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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A MARIA... e eu

mar de Leça da palmeira - foto vortex








Lembras-te Maria,  daquela tarde fresca de outono em que pegando-te na mão te disse:
Não vou fingir mais, nem ocultar a fome que sinto de ti, 
que me arde no peito e o meu olhar denuncía?... 
Anda, vem comigo!
Caminhemos juntos na procura do tempo...
Tu respondeste  decidida e firmemente:
vamos! e  sem olhares para trás puseste a tua mão na minha e não me seguiste; antes me acompanhaste, lado a lado como naus que partem  rumo à descoberta...

Eramos livros já lidos, com páginas viradas e amarrotadas mas tinhamos o saber de quem já conhecia as dificuldades que surgiriam na  caminhada...

Contei-te das minhas vitórias e derrotas dizendo-te, somos de barro,
mas embora de barro partido, ajudemo-nos... juntemos os sentimentos  enquanto é tempo... 
E  o tempo não é eterno...
Eterno apenas poderá ser o amor que consigamos encontrar no
tempo que se abre à nossa frente...

E foi...

Então  foi esse o primeiro dia do resto das  nossas vidas, e nas nossas vidas tens sido a Dulcineia que pacientemente acompanha este D. Quixote sem armadura, sem montada e sem espada,
dividido entre a realidade e o sonho, num combate entre os afetos e infortúnios que os nossos olhos vêem... e o mundo assolam. 

Era um fim de tarde e o sol escondia-se lá longe no mar calmo
e tranquilo de Leça irradiando uma luz avermelhada que nos encantou e que tomaste  como bom presságio; e ali, tendo apenas a natureza como testemunha com um terno beijo selamos o nosso compromisso.
Ficar juntos enquanto houver amor!...
Enquanto não houver dôr!...  
Não mais!...
Não menos!... 
Vivermos na expectativa de conseguirmos plantar um jardim e com ele adornar as nossas almas sem esperar e sem saber se a vida nos ía oferecer flores...

Fomos plantando o nosso jardim, e como (peixes) que somos, pacientemente navegámos em mares de calmaria e por vezes cavalgámos ondas revoltas mas sempre mantivemos o rumo com o olhar fixo  no longe e na miragem, no sonho,  no amor e no afeto que nos impulsionou...  e nos mantém juntos.

Mais tarde, juntos e sós, naquele hospital vivemos aquela negra noite  em que perdemos o nosso projecto de bébé, a flôr nossa, que faltou no  jardim onde já existiam o teu cravo e as minhas duas rosas.  
Lembro-me da tua tristeza, mas aprendemos,  não haver na vida saudade maior e mais dolorosa do que a saudade do que era para ser e não foi... como disse Pessoa.

Maria, parece que tudo começou  ontem... mas  não, faz  dezasseis anos!...
Dezasseis anos que passaram rápidos como estrela cadente sintilante que rasga o céu  por sobre o mar iluminando o espaço e ignorando
o tempo.  
...E agora voltamos ao mesmo local e como se o tempo tivesse parado te digo novamente: anda, vem comigo...é que ainda não morreu em mim  a fome que sinto de ti e que me arde no peito...
Anda, vem comigo...

...E eu seguro de que vens estendo-te a mão e seguiremos novamente como ano após ano o fazemos.
Enquanto houver amor!...
Enquanto não houver dor!...
Não mais, não menos...
É que ambos somos almas apreciadoras do tudo ou nada...
E meios termos não se nos aplicam...
Anda, vem comigo!...

Com o meu amor e o meu afeto.
João Quitério
Outubro de 2011

sábado, 22 de outubro de 2011

CRIANÇA DUPLAMENTE ATROPELADA

A notícia é brutal e corre o mundo!... Eu, tomei conhecimento
dela através da SIC notícias!... e confesso que até conseguiu que
me esqueça da triste realidade da politica e das finanças deste
país.

Uma menina de dois anos, num mercado da china, é insólitamente
esmagada por uma viatura... O condutor para momentaneamente, hesita mas segue tranquilamente a viagem!...
Durante minutos de agonia para a criança, passam dezoito, dezoito
(pessoas), seriam pessoas?... Eram pessoas sim. A pé, de bicicleta,
de automóvel, até que uma segunda viatura, passa ela também por
cima da criança como se de trapos velhos se tratasse.
Só a décima nona pessoa, uma mulher da limpeza camarária, à
criança se dirigiu e pediu socorro para ela...

Foi na China, onde a cotação das meninas é muito mais baixa do que uma tigela de arroz; mas poderia sêr em qualquer outra parte
do mundo...
Procuro  deseesperadamente palavras e não as encontro para definir a humanidade que á míngua de alma, de amor, de afeto
e de solidariedade se permite deixar-se viver perante tamanha
vergonha, tamanha desonra dos mais elementares principios de
falta de amor ao próximo... 
Quando olhamos de lado uma terna criança que sofre e não a
socorremos devemos interrogar a nossa consciência e mesmo
questionar Deus do porquê de atitudes tão aviltantes de que somos
capazes.
E como se passou na China, Confúcio diria: até que o sol brilhe
acendamos uma vela para não tatearmos na escuridão...

Eu, ocidental, Cristão e ainda crente em Deus; já não o interrogo, já não o questiono, já nem acendo uma vela que me tire da escuridão;  peço-lhe apenas que se ainda mereço o seu favôr,me tire deste filme que dói demais e já nem me permite verter lágrimas.

