriais preocupados em que o novo governo que aí vem lhes dê mais benesses governamentais para as puderem redistribuir com os que para eles trabalham ajudando-os a amontoar mais riqueza e felicidade, vi banqueiros que nunca por nunca levaram bancos á falência, e que de igual maneira recebem ricos e pobres  para os ajudarem a progredir nos seus negócios.

Da janela do meu tempo vejo que a igreja não tem necessidade de distribuir alimentos aos que ficaram sem emprego como acontece noutros reinos do continente europeu.

E como da janela do meu tempo constato que iluminados governantes  tornam feliz o meu povo, tomo consciência de nada mais ter para cumprir porque PORTUGAL CUMPRIU-SE  e com um poema que me é tão caro vos deixo:

Os  bons vi sempre passar
no mundo graves tormentos;
e para mais me espantar,
os maus vi sempre nadar
em mares de contentamento.
Cuidando assim alcançar
o bem tão mal ordenado,
fui mau mas fui castigado.
Assim que,  só para mim,
anda o mundo concertado.

...Pôrra, o despertador tocou, a minha Maria vai para o trabalho, (até quando)... Afinal era só um sonho lindo, sou tão só o João, 
que continua sem trabalho  mas com ganas de escrever e perguntar:
QUO VADIS PORTUGAL

quinta-feira, 2 de junho de 2011

...A ESMOLA DE UMA CANÇÃO!

Poetas, esperemos com paciência!
Que a humanidade  um dia (quase morta
à mingua de alma, a civilização)
vergada ao peso inglório da ciência,
virá  à nossa porta mendigar
a esmola de uma canção!

Carlos Queirós (poeta português 1907/1949

Esta postagem tem só a intenção de lembrar que ontem como hoje
almas de portugueses sensiveis e esclarecidos recordam-nos o peso
efémero e inglório da ciência e da civilização

terça-feira, 31 de maio de 2011

Agradecimento

Comecei este meu blog a 14 de abril deste ano com a crónica NEGRA NOITE , impulsionado pelos meus amigos Carlos e Ana Pereira;   aos quais se juntaram o Carlos e Gina Melo, a  minha esposa Maria  as minhas filhas Diana e Ariana e a  neta Raquel  também ela bloguista.
Todos eles  conheciam a minha mania de escrever nas contra-capas e nas margens  de livros que ao longo da vida fui adquirindo.

Todos eles, que fazem parte da minha vida e dos meus afetos tiveram a teimosia subtil de despertarem  em mim o que  há muito  estava adormecido.

Mas sinceramente nunca pensei que passado pouco mais de um mês tivesse sido visitado e lido por 525 pessoas, algumas das quais se têm constituido seguidores de SONHARAFETOS.
Surpreende-me ainda  mais que muitos desses leitores sejam dos Estados Unidos, Brasil, Alemanha e Reino Unido.

A todos, os que me incentivaram,  os que me  lêem, e os que me seguem  e que são um novo incentivo à  minha criatividade  aqui deixo  expresso o meu agradecimento, uma flôr, um  abraço e  muito afeto

João Quitério


PORQUE GRITAM... os politicos

Não sou muito dado às coisas da politica; e como dizem os jovens  não é essa a minha onda, não é essa a minha praia,  mas fugiria á verdade se não dissesse que na juventude também eu
tive a minha epifania politica lá na terra.

Essa passagem foi curta mas recordo-me perfeitamente de ter aprendido rápido a importância de não gritar, antes comunicar, com quem tem a delicadeza de nos ouvir, e então,  falando baixo mas perceptível, tinha  três vantagens:
primeiro -  quem me ouvia acreditava  na sinceridade do que lhes dizia;
segundo  -  nunca parecia desesperado pelo resultado final;
terceiro   -  mostrava firmeza e convicção nas ideias e ideais que defendia.

