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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O ZÉ (povinho) E EU






O ZÉ pov. omeuflashblogspot


Foi nos aliados, à saída do metro que me encontrei com o ZÉ e o cumprimentei.

-Então ZÈ como vai a vida, já encontraste trabalho?

Interrompendo-me, puxou para trás o chapéu e de rajada  começou um quase monólogo ao seu geito:

Olha João: o Salazar queria que no futuro eu fosse feliz, acumulou toneladas de ouro... mas mandava a pide atrás de mim; caíu da cadeira e só nessa altura me fez feliz... 

-Ó ZÈ, mas...

E continuou sem parar: 

-Qual mas nem meio mas...O Caetano até tinha comigo conversas em família e também manifestava o desejo de que eu fosse feliz no futuro;  então  pensei: agora  talvez a coisa vá...  mas mandava censurar o que eu escrevia e não fui feliz...

-Ó zé! Mas sempre havia trabalho...

Ele continuou mais entusiasmado:

-A revolução dos cravos despediu o Caetano e então veio a liberdade e com ela a democracia; essa forma  de governar e ser governado, que  não sendo  perfeita, é pelo menos  mais justa. 
Fui feliz, e por momentos acendeu-se de novo a esperança no meu peito, mas murchou tão rápido como murcharam os cravos. 
Desanimei mas os governantes que se seguiram, sem excepção, todos me prometeram  que eu seria feliz no futuro... E eu esperei... 
Mas a realidade é que fiquei sempre  esperando...
Eles teimam que eu apenas seja feliz no futuro, mas o futuro  ou
não sei o que é, ou então de burro que sou não o encontro, e não tenho GPS que me ajude.
Agora até o meu patrão  me despediu dizendo que talvez no futuro...
Já consultei adivinhos e videntes  para saber onde encontro o futuro
mas nem eles sabem onde pára.
Olha amigo, desesperado fui lá cima à aldeia, subi à montanha e como um maluquinho perguntei ao vento e também ele nada me disse...

-Ora ZÉ agora talvez a coisa...

-Não,  pôrra!
-Eu tenho direito a ser feliz hoje, agora, já... e eles só me querem feliz no futuro, e cada fornada de governantes que vão surgindo é pior que a anterior.
Todos me pedem sacrifícios para o futuro, todos me prometem ser feliz  no futuro que nunca mais encontro.
As finanças e os banqueiros fizeram uma vaquinha e juntos  já
me tiraram as mobilias, o carro e a casa, e agora para cúmulo 
até o merceeiro me quer penhorar o chapéu; diz que pode vir a precisar dêle quando tiver que ir para uma esquina pedir esmola.

Desanimado com a raiva que lhe ía na alma, mas cantarolando:
eles comem tudo, eles comem tudo... O ZÉ lá partiu  cabisbaixo, 
à procura do trabalho e do futuro que não encontra. 
Rápido como chegou, foi andando mas fazendo um real manguito, dizia: para eles... para eles...
...e acrescentou ao aceno de adeus:
João: se não nos encontrarmos antes, vemo-nos daqui a quatro anos quando fôrmos votar... no futuro, no futuro 
Deu um geito ao chapéu  e lá se perdeu no meio doutros tantos que também andavam à procura desse tal de futuro.
 
O ZÉ  no seu melhor. Foto vidas lusofonas

Ao meu amigo ZÉ,nem me atrevi a dizer que o amanhã será melhor,  (senão fôr pior)
Para o ZÉ o meu abraço e muito afeto
João Quitério