A todas as crianças que sofrem deixo o meu abraço
e o meu afeto. Os outros já não me importam...
João Quitério

 

sábado, 8 de outubro de 2011

DEUS... e eu









Olá meu Deus.
Eu sei que em tempos tivemos uma relação melhor que a actual, mas não Te importes muito com isso... Foi a vida...
E desencontros entre pai e filho por vezes acontecem...

Também com o meu pai fisico tive os meus arrufos e as minhas discussões, como neste momento quero ter Contigo. 

Também ele por vezes, me tratou menos bem, mas nem por isso, acredito, deixou de me amar; e se contas tinha comigo a Ti já as prestou há muito tempo...
...E sabes, nunca Te disse, nunca me queixei,  mas hoje que decidi ter Contigo uma conversa séria, que há muito desejo, e de coração aberto, confesso-te nunca ter esquecido que mo levaste demasiado cedo, o que considero uma injustiça e uma maldade da Tua parte...
Eu era ainda tão jovem!... Doze anos!  e dele tanto precisava!..
Mas vê, além disso já me tiras-Te na vida tantas coisas e me matas-te tantos sonhos!...
E mesmo assim estou-te agradecido porque ainda me conservas
a dignidade de estar de pé, a desejar cair  como cai uma árvore...
Mas essa mágoa, já lá vai... E o ressentimento com o tempo foi passando mas olha, não foi esquecido.

Entendo portanto,ser esta uma razão mais  que suficiente  para Te interrogar.
Para  Contigo conversar sobre o que vai mal no meu país e num mundo cada vez mais desigual, mais desumanizado e vil para com os fracos e pobres e sorridente e alegre para com os fortes e poderosos...

Eu não queria de maneira nenhuma concordar com o Luís de Camões,  que escreveu: no mundo vi passar os bons, grandes tormentos enquanto os maus vi nadar em mares de contentamento...
O quê? que Camões era um louco pessimista?
Ai não; essa não Te aceito! Essa é treta dos politicos portugueses e fazer politica, desculpa, mas fica-Te mal...

E já agora que estou aqui frágil e pequenino  como grão de areia,
em mais uma das muitas noites do meu descontentamento, debaixo
do céu estrelado que me ensinaram, criado por ti... Diz-me: 
Porque crianças, são violadas incluindo por alguns dos teus representantes na terra?
Diz-me também Deus porque pessoas desesperadas, perdido o trabalho, o pão e a dignidade se suicidam?
Esclarece-me também a que se destinam as catástrofes naturais e
porque matam mais pobres que ricos?
Responde-me também porque pais matam filhos, filhos matam pais, irmãos matam irmãos? Porque mães renegam os filhos e os abandonam acabados de nascer? Porquê o seu desespero?
Porque homens poderosos da finança sentados em luxuosas poltronas com um simples clic no pc fazem fortunas colossais, em segundos, entre duas bebidas de grande qualidade enquanto outros sucumbem à sêde e á fome e aainda outros trabalham de sol a sol
para receberemum salário de miséria?
Vá lá! diz-me?...
...Porque esses senhores colocam países e continentes à beira da falência e da banca rôta?
Porque os sacrifícios da retoma nesses países recaem sempre nos mesmos? Trabalhadores com empregos mal remunerados ou mesmo
sem trabalho?
Porque um pobre rouba e um rico desvia? Explica-me a diferença?
Porque nos tribunais dos homens, ricos e pobres não têm oportunidades iguais?
Porque no meu país pagaram para  acabar com as pescas? Pagaram para acabar com a agricultura? Pagaram para fechar fábricas?
Porque os países poderosos subjugam os países fracos?
Porque  crianças nascem com doenças mortais sem hipotese de
desfrutarem das belezas do mundo que me ensinaram criás-Te?
Porque Tu, tôdo poderoso senhor do Universo não salvas-te o teu filho quando na cruz agonizava.
Porquê?... Porquê?... Porquê?... 
E tantos porquês que não relato,  para não Te maçar; mas sabes que estão na minha mente.

Não! não posso acreditar que digas o mesmo  por mim sempre
ouvido  e já interiorisado!
O livre arbítrio de cada um em fazer o bem ou o mal?...
Não! não posso crêr!..
Afinal ensinaram-me que Tu és Deus todo poderoso e não
podes pôr ordem nesta desordem existente nesta bola de fogo
e lama que vagueia no espaço?

Respeitosamente, meu Deus, Te digo, que para uma resposta desse
tipo bastava-me perguntar a sua excelência, o Cavaco, o tal que nunca tem dúvidas e nunca se engana...
Senhor!... 
Quando tiveres um tempinho, dá-me um sonho clarificador como o que deste a ao meu parente Abraão, que  acabe com esta dúvida que há tempos me atormenta:
aí em cima somos todos realmente iguais?...

Olha meu  Deus, deixo-te com o meu abraço,  o meu afeto e as minhas dúvidas
João Quitério







quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O PRESIDENTE e eu...



No discurso de Cavaco dia 5 de outubro tomei a devida nota sobre três conselhos importantes que o presidente me deu.

Que devo poupar mais:
Como o fazer se já estou sem qualquer rendimento há 7 meses e não
sou único, (antes fosse)!...

Que devo trabalhar mais:
Como o farei, se à semelhança de muitos outros, o trabalho foge
de mim como o diabo foge da Cruz!...

Trabalhar melhor:
Como  fazer melhor se os poucos trabalhos que não aparecem, mesmo esses são reservados, (para futuro) a jovens e eu já sou madurito!...