Nesta campanha  eleitoral para as legislativas de 5 de junho de 2011 por vezes dou uma espreitadela
aos resumos da campanha e indigna-me a forma de comunicar dos nossos politicos.
Quase sem excepção eles não comunicam, antes gritam, berram, e quase  espumam de raiva  sem se
darem conta de olhar á sua volta e verificar que embora no meio de muita gente, ninguém os ouve;
porque ninguém ouve quem grita e o maior grito neste portugal de agora, é o grito mudo da legião de desempregados sem subsídio,  da legião dos que têm fome e a escondem,  da legião dos que precisam medicamentos e não os podem comprar, da legião dos que têm uma reforma de miséria, da legião
dos licenciados sem emprego, da legião  de jovens trintões  que se vêm forçados  a viver em casa dos pais, derrotados e sem futuro.   Todos gritam, por agora, em silêncio (até quando?)  e os politicos não os ouvem...

E porque não os ouvem?

Porque se repararmos nos curriculos dos nossos politicos, regra geral, todos nasceram em berços de prata ou de ouro quando não de platina...
Tivessem eles vindo das catacumbas da miséria onde por exemplo se forjou o politico brasileiro LULA DA SILVA e saberiam que é preciso dar para receber, semear para colher.

Ora se eu, pessoa simples,  sem titulo académico, sem carreirismo politico nas jotas, mas bem formado na universidade da vida na qual entrei aos onze anos, aprendi tão rápida e fácilmente as vantagens de não gritar, antes falar, interrogo-me frequentemente: PORQUE GRITAM OS  POLITICOS  PORTUGUESES.

Encerremos a nossa classe politica num conclave, fornecendo-lhes apenas pão e água para se alimentarem e ordenemos-lhes que têm 40 dias para se entenderem, para apresentarem ao país
a solução para TODOS os males que colocaram um país orgulhoso e nobre á beira da miséria e se o não conseguirem, peguemos então em homens simples, empresários, operários,  agricultores, desempregados e obscuros escribas e demos-lhes a mesma indicação pois tenho a certeza que a maioria dos portugueses acreditam que não seriam necessários quarenta dias para encontrarem uma solução e um entendimento.
Talvez assim  a democracia  e a independência  de PORTUGAL fosse salva.
Entretanto, como todos os simples, dia 5 vou arremessar o meu voto na urna como D.Quixote arremessava a sua lança  contra moinhos de vento.
Mas dia 5 de junho também é liturgicamente,  o dia da ascenção do senhor e quem sabe pode ser que ELE nos faça um MILAGRE...

quarta-feira, 25 de maio de 2011

ALMA DE PÁSSARO


Era uma dessas manhas primaverís cheia de sol e luz apenas cortada por uma leve brisa fresca.
A estrada N108 era antiga, e o que  se perdia  em conforto e velocidade, próprio das novas rotas, ganhava-se  pela oportunidade de se apreciar a paisagem; a estrada era  ladeada  por campos de verdes arbustos floridos próprios do interior de
Portugal.
Era possível disfrutar da vista encantadora dos verdilhões, tentilhões,  pintassilgos, e outra passarada a esvoaçar á passagem do automóvel.

Viajava eu, só, em direção a coimbra.

A passarada em desafio atravessava a estrada em vôos rasantes aos poucos automóveis que por ali passavam.

Contra a vidro do carro que me precedia bateu uma pequena ave que caíu inanimada no asfalto.
Parei o carro  para pegar e socorrer a ave de cores vivas e belas.
Mas o mais belo deparou-se-me de seguida...

Uma ave igual que para mim ficou claro, formava casal com a ave ferida,  em desespero,  demonstrado por um piar de aflição e batendo e bicando a companheira prostrada no asfalto,  esperava
que esta se erguesse do chão e a acompanhasse no vôo trágicamente interrompido.

Estupefacto com a demonstração de amor  daquela avezinha face à sua  companheira.
Peguei na que jazia no chão e coloquei-a na minha mão aberta.  O macho  cheio de vida cirandava á minha volta num piar desesperado; passados poucos minutos a femea ferida expirou.
Olhei para ela em pormenor, tratava-se de uma femea de verdilhão  e  estranhamente de um dos seus olhos vi sair uma lágrima em formato de pequena perola. e então acreditei  não ser possível que todos os animais vivos não possuam alma, porque se assim fosse Deus seria ou muito cruel ou muito distraído.
Desculpem-me os meus leitores por ventura mais frios, e menos dados ao apreciar da naturaza,  mas não me inibi naquele  momento  de através daquela pequena alma que nas minhas mãos se soltou, de enviar aos céus uma mensagem de afeto para alguém  especial que há tempos tinha perdido.
Coloquei a infortunada ave morta em cima de uma parede que ladeava a estrada,  e o companheiro lá continuou esvoaçando e piando aflitivamente, na esperança de que regressasse á vida...  e eu segui viagem...