Mas o meu problema e de muitos outros não, deve tirar o sono
a sua excelência como o não tirou aos inumeros inspectores e
responsáveis da Segurança Social do Norte a quem em março
denunciei a entidade patronal por me obrigar a trabalhar sem rêde,
(leia-se segurança social), em electrónica, durante anos a fio...
A minha exigência  levou esse senhor patronal a despedir-me por
telefone a 12 de março, sabado...

Segunda feira 14 de março, as fechaduras estavam mudadas e a
oficina vazia...
Contam-me que reabriu semanas depois com novo numero fiscal...
E o trágico é que em tribunal, eu é que terei que fazer prova testemunhal...

É verdade amigos leitores, e os governantes, e patrões lá vão cantando, almoçando e viajando em bons carros e rindo...
E se não fosse trágico, seria cómico... 

A todos o meu abraço e o meu afeto.
João Quitério







segunda-feira, 3 de outubro de 2011

SEMELHANÇAS... assustadoras

(Sei muito bem o que quero e para onde vou, mas não se me exija
que chegue ao fim em poucos meses.
No mais, que o país estude, represente, reclame, discuta, mas que OBEDEÇA, quando se chegar à altura de mandar...)

Não amigos, não se trata de um discurso de Vitor Gaspar nem
de Passos Coelho...
Esta é uma passagem do discurso  proferido por Salazar no dia 27 de abril de 1928 na tomada de posse como ministro das finanças de Portugal.
Mas se ressalvarmos terminologias verbais,  agora muito mais  elaboradas com mais técnicas e exotéricas maneiras  de comunicar, para que poucos entendam, a semelhança é assustadora...

Salazar para ser obedecido, demorou 5 anos a criar a polícia de vigilância e defesa do estado, (1933) e mais tarde a PIDE em (1945).

Coelho, corre mais rápido,  como coelho que é...
Aos cem dias de governo, anuncia-nos a criação de uma (vaquinha entre o SIS,  a PSP e GNR, que nunca se deram muito bem entre si,)  para neutralizar as arruaças daqueles
cujo desemprego, mau emprego, e fome atormentam.

E aqui recordo-me de amigos de infância,  que quando eram presos pelas polícias, depois da porrada, se davam por muito satisfeitos porque lá na esquadra sempre tinham que lhes dar comida que os pais em casa não possuíam.

Talvez venha aí uma nova forma de matar a fome á legião de
desempregados que como Cristina e Pedro não encontram
apoios em lado nenhum.
Como dói amigos a indignação e a revolta ao constatar que
passados 83 anos!!!!!, oitenta e três anos!!! voltamos ao inicio
de tempos não admissíveis de nos quererem calar a revolta e o grito que nas gargantas sufoca os sentimentos!

Como é possível, que em 83 anos os ilustres e sapientes homens
da economia não tenham criado mecanismos para a criação de
uma nova ordem económica e financeira que acabe com a miséria e a indigência que nos espreita!

Como é possível que em 83 anos os doutos licenciados  não tivessem aprendido que a saúde, os transportes públicos, as águas, a luz o saneamento e a  educação, num estado de direito não se destinam a dar lucro mas sim e tão só a servir as populações.

Vamos amigos procurar nos campos ervas para nos curarmos. Comprar um burrito para as deslocações ao centro de emprego  na procura do trabalho que não existe.
Com o cantaro vamos às fontes buscar água.
Acender candeias de azeite e petroleo...
 Usar os campos para defecar.
Mandar os filhos para a escola e universidade da rua e da vida.

A pôrra toda é se depois os doutos iluminados também privatizam as soluções que preconizo a favor dos seus amigos do grande capital.
Por agora apliquemos a receita mas em segredo...

E não digo nem mais uma palavra! 
O coração pode explodir de indignação!
O cerebro derramar!...

NÃO OBEDEÇAM porque mesmo na noite mais triste, em tempo de solidão, há sempre alguém que resiste, há sempre
alguém que diz não...

...e quem sabe? Também há sempre uma cadeira para cumprir uma missão.

O meu abraço e o meu afeto a todos os que partilham comigo a indignação e me têm feito chegar menssagens de apoio e afeto.
João Quitério
Bem hajam.





quinta-feira, 29 de setembro de 2011

DESESPERO

 Estação de Paço de Arcos. Foto cor. da manhã
Dois irmãos, Cristina 53 anos, Pedro 57 anos; desesperados, desempregados, despejados, sem dinheiro e com apoios negados em tôdo o lado a que recorreram atiraram-se para a linha do comboio
na estação de Paço de Arcos. (noticia do Correio da Manhã)

Se morreram?...
Claro que morreram, Cristina imediatamente e Pedro veio a falecer no hospital.
No seu bolso a polícia encontrou uma carta que fere e dói, mesmo quem no meio da própria desgraça ainda reserva um pouco de amor pelos outros que transportam no seu coração a amargura de se sentirem sós e na mente a desdita do  fado que nos consome a alma,  a crença e a fé.
E aqui lembro-me duma frase de um padre missionário espanhol, desses contestados pela hierarquia romana:
como falar de Deus a pessoas cujo Deus para eles é a solução do
seu problema?
Provávelmente cristãos, os dois irmãos teriam no seu coração
ocupado algum tempo a falar e a temer a Deus pelo acto que íam
cometer; mas na verdade quando há fome o Deus é o pão e o trabalho que teima em não aparecer...

Alberto trabalhou numa agência publicitária de onde foi despedido
há 3 anos, Cristina nunca trabalhou cuidava do irmão e até há
algum tempo da mãe que faleceu com 88 anos e que era a
detentora do contrato de arrendamento.
Foram despejados e viram-se caídos na indigência que infelizmente
se tornará cada vez mais apanágio de um país cujos governos
são incapazes de tocar nos bolsos dos ricos e poderosos.

Um país onde as leis do trabalho,  do apoio social e da saúde
são espezinhadas e diminuidas de cada vez que qualquer ministro
fala. Em 100 dias de governo raro foi o dia em que a visão governamental não se focou nos cortes dos já pobres beneficios
de que usufruíamos.
Sobre as fortunas de Portugueses situados no ranking das maiores do mundo ainda nenhum ministro se pronunciou...

Penso que acontecimentos como este se vão repetir dado o desespero e a desesperança de que o país padece, mas talvez os
rapazes  do governo se comecem a preocupar quando as patronais
poderosas se derem conta de que já não há dinheiro nas  mãos
do povo para lhes comprar os seus produtos.

Então, o Coelho apaga a luz, o Portas fecha a porta e o Cavaco
assina o decreto de encerramento do país, sempre a bem da Nação


Para a Cristina e o Pedro deixo uma flôr e uma oração
na esperança de que o seu acto desperte consciências...



Sem mais palavras...
João Quitério





  

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

OS TRES BARÕES e o Zé...





Hoje pela manhã telefonou-me o Zé e foi dizendo:

-amigo: já viste? já viste?...

-Vi o quê Zé?

-O gaspar do lado do patronato a tirar-nos o pão e o emprego...

-O Miguel do lado da psp a preparar o pau... (o único com aumento de 400 milhões  no orçamento)  para apetrechar as polícias e zurzir  na malta...

-E o Coelho do lado deles todos a ameaçar: se as redes sociais  organizarem multidões, e manifestações estamos cá e seremos......... nem te digo..... nem te digo......

 -E o Zé desligou celere e eu fiquei a pensar... serão capazes?


 com abraço, com afeto haja paciência...
João Quitério

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O TRUÃO E O PODER



Nos tempos medievais as monarquias dispunham sempre da figura do truão.
Figura  atipada, uma mistura de bôbo, palhaço, saltimbanco e dançarino que saltitando  entre cortesãos e cortesâs os ajudavam
a passar  as longas noites aborrecidas e chatas onde imperavam
as boas comidas e os bons vinhos.
Entende-se e compreende-se que assim fosse, não dispunham ao
tempo de rádio e muito menos de televisão para se entreterem e um
bôbo que os animasse e dêles próprios fosse, simpáticamente 
critico e lhes proporcionasse umas boas gargalhadas, já que inofensivo, dispunha-os bem para a noitada que se seguiria nas
ricas camas de docel por entre as sêdas, linhos e saias de organza.

Os truões de então, por viverem no meio da fartura e da realeza
chegavam mesmo a esquecer-se da sua condição de servidores
e para o povão davam-se até ares de superioridade dada a sua
proximidade com o poder.
No entanto os truões tinham sempre que ter muito cuidado com as criticas por vezes mordazes que dirigiam à realeza poderosa; jamais
poderiam chamar-lhes cubanos, cambada, gays e outros mimos
e disparates que se nesse tempo existiam, só podiam ser ditos muito
baixinho.
No fundo, no fundo eles tinham que administrar muito bem o capital
que lhes era confiado...

Não amigos leitores, afastem esse pensamento que acabaram de
ter...
Qualquer semelhança com o que estão a pensar é só e apenas
uma divagação maldosa das vossas mentes retorcidas que sentem
uma vontade mórbida, de comparação com alguém do nosso tempo próximo ou por dentro do poder.
Hoje isso não existe nem é possível, e todos vivemos felizes porque
essa figura tradicional do tempo medieval não existe em Portugal...
Eu,  apenas quis recordar uma figura histórica  e histérica perdida
no tempo...
Com afeto e um abraço
João Quitério

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O ZÉ (povinho) E EU






O ZÉ pov. omeuflashblogspot


Foi nos aliados, à saída do metro que me encontrei com o ZÉ e o cumprimentei.

-Então ZÈ como vai a vida, já encontraste trabalho?

Interrompendo-me, puxou para trás o chapéu e de rajada  começou um quase monólogo ao seu geito:

Olha João: o Salazar queria que no futuro eu fosse feliz, acumulou toneladas de ouro... mas mandava a pide atrás de mim; caíu da cadeira e só nessa altura me fez feliz... 

-Ó ZÈ, mas...

E continuou sem parar: 

-Qual mas nem meio mas...O Caetano até tinha comigo conversas em família e também manifestava o desejo de que eu fosse feliz no futuro;  então  pensei: agora  talvez a coisa vá...  mas mandava censurar o que eu escrevia e não fui feliz...

-Ó zé! Mas sempre havia trabalho...

Ele continuou mais entusiasmado:

-A revolução dos cravos despediu o Caetano e então veio a liberdade e com ela a democracia; essa forma  de governar e ser governado, que  não sendo  perfeita, é pelo menos  mais justa. 
Fui feliz, e por momentos acendeu-se de novo a esperança no meu peito, mas murchou tão rápido como murcharam os cravos. 
Desanimei mas os governantes que se seguiram, sem excepção, todos me prometeram  que eu seria feliz no futuro... E eu esperei... 
Mas a realidade é que fiquei sempre  esperando...
Eles teimam que eu apenas seja feliz no futuro, mas o futuro  ou
não sei o que é, ou então de burro que sou não o encontro, e não tenho GPS que me ajude.
Agora até o meu patrão  me despediu dizendo que talvez no futuro...
Já consultei adivinhos e videntes  para saber onde encontro o futuro
mas nem eles sabem onde pára.
Olha amigo, desesperado fui lá cima à aldeia, subi à montanha e como um maluquinho perguntei ao vento e também ele nada me disse...