E no que ali se passou  vi  tanta semelhança com o comportamento humano que  nunca mais aceitei que me dissessem que animal não tem alma e sentimento.

domingo, 22 de maio de 2011

ÁGUIA LUSITANA

Sou na cadeia da natureza uma  simples ave;  reconheço no entanto a minha importância pela imponência do meu porte, pela capacidade dos meus olhos verem coisas pequenas  a longas distâncias, pela largura e textura das minhas asas que me pertitem voar horas e horas sem descanso, pela capacidade das minhas garras  que me permitem agarrar as presas e fazer  pela vida. Afinal todos precisamos de comer... e até vós humanos precisais de matar para vos alimentardes.
Tenho tanta importância que  existe  até em Portugal um prestigiado clube de futebol que me adoptou como símbolo.
Mas a minha suprema vaidade é a minha prima americana, a mais aristocrática, a mais vaidosa da nossa familia, a  que a maior nação do mundo e  defensora da liberdade escolheu como   seu  simbolo.
Ela é tão vaidosa e com manias de jet set que roça por vezes tiques imperialistas;  mas gosto dela, somos familia e a família nunca se despreza no nosso círculo; esses  sentimentos baixos  deixamos a  alguns  humanos  que ainda não aprenderam o valor dos afetos.
Mas como em todas as famílias também eu tenho na minha memória genética histórias que nos atormentam;  mas não foi por culpa nossa, foi apenas  porque há mais de 6 decadas um senhor austro-germano de bigode ridículo  usou-nos como simbolo de bravura  dos seus exércitos que privavam de  liberdade os povos  mais fracos.  .
Ai meus amigos, como nós  gostariamos de não ter sido assim vilmente usadas. Mas outros exércitos houve que ao longo da história nos usaram sem que algum dos nossos antepassados fosse consultado.
Egipcios, Gregos, Romanos, Incas, Russos e outros mais.
Nós que fazemos jus á liberdade, sermos assim usadas não foi justo, não é justo, nem nunca será. 
Mas isto são histórias que um dia hei-de contar-vos.
Eu que sou a mais simples da linhagem, diferençada da Real que habita mais ao norte,  nasci do ato sexual de cenas tórridas de amor entre os meus pais,  num momento de descanso  entre  altos vôos num ninho pobre construido no cimo duma imponente fragada na  bela e grandiosa  serra   da  estrela situada no mais afetuoso  país do continente  europeu.
Chamam-lhe agora Portugal mas de outros tempos longínquos chega-me nos genes a informação  dos meus antepassados que dizem ter-se chamado   Lusitânia, um nome que até a mim me ficava bem.  Disseram-se que era uma terra de homens valentes, corajosos, honrados e que até deu ao mundo grandes escritores e poetas que concerteza  se ainda existissem não se calariam às atordodas da < prima  daquele senhor do bigode> que lá pelo centro da europa frequentemente fala deste lindo país  como se fossem uns miseráveis preguiçosos...
Isto não é comigo simples ÁGUIA COBREIRA  que em politica não me mêto, e que me esforço diáriamente por me alimentar aqui por estas vertentes da serra a fazer pela vidinha. Isso é lá com os humanos dados a essas coisas complicadas,  mas que me dói, dói, e fere os meus pergaminhos tão gloriosos. Afinal os meus antigos  até conheceram o VIRIATO; e outros  reis lusos.
 Bem  amigos,  eu tive um azar.  Como todas as jovens atrevi-me a voar um pouco para mais longe e lá para os lados de Portalegre fui ferid.  Foi então que  humanos caridosos que como eu também por aqui tratam das suas vidinhas que me recolheram e entregaram numa cidade chamada Gouveiae entregue á cervas,  um grupo de HOMENS E MULHERES NOVOS,  gente idealista dos novos tempos,  dessa coisa da ecologia...
Essa rapaziada tratou-me com carinho e atenção, alimentaram-me, e que trabalheira lhes dei,chegaram a não dormir e não sairem para a diversão noturna só para velarem o meu bem estar. Que vida de descanso que eu tive, nunca os vou esquecer.
Passados seis meses, lá no tempo deles, decidiram restituir-me á liberdade. Só não me pagaram o subsidio de doença,  explicando-me em surdina, porque esse tal de ministro que manda  nos dinheiros  cortou a verba.
Como foi belo o momento em que me largaram em liberdade nas encostas da serra, foi um momento tão importante para eles como para mim, estiquei as asas impulsionei-me para a frente e ainda dei uma volta de agradecimento. Os convidados eram  muitos, vieram em carros antigos luzidios,  homens e mulheres, e que mulheres... mas todos gente bonita a assistir ao momento do meu vôo rumo á liberdade e à procura do meu amado  com o qual vou construir o ninho onde brevemente criarei os meus filhos aos quais contarei um dia como nesta linda  serra existe gente tão boa, tão simples e tão afetuosa e hei-de mostrar-lhes as fotos daquele momento que também aqui neste blog vão ficar gravadas.
Bem hajam amigos, e porque eu vôo  mais alto do que vós e estou mais perto desse Senhor a que chamais Deus, se um dia o encontrar  não me esqauecerei de lhe dizer que vos proteja pelo que por mim fizeram.
Viva a liberdade de voar.

mãos firmes mas caridosas seguram-me
para me largar de seguida
o meu vôo rumo á liberdade.

O tratamento, cuidados e largada desta  águia pertenceu à CERVAS 
O tratamento e largada da ave é um facto real ao qual não assisti .
Os meus amigos Ana e carlos Pereira bloguista da vortex fotografaram.
o resto é somente ficção que me encheu a alma descrever.


quinta-feira, 19 de maio de 2011

MUSA

Chegas de mansinho,  pela noite quando a cidade dorme e as estrelas brilham.

Aninhas-me no teu peito aristocrático, diafano, quente e cheio de promessas;

acaricias-me com  mãos suaves  como quem tudo sabe e tudo me pode inspirar.

Esforço-me para tornar claras as ideias e paro de respirar,

quero reter na mente o momento e escrever  o  turbilhão de ideias, que me invade.

Mas tu  cruel amiga, às vezes és fugidia como um sonho de  breves instantes,

outras irrompes em mim como  a água da nascente incontrolada em busca do  caminho,

esmagas-me  sentimentos e ideias;

com a tua cimitarra flamante cortas-me  o coração e esmagas o meu querer.

E eu pobre mortal, adormeço no teu seio enganador;

e ás noites  lentas sucedem  os dias que vão passando em vão

e o engenho e arte vai faltando...

...e não consigo escrever.

Liberta-me, dá-me vida, deixa-me  voar.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Afetos

Mesmo que soubesse que apenas me restaria um dia de vida,
dedicar-me-ía a semear afectos,  como agricultor que lança a semente á terra
e sabe que é preciso ela morrer para nascer de novo.

à filha Diana Lara

Passaram trinta anos mas para mim é como se tivesse sido ontem.

Como se o tempo tivesse parado no espaço, olhei-a  e nos seus pequenitos olhos de anjo, arregalados, vi o mundo que era ela.

Foi assim o nosso primeiro encontro. Ficamos apaixonados como se de outro  tempo  nos conhecêssemos...

Prematuramente nascida, peguei-a no colo, envolvi-a num abraço suave como o vento que vem do espaço e abraça o mundo;  sentia-me como um oceano gigantesco e agitado.

Senti nesse momento a estranha e quase insuportável curva da felicidade.

Já noite, a caminho de casa parei no ponto mais alto por onde passamos e com a mãe protestando, pelo frio que podia a criança constipar, rodeados por um arvorêdo verdejante e com o rio douro serpenteando lá ao fundo entre as montanhas e os vinhedos, iluminados pelo efeito do luar de janeiro, ergui-a bem alto e apresentei-a às estrelas, então,  pedi ás forças  do universo que na vida, ela, sempre conhecêsse a essência do amor em todas as suas vertentes, para poder viver a grandeza de o repartir pelos outros; que conhecêsse a felicidade para poder passar pela vida sorrindo; que conhecêsse a beleza do sonho para vencer o futuro, a tenacidade para nunca desistir, a gratidão sem a qual seria desprovida de sentimentos; a generosidade para poder disfrutar de uma vida mais elevada; enfim... que um dia também ela fosse capaz de subir á montanha e escutar o muito que o silêncio  pode dizer ao coração.