-Ora ZÉ agora talvez a coisa...

-Não,  pôrra!
-Eu tenho direito a ser feliz hoje, agora, já... e eles só me querem feliz no futuro, e cada fornada de governantes que vão surgindo é pior que a anterior.
Todos me pedem sacrifícios para o futuro, todos me prometem ser feliz  no futuro que nunca mais encontro.
As finanças e os banqueiros fizeram uma vaquinha e juntos  já
me tiraram as mobilias, o carro e a casa, e agora para cúmulo 
até o merceeiro me quer penhorar o chapéu; diz que pode vir a precisar dêle quando tiver que ir para uma esquina pedir esmola.

Desanimado com a raiva que lhe ía na alma, mas cantarolando:
eles comem tudo, eles comem tudo... O ZÉ lá partiu  cabisbaixo, 
à procura do trabalho e do futuro que não encontra. 
Rápido como chegou, foi andando mas fazendo um real manguito, dizia: para eles... para eles...
...e acrescentou ao aceno de adeus:
João: se não nos encontrarmos antes, vemo-nos daqui a quatro anos quando fôrmos votar... no futuro, no futuro 
Deu um geito ao chapéu  e lá se perdeu no meio doutros tantos que também andavam à procura desse tal de futuro.
 
O ZÉ  no seu melhor. Foto vidas lusofonas

Ao meu amigo ZÉ,nem me atrevi a dizer que o amanhã será melhor,  (senão fôr pior)
Para o ZÉ o meu abraço e muito afeto
João Quitério

 

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

LULA DA SILVA






LULA DA SILVA EM LISBOA





Lula da Silva, o ex-presidente do Brasil, ou Lula da Silva o
ex-operário e sindicalista brasileiro esteve em Lisboa e no seu
geito carismático, simpático e envolvente lembrou os iluminados
Portugueses das finanças e da economia: PRIMEIRO AS PESSOAS, depois os numeros... O FMI NÃO VAI RESOLVER O PROBLEMA DE PORTUGAL como não resolveu o problema do Brasil...

Já não é a primeira vez que Lula fala para os iluminados
Portugueses mas porque será que não o ouvem?
Inveja do ex-presidente? 
Inveja do ex-operário?
Ou falta de modéstia dos iluminados catedráticos portugueses
em aprenderem com Lula como se faz...

Mas já nada me admira neste país cuja maior cobertura dos
midia a Lula, foi a visita que fez a um clube e ao seu campo
de futebol.
Aprendam rapazes...  aprendam com quem sabe.

O meu abraço e o meu afeto a Lula...

João Quitério



O GASPAR e a mirra








O nosso  Gaspar - foto do Jornal de notícias


Do  Gaspar, os da minha geração, embora já com cabelos brancos, guardamos a imagem daquele simpático Rei mago, negro, envolto no seu manto branco e reluzente que levou a mirra cheirosa como oferenda ao nascido Jesus, filho de Deus.
A ele e aos outros dois reis magos ficou associada nas nossas
mentes a entrega de presentes natalícios, a fartura e alegria...
Mas curiosamente nunca nos perguntamos em crianças de onde
veio Gaspar... mas tão pouco isso nos importava na nossa meninice
irreverente e alegre.

Dei comigo a meditar com preocupação na imagem que os nossos filhos e netos irão ter do gaspar... Não o Gaspar que montado num camelo se deslocou até Belém na palestina,  para ajoelhado por terra humildemente oferecer ao Deus menino os cheiros da mirra, mas sim  o gaspar dos nossos pesadelos que vindo, (eles também não saberão de onde,)  montado num reluzente automóvel até "Belém
de Lisboa" para tomar posse do ministério das finanças deste Portugal reverente e submisso à beira mar plantado... 

Estremeço e uma ideia me atormenta:
O Gaspar da Biblia chegou humildemente para depositar aos pés do Menino os cheiros de mirra...
nosso gaspar chegou de forma sobranceira e professoral não para
oferecer aos meninos os cheiros de mirra mas para mirrar todos
os sonhos dos meninos, e dos pais dos meninos deste tempo, envergando a altivez  dos que pensam que tudo sabem, mas que  começamos a entender que, afinal tudo ignoram...

Crianças de Portugal, este ano o gaspar veio, mas sim para vos tirar os sonhos de natal e provocar pesadelos aos vossos pais...


Com o meu abraço e o meu afeto desejo que as nossas crianças e os pais possam continuar a sonhar.

João Quitério


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

JN - QUATRO DIAS QUATRO MORTES




Da minha janela espreitei o mundo...

Como num sonho, é recorrente o que vejo e leio: homem mata
a esposa, (ou companheira), é igual...

E foi isto durante 4 dias...
Durante 4 dias o horror, de quem muitas vezes morre, porque
as autoridades não ouviram os seus apelos, (ele mata-me...)
Ou porque quando a polícia  cumpre o seu dever os apresenta aos juizes, que perante a lei  vigente apenas os podem mandar embora...

E enquanto nos vamos  angustiando com a realidade  da
violência conjugal neste país da saudade e do fado triste,
ninguém faz nada para alterar  esta lei que só é utilizável 
depois de  uma mulher perder a vida. Preventivamente nada
se fez ou faz.

São só 4 mortes em 4 dias; podiam ser mais, mas são estatisticamente, só 4 vidas em 4 dias.
E sobre o assunto:
O ministro  da tutela falou?  se falou ninguém ouviu nada.
Os deputados falaram? se falaram ninguém os ouviu.
Porque haveriam de falar???
Pôrra!!! São só 4 mulheres... não mortas mas abatidas por maridos, ou companheiros loucos e um deles até era polícia;
e a arma  que a matou era a arma que lhe confiaram para
defender vidas...

Brados aos céus...

Mas é claro, neste país NÃO SE PASSA NADA... 
...e entretanto também andamos todos entretidos a ouvir
o ministro das finanças, que esse sim, fala muito todos os dias   no seu ar superior,  professoral e com rodriguinhos, e nos mata a esperança e aviva a vontade de não termos nascido Portugueses.

Mais palavras para quê?




segunda-feira, 29 de agosto de 2011

MEU DEUS PORQUÊ? as crianças!...








Lirios para as crianças vitimas de violência



A semana passada a notícia arrepiante: pai com criança de seis
anos atira-se à linha do comboio em póvoa de Santa Iria:
(razão) do acto: a esposa e mãe da criança assassinada havia-o deixado...

Na mesma semana, via facebook chega até nós outra notícia:
mãe espanca de tal maneira o filhote que este lhe morre nas
mãos:  
(razão) do acto: a criança chegou junto dela dizendo que com
o seu baton tinha escrito uma coisa bonita no lençol da cama...

A mãe, antes de verificar o estrago, parte para a agressão louca e com espanto seu a criança morre nas suas mãos;
é então que ela depois vai vêr o estrago do lençol que a criança havia escrito, olhou-o, e verifica que apenas dizia:
MAMÃ GOSTO MUITO DE TI...


Faltam-me as palavras e a vontade de comentar estes
e outros actos de violência contra crianças sempre indefesas...
Mas direi:  o céu chora e as estrelas perdem brilho.

Permito-me só e apenas  interrogar: porquê  as crianças meu
Deus?

Talvez um dia ELE me responda...

Por agora fico-me com este pensamento de Nelson Mandela:

"QUE MUNDO É ESTE QUE PERMITE A FOME E A VIOLENCIA SOBRE CRIANÇAS"
  


A todos os que  abominam a violência sobre crianças
deixo o meu abraço e o meu afeto.
João Quitério


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

CARTA DE UM CONTRATADO




mulher de Angola  de autor não identificado





De António Jacinto,  poeta, (o branco mais negro de Angola)







Eu queria escrever-te uma carta amor...

Eu queria escrever-te uma carta amor,
uma carta que dissesse deste anseio de te ver,
deste receio de te perder,
deste mais bem querer que sinto,
deste mal indefinido que me persegue,
desta saudade a que vivo todo entregue...

Eu queria escrever-te uma carta amor,
uma carta de confidências intimas,
uma carta de lembranças de ti,
de ti, dos teus lábios vermelhos como tacula
dos teus cabelos negros como diloa,
dos teus olhos doces como maboque,
do teu andar de onça
e dos teus carinhos que maiores
não encontrei por aí...

Eu queria escrever-te uma carta amor,
que recordasse os nossos tempos na capôpa,
nossas noites perdidas no capim,
que recordasse a sombra que nos caía dos jambos,
o luar que se coava das palmeiras sem fim,
que recordasse a loucura da nossa paixão
e a amargura da nossa separação...

Eu queria escrever-te uma carta amor,
que a não lesses sem suspirar,
que a escondesses do pai Bombo,
que a sonegasses da mãe Kieza,
que a relesses sem a frieza do esquecimento,
uma carta que em todo o kilombo
outra a ela não tivesse merecimento...

Eu queria escrever-te uma carta amor,
uma carta que ta levasse o vento que passa,
uma carta que os cajús e cafeeiros,
que as hienas e palancas,
que os jacarés e bagres pudessem entender;
para que se o vento a perdesse no caminho, 
bichos e plantas compadecidos do nosso pungente sofrer;
de canto em canto, de lamento em lamento,
de farfalhar em farfalhar,
te levassem puras e quentes 
as palavras ardentes ,
as palavras magoadas da minha carta
que eu queria escrever-te amor...

Eu queria escrever-te uma carta....

Mas ah! Meu amor,
eu não sei compreender ,
porque é, porque é, porque é meu bem
que tu não sabes ler....
E eu... Oh! Desespero!...
Também não sei escrever...

vocabulário
tacula: madeira avermelhada
dilôa: barro escuro, lôdo
macongue: fruta de pôlpa doce
aboque:fruto azedo
capôpa: pequeno  riacho


António Jacinto, 1924-1991 - poeta e escritor angolano, de origens em Alfandega da Fé, Bragança, branco de raça,  negro de coração, foi talvez, o poeta e escritor branco,
mais negro de Angola; nasceu em Luanda, mas registado no Golungo alto  e faleceu em Lisba.
Foi sepultado em Luanda.
.
Contestatário politico esteve exilado de 1960 a 1972  no tarrafal (prisão politica em Cabo Verde)
Após a independência foi ministro da cultura no governo de Agostinho Neto.