Como qualquer pai, prometi esforçar-me sempre para a fazer feliz e se nem sempre o consegui foi porque o mundo era grande demais para mim, mas ainda hoje  como ontem,  lhe dedico  o  canto que lhe sussurava  ao ouvido enquanto a  embalava:
Vem comigo no meu barco azul,
vou-te levar,
para navegar nos mares da babilónia...






sábado, 30 de abril de 2011

Do Fernando Pessoa

Tenho pensamentos que, pudesse eu trazê-los á luz e dar-lhes vida,
emprestariam nova leveza às estrelas, nova beleza ao mundo, e maior amor ao coração dos homens.

Dei hoje comigo a meditar neste extraordinário pensamento que o imcomparável Fernando Pessoa escreveu...

Queria escrever sobre este pensamento mas falta-me o engenho e a arte; então decidi: vou continuar a meditá-lo já que um outro pensamento seu define a minha incapacidadde mas enobrece a minha alma:

Há tanta suavidade em nada dizer e tudo entender... (F. Pessoa)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

OS AMIGOS

Amigos são a família que escolhemos e que não nos foi imposta por convencionalismos de nome, de sangue, de adn ou de casamento.

Escolhemo-los por razões que na maior parte das vezes a razão desconhece mas o coração determina. São porque sâo e ponto.

Amigos há cujo coração é como a trepadeira, que onde se encosta cria raízes.

Ter amigos, é ver a solidão derrotada, é ter a verdade partilhada e praticada mesmo quando essa verdade dói e não vem ao encontro dos nossos ideais.

Mas ter amigos é uma grande tarefa, é um trabalho sem fim, uma construção permanente e alegre mas que também envolve renúncias e tristezas misturadas com a alegria de ver olhares limpidos e francos e corações abertos que se sentem a pulsar num abraço entusiasmado ou num apertar de mãos.

Ter amigos é como ser lavradores a cuidar da vinha, amigos que compartilham a boa colheita como a desgraça da sua perda.

Amigos que mesmo se de lábios fechados sabemos o seu pensamento de comunhão com as nossas alegrias e também com as nossas tristezas e derrotas.

Amigos que lêem na profundeza do nosso olhar o que nos vai na alma, o que nos atormenta.

Amigos cujo conhecimento vem de outro espaço e de outro tempo, migrados de outras vidas das quais não temos lembrança e que não sabemos explicar.

Amigos de um tempo só imaginável e explicável á luz da espiritualidade de um espaço que sucessivamente é preenchido repetitivamente até á perfeição que merecemos e ambicionamos e onde finalmente seremos um tôdo de luz.

A esses amigos, que sabem que o são, sem que lho diga, dedico esta crónica com tôda a minha amizade e o meu afecto.

sábado, 23 de abril de 2011

Eu e Samarkanda

Eu vim de longe, de muito longe, dum tempo e espaço que a memória não fixa mas que a alma e o coração conhecem.

Sou feito de uma mistura de modesto barro trasmontano e beirão; barro de que sao feitos os simples.

Sou um projecto inacabado e imperfeito que correu mundo, aprendendo,buscando, analisando e pensando.

Do meu pai, beirão, ficou-me algum gosto pela boémia.

Da minha mãe,trasmontana, o vício pelo trabalho.

Enfim... sou filho de uma estranha dualidade conflituosa, quase bipolar,que por vezes tive dificuldade de gerir e compreender.

Do avô materno,carpinteiro e músico aprendi a leveza, os afetos e a bondade que jamais em outro alguém conheci.

Em áfrica, onde passei a juventude e onde formei o caracter, aprendi a compreender o tempo que corre devagar, devagarinho, num convite cheio de mistério, languidão e feitiço, mostrando-me não valer a pena correr por aquilo que já é e sempre será... e toda a corrida e fuga terminará sempre, mas sempre, num encontro em Samarkanda.

E quando esse meu encontro em Samarkanda chegar e a minha luz se extinguir, espero não ser lembrado como o barro que fui mas sim como a porcelana em que desejei transformar-me.