Porque África em geral e Angola em particular possui um feitiço que nenhuma mézinha cura,
de quando em vez  a ela e aos seus dedico espaço neste blog. Afinal, foi lá que cresci!...
E é dela esta saudade magoada que o vento por vezes teima em trazer-me com o seu cheiro
a terra molhada, a terra magoada.
A todos os leitores e em especial aos que em Angola me lêem deixo...
O meu abraço e o meu afeto.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A FLÔR DA PAIXÃO

De beleza extraordinária a flor do maracujá
Também conhecida por flor da paixão (fotos do autor do blog)



Esta flor de extraordinária beleza pertence à família das
(passifloriaceae), abrem na exposição solar e fecham-se
pelo fim da tarde. Oriundas da região tropical da américa
do sul, especialmente do Brasil.
Por capricho da natureza também se encontra em raros
locais de Portugal. Estas que aqui apresento foram
fotografadas por mim em Vila nova de gaia, distrito
do Porto. Faço a sua postagem, aqui, no sonharafetos,
por me ter impressionado a sua beleza cheia de cores
harmoniosas e partilhá-las com os meus leitores e seguidores.

A flôr dá origem ao fruto maracujá e também é conhecida
e utilizada para chá, sendo-lhe conhecida a sua importância
como anti-inflamatório e também como calmante.

A flor que também é conhecida por -Flor da paixão- deve
este nome ao facto de  ter desenhada a coroa de espinhos,
as cingo chagas de Cristo e o pormenor dos três pregos
que fixaram Jesus na cruz.





as flores pela manhã abrindo sob o efeito do sol











quarta-feira, 17 de agosto de 2011

MULHERES BALZAQUIANAS

Honore Balzac 20/5/1799-18/8/1850















Quando no século dezanove o Sr. Honore Balzac,  escritor francês, que faz hoje 161 anos que morreu, escreveu (a mulher de 30 anos), talvez a sua obra mais conhecida do público em geral, mas também a mais polémica,  e aos olhos de muitos criticos a menos conseguida, abriu ao mundo uma nova designação das mulheres trintonas: (as balzaquianas)...

O escritor, mais do que um simples romance descreve a imagem
histórica do período pós revolucionário francês.

No romance desfilam relatos da inquietude das mulheres, retratadas no personagem central  Júlia d´ Aiglemont mulher trintona, mal casada, sofredora, obediente mas pouco resignada,  e consciente das imperfeições da instituição do casamento.

Através desta obra e das suas posições publicas, Balzac presta um inestimável serviço  às mulheres oprimidas da época, que frequentemente, como Júlia, casada com base nos interesses e
ideais de riqueza visionados por seu pai a levam a um casamento infeliz.

Mas Balzac quiz também no seu livro,  enaltecer as qualidades das mulheres que  passando a ser  menos jovens reuniam toda a estabilidade emocional de quem já estava afirmado na vida,
no seio familiar, nas amizades e nos conhecimentos tentando impôr-se ao despotismo de pais e maridos frequentemente,  tiranos.

Balzac visionava as mulheres de trinta anos como experientes, boas amantes, e sobretudo possuidoras da luxúria e desejo que até aos trinta, nas mais jovens, era mascarada pela coqueteria 
e futilidade própria das que sendo jovens mais fácilmente se submetiam aos desejos paternos e maritais. 

A mulher de trinta anos, abriu um marco na história da liberdade e emancipação das mulheres e goste-se ou não do
estilo de balzac, ELAS muito lhe devem.
A sociedade francesa, os pintores e retratistas da época encarregaram-se de nos deixar a ideia de que as balzaquianas eram  matronas redondinhas, de anca larga,  cabelos longos, frequentemente amarrados  num puxo na nuca, ou caídos em
caracóis trabalhados durante longas horas de ócio.

A educação das balzaquianas restringia-se a actividades  no ambiente doméstico, costurando, bordando, aprendendo música, pintura,  dedicando-se a outras atividades artisticas,
ou simplesmente existindo limitando-se à dondoquice...
As solteiras viviam esperando e sonhando casar com um marido
rico e se possível elegante e bonito; as casadas a  estas atividades
descritas juntavam a dedicação aos maridos, frequentemente déspotas, e á educação e criação dos filhos; frequentemente
calando no fundo de suas almas o grito de revolta que não conseguiam  libertar.
Daí a tanta polémica que o  livro "a mulher de trinta anos"
provocou... Ele mexeu com as regras estabelecidas...

Os tempos mudaram e pensar hoje nas mulheres trintonas, como Balzaquianas, a meu vêr é errado e utópico... e mais errado ainda é pensar na submissão existente naquela época; a mulher, dos novos tempos se é submetida será por fragilidade económica, por masoquismo, por burrice; quando não, pelas três razões juntas.

A mulher, se designada actualmente como Balzaquina, partindo
apenas do pressupôsto anatómico, bem pode considerar-se a dos quarentas, e até cinquentas já que hoje, o normal é as trintonas
vestirem-se, arranjarem-se e postarem-se como, ou melhor, que algumas jovens de vinte anos...
E tudo isto apesar de as mulheres balzaquianas de hoje terem
actividades e responsabilidades mais desgastantes e exigentes que as trintonas dos tempos de Balzac. Salvo rarissimas excepções as mulheres de hoje além dos seus empregos e carreiras ainda têm que cuidar, criar, e educar os filhos, dos maridos, do gato, do cão, das plantas e de uma infindável lista
de tarefas que guardam  nas suas cabeças, ah! e por vezes ainda
sobra um tempo para irem ao SPA...





pintura de Eugene Delacroix pintor do século 19


A todas as mulheres, balzaquianas ou não,
e à obra de H. Balzac que muito aprecio
deixo o meu abraço e o meu afeto.
João Quitério

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

SÁ DA BANDEIRA, A TUNDAVALA e eu...

Cristo Rei Lubango (imagem net)










Tundavala em lubango, angola; foto net
Tundavala pormenor da fenda; foto net







Como sempre abri a minha janela e espreitei os jardins; desta vez espreitei os jardins da minha juventude; da terna,  doce e ao mesmo tempo dolorosa saudade dessa extraordinária  cidade do Lubango, em Angola, no tempo colonial designada:
Sá da Bandeira.

Ainda jovem tive sempre comigo a ideia de que ninguém  pode
amar o que não conhece, razão pela qual sempre faço questão
de conhecer os locais onde por força das circunstâncias e do trabalho residi, ou resido.

Ora amar Angola eu já o declarei no meu outro artigo welwitschia a flor do deserto, mas amar a região da Huíla era a coisa mais fácil e contagiante num mundo que eu então descobria...
A capital, Sá da Bandeira era cativante, diferente, mágica; e por muito que os ateus neguem, ou os agnósticos debatam,  e uns e outros não dêem importância a isso; tinha, Sá da Bandeira, o pormenor de ser a cidade (portuguesa) que estava mais perto do céu, mais perto de Deus. 

A serra da leba, que lhe serve de cabeceira,  tem mais de dois mil metros de altitude encimada pelo monumento  a cristo redentor, e a meio da encosta a capela da sra. do monte... que por este dia 15 de agosto celebra a sua festa anual. 

Ali era mais simples um crente no divino sentir, numa noite limpida  que podia quase tocar o cosmos, protegido debaixo do extraordinário manto estrelado que nos cobria e abençoava, numa experiência unica, que dura por uma vida.
A partir da cidade e andando uns escassos 18 quilometros 
chegava-se fácilmente à fenda da Tundavala; fenda aberta na escarpa do planalto com,  mil metros de profundidade.
Recordo-me que gritando, o eco demorava largos segundos a ouvir-se...  
A beleza da paisagem que ao longe se avistava a muitos kilometros de distância, no vale luxuriante que se estendia até ao deserto do namibe, a terra da tribo dos mucubais, enchia a alma mesmo dos menos crentes.

Os tempos mudaram, mas por muito que mudem há coisas e
locais que são eternos como eterna deve ser a memória dos povos.

Sá da bandeira, após a independência mudou o seu nome para
Lubango, nome autoctone, com o que concordo, mas o nome de Sá da Bandeira está por demais ligado à vida do povo angolano  já que foi este Homem, politico e militar  que em Lisboa, junto do governo central, no século dezanove exigiu  e conseguiu, o fim da escravatura nas colónias de dominio Luso, tendo sido Portugal, por decisão do marquês Sá da Bandeira, o primeiro
país colonial a abolir a escravatura.
Está  na história dos dois povos, não pode ser apagada, e salvaguardando o respeito e merecimentos, de novos e mais recentes heróis, ninguém poderá esquecer ou disfarçar estas verdades, o marquês Sá da Bandeira foi o visionário da colonização organizada, mas foi também o primeiro homem no velho mundo europeu a  dar o tiro de partida para a abolição da escravatura, essa forma execrável de exploração e desenraização de homens e  mulheres com o intuito de favorecer
o enriquecimento e o capital de homens indignos, que os espalharam pelo continente americano.


Aos antigos e novos heróis de Angola...
A todos os meus leitores e em especial aos muitos que em Angola
lêem os meus artigos deixo o meu kandando, (abraço) e o meu afeto.

João Quitério






capela da Sra. do monte (imagem net)


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

JOSÉ SOCRATES, E A DESVENTURA...




foto correio da manhã net




A imagem de José Socrates, elegante como sempre, aureolada pelos cabelos brancos; muitos mais do que quando subiu ao podêr; de pé à entrada da igreja, só, enquanto aguardava a chegada do corpo de seu irmão, falecido em Espanha, bem poderia dizer-se ser a imagem da desventura patenteada em três perdas: o poder, a morte súbita de seu pai há escassas semanas, e agora a do irmão António.

Os que já sentimos a perda do pai, do irmão, ou pior, dos dois,
ou mais pior ainda a perda também do projecto em que se acreditava;  goste-se ou não de Socrates, sabemos como o momento é difícil para qualquer ser humano enfrentar na vida
esta  trilogia de desgraça...

Os que ainda não sentiram, não estão isentos de  vir a sentir
o sentimento de perda, já que pela lei natural da vida, e salvo  algo inesperado, os pais morrerão primeiro, e manda o destino
e as leis naturais  e universais que todos um dia veremos partir
os pais,  eventualmente também irmãos, e os projectos de vida tendem cada vez mais a ser dependentes não do nosso esforço, nem das nossas capacidades, mas das leis irracionais do mercado, do liberalismo económico, da globalização,  do
capital, e imaginem, até dos rapazinhos teóricos das agências de ratings, que nunca vieram a portugal e sobre os seus créditos decidem sentados em poltronas nos gabinetes com ar condicionado na nação, neste momento, mais devedora do mundo, os Estados  Unidos.

Socrates  ao perder as eleições e consequentemente o poder,
no discurso que fez, mostrou uma dignidade pouco habitual nos
homens da politica...

Na perda do pai, algo inesperada e repentina, na dedicação
ao irmão durante a doença e na consequente morte deste, Socrates mostrou a grandeza de alma que torna os portugueses únicos e verdadeiros...

Inicialmente só, em frente á igreja onde chegaría o corpo de
seu irmão, não seria dificil adivinhar  que na mente do politico vaguearia a ideia de como na vida tudo é efémero e volátil...
Que tudo que nasce morre, e que cada dia é sempre, mas sempre, o primeiro dia do resto das nossas vidas.

Ao engº Socrates  e família com as condolências
deixo o meu abraço e o meu afeto

João Quitério