E então minhas filhas, meus amigos, voltarei para longe, para muito longe e todos os que me amam e estimam fiquem tranquilos, pois comigo irá o meu coração e lá, onde espero chegar, já não terei medos nem receios e onde quer que me encontre serei feliz num local onde todos nos iremos encontrar.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

AMOR DE MÃE

A escrita tem destas coisas; assemelha-se ás cerejas nunca se tira só uma porque vêm sempre mais agarradas...
Vem isto a propósito da vontade indómita que me chegou de escrever,  e  já muito tenho para poder contar...
São, amigos, as vantagens do bom e do mau.
Do bom porque tenho tempo de sobra.
Do mal porque não tenho trabalho.
E nestas andanças do pensamento, que felizmente corre livre como o vento e sobre o qual ainda não temos que pagar impostos veio-me á recordação um grande amigo de angola, o Dr. Terêncio Lopes da Silva, advogado e brilhante professor que  numa noite amena de áfrica conversando sobre o amor mais elevado da terra, o amor de mãe, nos declamou um poema escrito por seu pai o professor Cabo Verdiano José Lopes da Silva, é mais ou menos assim:
Amas-me muito, (pergunta a amante ao jovem)
Sim amo-te muito,muito,  muito, um amor tão grande como o oceano que nos rodeia.
Meu querido, parece muito mas é tão pouco, quero mais.
Amo-te tanto que se pudesse dava-te a lua e as estrelas.
A lua e as estrelas não mas podes dar mas podes dar-me uma coisa que eu quero.
O quê pergunta o rapaz entusiasmado.
Dá-me o coração da tua mãe...
anda vai a casa dela tira-lhe o coração e trás-mo.
O louco e amante rapaz parte numa corrida a casa de sua mãe...
com loucura entre facadas  no peito mole tira o coração da mãe e corre com ele nas mãos...
De repente tropeça no caminho e cai no chão desamparado...
...e eis que de dentro do coração caído no chão uma voz débil diz:
MAGOAS-TE-TE MEU FILHO...

Então, ainda jovem dei comigo a pensar como é grande o amor de mãe que tudo sabe, tudo ignora e tudo perdôa e a partir desse dia mesmo nos momentos de aborrecimento com a minha mãe sempre me vinha á memória esta narrativa e a grande capacidade de amar que todas as mães têm.
...e de repente tudo passava, tudo estava bem.

NEGRA NOITE

Era uma negra noite de um dia que o meu cerebro, em auto defesa, decidiu não fixar; corria o ano de 96, eu esperava ansioso e inquieto e lá dentro no hospital,  médicos dedicados limpavam o que restava de um aborto espontaneo que a minha mulher, amiga e companheira sofrera.
Quando ela saíu transportava consigo a revolta e desilusão de um sonho desfeito. Com palavras cheias da leveza própria de quem encerra um ciclo apenas disse, perdi o meu menino...
Eu, no meu coração sentia  a mágoa das nossas dores, olhei o céu estrelado e no meu cerebro finalmente o entendimento de um pequeno poema de
Era uma negra noite de um dia que o meu cerebro, em auto defesa, decidiu não fixar; corria o ano de 96, eu esperava ansioso e inquieto e lá dentro no hospital, médicos dedicados limpavam o que restava de um aborto espontaneo que a minha mulher, amiga e companheira sofrera.
Quando ela saíu transportava consigo a revolta e desilusão de um sonho desfeito. Com palavras cheias da leveza própria de quem encerra um ciclo apenas disse, perdi o meu menino...
Eu, no meu coração sentia a mágoa das nossas dores, olhei o céu estrelado e no meu cerebro finalmente o entendimento de um pequeno poema de Fernando Pessoa: NÃO HÁ SAUDADE MAIOR E MAIS DOLOROSA QUE A SAUDADE DO QUE NÃO FOI.
Ela arrastou a sua tristeza por largo tempo de depressão e eu passei a dar mais valor a sonhos e afetos...
...e a vida continuou, e sobre ela não deixarei de escrever quando o sentimento ditar.
 Fernando Pessoa: NÃO HÁ SAUDADE MAIOR E MAIS DOLOROSA QUE A SAUDADE DO QUE NÃO FOI.
Ela arrastou a sua tristeza por largo tempo de depressão e eu passei a dar mais valor a sonhos e afetos...
...e a vida continuou, e sobre ela não deixarei de escrever quando o sentimento ditar.